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Participantes do projeto de extensão Jornalismo, Direitos Humanos e Formação Cidadã apresentam trabalho no EAIC pela primeira vez

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Estudantes apresentam os resultados das pesquisas desenvolvida ao longo do ano sobre direitos humanos

No próximo dia 14, iniciam as apresentações do XXIX Encontro Anual de Iniciação Científica, o EAIC. No evento, integrantes do projeto de extensão Direitos Humanos, Jornalismo e Formação Cidadã Alex Daniel Dolgan, Maria Eduarda de Oliveira e Thais de Lima Silva apresentarão trabalhos com temática de direitos humanos, resultado de um ano de pesquisa.

Os três são estudantes do ensino médio e participam pela primeira vez do Encontro Anual de Iniciação Científica Júnior, dentro da programação do EAIC, porém destinado a alunos e alunas de escola pública e que desenvolvem atividades de iniciação científica júnior.

A estudante Thais Silva apresenta na segunda-feira, 14, o trabalho “Jornal Escola, Jornalismo e Formação Cidadã”, sob orientação da professora Paula Melani Rocha, conta que descobriu o projeto de extensão através da escola que cursa o ensino médio. “Minha pesquisa e interesse é na área da diversidade, respeito e estudo dos nossos direitos. Eu entrei no Elos através do colégio Estadual Regente Feijó e com a ajuda de uma professora”, lembra Thais.

A estudante Maria Eduarda apresenta no dia 15 a pesquisa “As Mídias Digitais Na Difusão De Conteúdos Sobre Direitos Humanos: Monitoramento e Análise do Projeto de Extensão Elos” sob orientação da professora Karina Woitowicz. Ela lembra que ainda não tinha tido nenhuma experiência com pesquisa científica, porém o processo foi bom para a aprendizagem. “O processo de pesquisa foi realizado com calma até porque não tinha tido nenhuma experiência com produção científica. Na criação tive que juntar várias informações relacionadas às redes sociais do ELOS”.

As apresentações deste ano acontecerão diferente dos outros anos. Em razão da pandemia do Covid-19 as mesas serão de forma remota e transmitidas pelo canal da oficial UEPG no Youtube. Para conferir, clique neste link.

 

 

Entidades auxiliam pessoas com deficiência

Em Ponta Grossa, há diversas entidades que oferecem apoio às pessoas com deficiência e atuam em defesa dos seus direitos. No Brasil, esses direitos estão assegurados pela Lei Federal nº 13.146/2015, também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante condições de acesso à saúde, educação, acessibilidade, inserção no mercado de trabalho, entre outros.

Conheça o trabalho das associações e colabore!

APAE

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Ponta Grossa (APAE) é uma entidade civil, filantrópica, que atende pessoas com deficiência e suas famílias. A instituição desenvolve projetos e ações continuadas em parceria com o poder público Federal, Estadual e Municipal e também atua junto à sociedade civil através de doações, do trabalho voluntário e de mobilização e participação em eventos de arrecadação de recursos.

Instagram: @apaedepontagrossa

Facebook: APAE de Ponta Grossa

ASSARTE

Fundada em 31 de março de 1985, a ASSARTE surgiu com o objetivo de prestar atendimento a portadores de necessidades educativas especiais. Hoje, ela coordena duas entidades na cidade de Ponta Grossa: uma escola de educação especial e um abrigo para pessoas com deficiência intelectual que não possuem família.

Site: www.assarte.org.br

Facebook: Assarte PG

APROAUT

A Associação de Proteção dos Autistas (APROAUT) é uma entidade filantrópica voltada para o atendimento especializado a crianças, adolescentes e adultos diagnosticados com TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Fundada em 28 de agosto de 1996 e localizada no Parque Santa Lúcia, a instituição oferta atendimentos educacionais e clínicos ao público autista com serviços de equoterapia, fonoterapia, terapia ocupacional, serviço social, musicoterapia, psicologia, psicopedagogia, atendimento médico, brinquedoteca, educação física e brinquedoteca.

Facebook: Aproaut- Associação de Proteção dos Autista

APACD

A Associação Pontagrossense de Assistência à Criança Deficiente (APACD) tem o objetivo de oferecer atendimento multidisciplinar para crianças e jovens com deficiência por meio de acompanhamento psicológico, terapia ocupacional, fonoaudiólogo, musicoterapia, estimulação visual, ortopedia e neuropediatria, visando a melhoria no desempenho físico, intelectual e emocional.

Site: apacd.org.br

Facebook: Apacd Ponta Grossa

Instagram: @apacdpontagrossa

APADEVI

A Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (APADEVI), fundada em 22 de junho de 1985, é uma Organização Não Governamental (ONG), sem fins lucrativos, que atende pessoas com deficiência visual total e/ou com baixa visão, sem limite de idade, no município de Ponta Grossa – PR.

