Especial Mulheres na Política | Mulher e política: a desigualdade em Ponta Grossa

Desde 1885, somente 13 vereadoras foram eleitas para a Câmara Municipal de Ponta Grossa

Historicamente, assim como no Brasil, Ponta Grossa apresenta desigualdade de gênero dentro da política. Desde 1885, somente 13 vereadoras foram eleitas para a Câmara Municipal de Ponta Grossa e três assumiram o cargo de outros vereadores.

O cenário dentro das Comissões Parlamentares, contido, apresenta uma maior igualdade de gênero. Das sete comissões, quatro tem representatividade feminina, o que representa 57%. As comissões de Direitos Humanos, Cidadania e Segurança e Agricultura, Pecuária, Indústria, Comércio, Turismo e Meio Ambiente são presididas por mulheres. A Comissão de Educação, Cultura e Esporte é a única com maioria feminina, das três cadeiras, apenas uma é ocupada por homem.

 

 

A professora do curso de Jornalismo e do Mestrado em Comunicação da Universidade Federal do Maranhão, Camilla Tavares, descreve que essa disparidade ocorre devido à relação das mulheres com o espaço doméstico. “Temos uma dificuldade de as mulheres entrarem na vida pública, porque enfrentam diversos entraves tanto sociais quanto institucionais. A mulher ainda é vista como responsável do lar, como a principal responsável pela criação dos filhos, enquanto que o homem é visto como provedor e que no máximo ajuda dentro de casa”. Para a pesquisadora, outro entrave seriam os próprios partidos que limitam a participação da mulher, destinam menos recursos para as candidaturas e isso dificulta as condições de disputa eleitoral.

Uma história: vereadoras ponta-grossenses

A primeira vereadora foi eleita na cidade em 1951. Cândida Braz foi vereadora pelo PTB. Em entrevista para o site Maria Pauteira, que produziu uma série de reportagens sobre as mulheres na política em Ponta Grossa, a família conta que, na Tribuna da Câmara Municipal, Cândida disse: “Tem muita gente aqui me metendo o pau por trás, quero ver ter a coragem de me meter o pau pela frente”.

Eleita vereadora em 1988, Sandra Queiroz defendeu políticas agrárias. Se definia como conservadora e era uma das poucas na cidade a ter acesso às Colônias Russas de Ponta Grossa. Muitas vezes, as mulheres das colônias eram frequentemente vistas na Câmara e atendidas pela vereadora. Sua família também tem carreira política. Otto Cunha (ex-prefeito e deputado federal) e Plauto Miró (deputado estadual) são primos da ex-vereadora.

Nassina Salum assumiu o cargo de vereadora em 1993. Defendeu políticas no âmbito empresarial, clubes beneficentes e filantropia. A vereadora foi popular na cidade por atuar como comunicadora nas rádios e na televisão. No mesmo ano, Caludete Dallabona também foi eleita vereadora e liderava pelas necessidades das comunidades.

Ortência Rosa foi vereadora em 1997 na cidade. Sem apoio financeiro, a campanha ocorreu de forma a se apresentar de pessoa por pessoa. Em seu mandato lutou pelos movimentos sociais e pelos pobres da cidade.

Selma Schons foi eleita vereadora no mesmo ano pelo Partido dos Trabalhadores. Sua pauta foi pela criação de políticas de conservação do meio ambiente. Selma também foi a primeira mulher de Ponta Grossa a assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados. Defendeu pautas ambientais, de direitos indígenas e das mulheres.

Em 2003, Alina de Almeida assumiu o cargo. Selma é reeleita em 2004 e 2008 para vereadora na cidade. É a única mulher na história de Ponta Grossa que atuou por 10 anos na Câmara. A ex-vereadora criou a lei de obrigatoriedade do diploma para trabalhar como jornalista ou assessor de imprensa nos Poderes Executivo e Legislativo. Também criou leis dedicadas à saúde de crianças e à inclusão social.

Ana Maria Holleben, eleita em 2005, 2009 e 2013 vem de família já conhecida na política. Avôs, pai e primo foram deputados federal, vereador, prefeito e deputado estadual. Lutou por causas sociais e teve proximidade com movimentos sociais. Holleben não compareceu no dia da posse em seu terceiro mandato. O caso ganhou repercussão nacional quando se descobriu que se tratava de um auto sequestro. A então vereadora foi expulsa do Partido dos Trabalhadores e, antes da cassação de seu mandato, renunciou ao cargo.

Com a renúncia de Ana Maria Helleben, a vereadora Adélia Souza foi a única mulher na Câmara de Vereadores. Dedicava-se às bandeiras da saúde. Criou a lei de ações preventivas relacionadas ao Outubro Rosa e ao Novembro Azul. 

No ano de 2017, a única mulher eleita vereadora foi a Profª Roseli Aparecida Mendes. Decepcionada com os parlamentares da Câmara devido à desunião e por criação de projetos de repertório negativo, Roseli não tentou reeleição.

A primeira vereadora assumidamente LGBT a ocupar uma cadeira dentro da Câmara foi Francielle Stepenovski. Conhecida como Leli, assumiu por um mês o lugar de Walter José de Souza (Valtão – PRTB), que se afastou do cargo por motivos de saúde.

Atualmente, a Câmara Municipal possui três vereadoras: Josieane Kieras do Mandato Coletivo do Psol (composto por mais três co-vereadores: Ana Paula Melo, Guilherme Mazer e José Luiz Stefaniak), Joce Canto (PSC) e Missionária Adriana Jamier (SD).

 

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