Abertura do VI Ciclo Descomemorar Golpes trouxe falas sobre período ditatorial no Brasil com pesquisador e ex-preso político

Evento aconteceu no grande auditório da UEPG Central 

De acordo com o relatório promovido pela Comissão Estadual da Verdade, mais de 4 mil pessoas foram presas, e cerca de mil foram torturadas no Paraná, entre 1964 e 1985, época da ditadura militar brasileira.

Com a intenção de relembrar esses acontecimentos, para que não caiam no esquecimento e não se repitam, o projeto “Combate à Desinformação nos Campos Gerais”, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, promoveu o “VI Ciclo Descomemorar Golpes”. 

O evento contou com a colaboração dos cursos de Jornalismo, História e Direito. Foto: Celyne Stefani

Na noite do dia 31 de março de 2025, data que marca 61 anos do golpe de Estado que instaurou a ditadura militar brasileira, o público na UEPG recebeu os palestrantes Guilherme Bomba e Narciso Pires, para a discussão do tema: “Movimentos de resistência estudantil à ditadura cívico-militar”. 

Guilherme é formado em História Política pela Universidade Estadual de Maringá e tem uma pesquisa desenvolvida sobre a Ditadura Militar Brasileira, especialmente na região paranaense. Narciso foi militante do movimento estudantil e preso político em 1975, no estado do Paraná.

Em um dos estudos sobre o cenário ditatorial, Guilherme Bomba analisa o fato de Apucarana, no interior do Paraná, ter sido o epicentro de torturas, em 1964. “O município de Apucarana faz parte da região do “Norte Novo do Paraná”, localizado geograficamente entre as cidades metropolitanas de Londrina e Maringá. Possivelmente, essa é uma entre as várias razões que levaram à instalação do 30° Batalhão da Infantaria Motorizada, pois apresenta uma localização estratégica, está exatamente entre as duas maiores cidades dessa região”, argumenta o pesquisador.

E foi em um dos quartos deste quartel que Narciso Pires conta ter sido torturado durante uma noite inteira. Ele esclarece que em nenhuma de suas palestras dá detalhes sobre o que passou. Diz que quer conscientizar a população para que ninguém precise passar por isso novamente. “Eu não sou vítima, sou resistência” declara. 

“A ditadura durou 21 anos, mas não teve fim em 1985. Ela se faz presente em cada sequela que vítimas deste cenário carregam e em tentativas de golpe, como o de 8 de Janeiro de 2023. É preciso lembrar e conscientizar para que não se repita.” finalizou Narciso Pires.

Por Celyne Stefani, Lorena Santana e Matheus Leônidas

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