Instagram: @apadevipg

Facebook: Apadevi Ponta Grossa

Cesta básica tem aumento de preço e compromete renda familiar

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No início deste mês, o Núcleo de Economia Regional e Políticas Públicas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Nereep-UEPG) divulgou um novo levantamento sobre o preço dos produtos da cesta básica na cidade, que agora chegam a somar R$ 809,59. Um dos itens que mais chama a atenção é a carne, produto comum na mesa dos brasileiros, que registrou aumento de mais de 5%. Com preços cada vez mais altos a população busca alternativas para conseguir fazer ao menos uma refeição por dia.

Dias antes da Semana Santa, que começou no dia 10 de abril e acabou no dia 16, alguns dos peixes que embelezavam a fonte na Praça Barão do Rio Branco foram furtados. A informação foi confirmada pela Prefeitura de Ponta Grossa, mas não se sabe ao certo quem furtou os peixes ou qual o objetivo. Na cultura do catolicismo, a Sexta-Feira Santa é um momento em que se pratica a abstinência, isto é, não comer carne vermelha ou frango, o que pode ter motivado o roubo dos peixes.

Willian Ferreira,que trabalha como vendedor ambulante para suprir a renda familiar, conta que o aumento de preço pesou no bolso das famílias. “O café e o feijão tiveram um aumento de preço muito grande”, observa Willian, que também lembra que o Brasil é um dos maiores exportadores de café e carne bovina em todo o mundo. No ano passado foi registrada alta de 55% na exportação de carne bovina, algo em torno de 159,1 mil toneladas, conforme informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Para as famílias que vivem com apenas um salário mínimo, metade desse valor tem que ser gasto para comprar produtos básicos no supermercado, como conta o auxiliar administrativo Cide Oliveira Neto. “Hoje o salário mínimo é de R$ 1.212,00, então ter que pagar luz, internet e água, o que acaba fazendo as famílias fecharem no vermelho”, alerta Cide.

Para quem espera que os preços baixem com o fim da pandemia, a notícia não é tão boa, como conta o professor de Economia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Alysson Stege. “O preço só deve diminuir quando voltar a renda e as vagas de emprego. Uma maior oferta também deve reduzir o preço dos alimentos, uma vez que o processo de produção deve aumentar”, explica o professor.

A pesquisa do Nereep-UEPG, levou em conta um levantamento feito no site dos supermercados da cidade, na modalidade delivery, no mês de março de 2022.

 

Cresce o número de jovens que emitiram o título de eleitor

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Cada vez mais os jovens brasileiros têm se interessado pela política e um reflexo disto é um aumento no número de emissão de títulos de eleitores entre adolescentes de 15 a 17 anos. Segundo o TSE, do início de 2022 até 21 de março, 854.685 jovens haviam solicitado a emissão do documento. Este número somado com as solicitações de 2021, que não foi um ano eleitoral, representa pouco mais de 2,3 milhões de novos títulos, quase o dobro das emissões em 2020 para as eleições municipais entre este público.. 

As estudantes de Ponta Grossa, Maria Eduarda Oshiro Paixão, 16 anos, e Gabrielle Wozniak, 17 anos, comentam que perceberam a importância de emitir o título após estudarem um pouco mais sobre política. Outro fator que levou as jovens a solicitarem o documento foi ter o direito de exercício ao voto garantido e também por se sentirem mais integradas à sociedade.

Maria Eduarda diz também que há espaço para todos dentro da política, pois as pessoas têm diferentes pontos de vista e o que deve prevalecer é o debate sempre. Para a estudante, “o estudo da política é importante para  que as pessoas entendam que elas não precisam, necessariamente, exercer algum tipo de cargo na política, mas podem ser ouvidas através do voto promovendo seus ideais por meio de um representante eleito”.

Para Gabrielle o voto é um instrumento de transformação. “Com o meu voto, posso tentar fazer com que o futuro do país seja melhor do que foi o passado no cenário político”, complementou a estudante.. A jovem pontagrossense observou ainda que seus colegas e pessoas da sua idade não fazem o título por puro desinteresse e falta de debate sobre política.

Ensaio: Invisibilidade Social

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Invisibilidade social é um conceito aplicado nas Ciências Sociais referente a pessoas que encontram-se invisíveis socialmente, seja por indiferença ou por preconceito estrutural. A ausência de políticas públicas contribuem para a permanência da invisibilidade social. O conceito remete as pessoas que estão à margem da sociedade seguindo fatores históricos, culturais, sociais, religiosos e econômicos. São exemplos os moradores de ruas e os idosos que, quando ignorados, compõe apenas como mais uma peça da paisagem urbana das cidades.  

