Última palestra do 9° Colóquio Mulheres e Sociedade debateu o machismo e ética dentro do jornalismo, racismo digital, violência obstétrica e a marginalização de pessoas trans na sociedade
Foto: Pietra Gasparini.
Nesta sexta-feira (04), o painel “Jornalismo, ativismo e resistências contra o machismo, o racismo e a LGBTfobia” marcou o segundo e último dia do 9° Colóquio Mulheres e Sociedade. A palestra aconteceu no Grande Auditório do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A palestra contou com a participação de Marcia Veiga da Silva, Doutora em Comunicação e Informação, e autora do livro “Masculino, o gênero do jornalismo: modos de produção das notícias”; Letícia Costa, jornalista e integrante do Coletivo de Mães Pretas; Juliane Carrico, Doula, educadora popular e integrante do Coletivo de Doulas Ponta Grossa; e Ronna Freitas Oliveira, professora da UEPG e Mestra em estudos da linguagem.
Durante o painel de discussão, a pesquisadora Marcia Veiga ressaltou como o machismo se manifesta no jornalismo e como é prejudicial, desvalorizando o trabalho feminino e impactando nocivamente na qualidade da informação que é transmitida. “Eu percebi que no jornalismo não basta ser homem, precisa ser conhecido como alguém corajoso, que corre riscos.”, sustentou Marcia, apontando que os homens precisam adotar comportamentos associados a estereótipos de masculinidade para serem reconhecidos e valorizados. Para a palestrante, as mulheres enfrentam barreiras adicionais e são vistas sob uma perspectiva diferente.
A jornalista Letícia Costa destacou como o racismo e outros tipos de preconceitos se adaptam de maneira escancarada nas redes sociais, “é isso que o racismo digital faz: ele tira um preconceito que era velado e o torna público.”
A doula Juliane Carrico trouxe para o debate a necessidade de falar sobre violência obstétrica. Ela expôs que as próprias pessoas que gestam não têm conhecimento sobre o que é a violência obstétrica e muitas vezes sofrem esta violência sem nem se dar conta. “Esse não é um debate só para pessoas que estão gestantes ou que vão gestar, esse é um debate para toda a sociedade” reforça a doula. Juliane também apresenta como a mídia ainda não aborda esse assunto como deveria, uma vez que essa violência acontece a todo momento, porém, é noticiada apenas quando é alguém com relevância midiática.
A professora da UEPG e Mestra em estudos da linguagem, Ronna Freiras Oliveira, falou sobre a marginalização das pessoas trans e travestis num contexto histórico. Durante sua fala Ronna faz menção as operações, “limpeza urbana” (1968), “pente fino” (1979) e a operação “Tarântula” (1987), todas operações com o propósito de prender as trans e travestis, que tinham como trabalho a prostituição. Ainda na sua fala a professora Ronna expôs dados atuais e ressaltou, “Nós não temos dados oficiais sobre pessoas trans no Brasil, e todos os dados nacional e internacionalmente são feitos por organizações ou de pessoas trans ou organizações LGBT’s”.
Esta foi a última palestra do 9° Colóquio Mulheres e Sociedade, mas as atividades seguiram no período da tarde com duas oficinas e a apresentação de trabalhos no modo remoto. Assim encerrando as atividades e painéis do evento promovido pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Gênero, pelo projeto de extensão Elos – Jornalismo, Direitos Humanos e Formação Cidadã, pelo Programa de Pós-Graduação em Jornalismo e pelo Departamento de Jornalismo da UEPG, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília, e conta com o apoio da Rede Antonietas (SBPJor).
Por: Amanda Rafaella e Maria Victória Ribeiro.