Luiz Carlos Gomes leva um pouco de alegria pelas ruas de Ponta Grossa. Luiz Gomes tira seu sustento através de contribuições das pessoas que param para ouvir sua música nas avenidas mais movimentadas da cidade. 

Morador de rua, conhecido como Sidão, pede dinheiro no semáforo da rua Benjamin Constant em Ponta Grossa para comprar uma refeição.

Genildo Rosa de Almeida comenta que perdeu seu emprego pelo motivo de ter crises de convulsões e está esperando a perícia médica do INSS para se encostar por invalidez. Atualmente Genildo é morador de rua e pede dinheiro nas ruas de Ponta Grossa para se alimentar. 

Morador de rua procurando por comida e vestimentas na caçamba de lixo próximo do Terminal Central de Transporte Coletivo Urbano em Ponta Grossa. 

Pegar o transporte público é uma dificuldade para o munícipe de Ponta Grossa, Ademir da Silva. O senhor comenta que apresenta paralisia em uma das pernas e necessita de assistência para embarcar no ônibus, o que deixa Ademir frustrado por precisar do motorista. 

 

Como trabalhar a opinião pública quando grande parte do jornalismo local é refém da superficialidade?

Quando se trata de temáticas relacionadas a Direitos Humanos, o jornalismo hegemônico em geral nutre a prática sintomática de falar sobre estes temas sem aprofundamento ou reflexão, não apenas oferecendo à população uma visão superficial dos acontecimentos, como também as impedindo de formar a própria opinião e desenvolver o pensamento crítico. 

Seja em grandes metrópoles ou em pequenas cidades, a cobertura jornalística das ocupações e lutas ligadas ao Movimento Sem Terra (MST) apresenta problemas que se repetem. Em Ponta Grossa não é diferente, desde que 200 policiais conduziram de maneira ilegal uma operação de despejo de 60 famílias em uma ocupação no bairro Cará-Cará, no dia 5 de fevereiro de 2021, o assunto começou a ser abordado por diversos veículos de comunicação do município. 

Foram analisadas matérias relacionadas às ocupações de Ponta Grossa nos dois principais jornais online, Diário dos Campos (DC+) e o portal A Rede. Optou-se por fazer um recorte temporal nos meses de fevereiro e março de 2021.

No que diz respeito ao portal A Rede, é notória a falta de problematizações na cobertura. Das 16 matérias analisadas, nenhuma trazia uma reflexão real acerca da falta de ações mais efetivas na garantia de moradia no município ou questões econômicas que permeiam as razões pelas quais estas famílias fazem parte de ocupações. Os problemas estruturais e de tratamento de fontes estão presentes em todas as reportagens, o uso da palavra “invasão” atua como forma de vandalizar as ações promovidas pela Frente Nacional de Luta (FNL), tanto no corpo da reportagem quanto nas manchetes. Um exemplo disso é o título de uma matéria veiculada no dia 11 de fevereiro: “Decisão da Justiça proíbe novas invasões em PG”.

 Além disso, grande parte das notícias não trazem um viés questionador com relação à posição do poder público. Comemorações e atos também foram veiculados, contudo, de forma bastante superficial. Outro ponto que vale salientar é o número considerável de matérias que falam sobre a ida de representantes nas ocupações, principalmente as relacionadas ao governo do estado e do município, atuando como forma de “reiterar” o comprometimento dos representantes com o movimento.

Em relação ao jornal Diário dos Campos, a cobertura foi similar à dada pelo jornal anterior. Ao todo foram coletadas 11 notícias que envolviam o termo “ocupação”. Percebe-se uma tentativa de argumentar acerca dos problemas sociais que a luta envolve, entretanto, a abordagem é perpassada por outras justificativas, tratando de armas de fogo e apreensão de entorpecentes. O uso de palavras como “desfazer”, “retirar” e “desmobilizar”, que amenizassem o ato de despejo por parte dos policiais, também marcou a cobertura. Em duas das notícias encontradas, o termo “invasão” foi utilizado na manchete.

De maneira geral, a cobertura dos dois portais foi bastante limitada, dando maior foco ao poder público. É importante refletir acerca do papel do jornalismo local na formação de opinião da população, uma vez que as 37 reportagens atuaram como pontes para reforçar estereótipos já existentes. Além dos problemas estruturais apresentados, a linha editorial dos jornais, seus patrocinadores e também o próprio posicionamento dos veículos ficam bastante claros.

Assédio em bares, restaurantes e casas noturnas é relato comum entre as jovens de PG

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De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, em 2021 a cada sete horas foi registrado um boletim denunciando crimes como importunação sexual e divulgação de imagens e vídeos com conteúdo sexual sem consentimento. Dado que é subestimado, uma vez que, são raros os casos de denúncia devido ao medo da descrença e repreensão.

Os casos de assédio costumam ser mais frequentes em casas noturnas, situação que não é diferente em Ponta Grossa. A partir disso, a lei Nº 13.748/2020 da cidade obriga os bares, as casas de shows, os restaurantes e os estabelecimentos similares a adotar medidas de segurança visando a proteção das mulheres em suas dependências. Isso consiste na oferta, pelo estabelecimento, de acompanhamento da mulher até o veículo, inclusive aqueles de aplicativos de transporte urbano, ou na comunicação da situação de risco à polícia.

Uma estudante de Ponta Grossa, a qual optamos por proteger a identidade e integridade pessoal, relata o assédio que sofreu em uma casa noturna da cidade em dezembro de 2021. “Foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu comigo, eu estava de boa e um cara me beijou a força, começou a tentar tirar minha saia na frente de todo mundo. Daí eu consegui empurrar ele, depois que aconteceu eu fiquei travada por alguns minutos em choque pensando que a culpa era minha por ter dançado no palco. Acabou com a minha noite, com a minha semana”, conta a jovem. 

Para entender a lei Nº 13.748, suas deficiências e como melhorá-la, conversamos com Guedes Henrique, proprietário da casa noturna Cavan, localizada no centro de Ponta Grossa. A casa tem diversas medidas que focam

na proteção das mulheres presentes no estabelecimento.  Confira a entrevista na íntegra abaixo:

Como e onde mulheres que sofreram assédio podem procurar ajuda dentro do estabelecimento?

Todos os funcionários da casa estão orientados a ouvir a vítima e chamar um responsável. Colocamos placas no banheiro feminino indicando o que fazer quando estiver se sentindo ameaçada ou constrangida, explicando também como funciona o drink FRIDA, que nada mais é que um “drink de emergência” para socorro em casos de assédio. Na placa, as mulheres são orientadas a chegarem no bar e pedirem por esse drink, para que, automaticamente, o pessoal entenda o recado e chame um responsável para tomar providências. 

Quais são as medidas tomadas após o pedido de ajuda?

O pessoal é orientado primeiramente a afastar o agressor de perto da vítima, e conversar com a mesma para entender a situação. Após isso, nós buscamos a melhor maneira de resolver o caso, o que pode ocorrer com a saída do assediador. Também, nos disponibilizamos a chamar a polícia e prestar esse suporte caso a mulher deseje prestar queixa. 

As medidas de apoio/proteção são divulgadas de que modo no ambiente do estabelecimento?

Nós fazemos campanhas pelas nossas redes sociais e espalhamos placas por toda a casa (inclusive no banheiro masculino). Colocamos a placa referente ao drink Frida no banheiro feminino, e também, referente ao drink, placas nos ambientes exclusivos para funcionários, para que sempre estejam cientes desse código. 

Mesmo que seja praticamente impossível controlar e garantir que situações que coloquem mulheres em risco não aconteçam, existem medidas da equipe do local para evitar casos de assédio e fazer com que mulheres se sintam protegidas?

Na minha opinião, o melhor caminho é a conscientização. Quanto mais repreendermos e colocarmos esses atos como desprezíveis dentro da casa, mais afastadas teremos as pessoas que tomam esse tipo de atitude. Tivemos uma época na Cavan em que estávamos tendo bastante relatos de assédios, que foi quando intensificamos campanhas e até lançamos a polêmica coleção de copos dizendo NÃO AO ASSÉDIO. Ao meu ver, como não temos como saber quem faz isso, precisamos colocar isso em pauta e o copo era algo que chegaria às mãos de todos… A ideia foi bombardeada por críticas, mas mesmo assim fizemos e todas essas campanhas deram resultado. 

Mas, é claro, não paramos por aí. Pensando em um maior zelo para com nossos frequentadores, coloquei mais seguranças na casa e câmeras. Intensificamos também as orientações com nossos colaboradores, para ficarem ainda mais atentos com essa questão. 

Quanto você considera que essas medidas têm sido efetivas?

Então, como disse, tivemos uma onda de relatos e depois que tomamos todas essas atitudes as reclamações cessaram. Creio que não resolvemos 100% o problema, porque realmente não temos como prever o comportamento de cada um que entra. Mas, ainda assim, as medidas tiveram bastante resultado.

 

Entrevista Dia da Mulher em PG com Jennifer Dias

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Na última semana foi comemorado o dia da mulher, que para muitos representa uma comemoração, mas que para o movimento feminista significa luta e resistênica. A entrevistada desta semana é Jennifer Dias, graduada em história pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e integrante da Frente Ampla Democrática da cidade. Ela discorre sobre a movimentação em PG e sobre os últimos acontecimentos nacionais. 

 

1) O que o dia da mulher, que foi na última semana , representa para a luta feminina?

Jennifer: Acredito que existem duas leituras que mais se sobressaem. A primeira delas, enormemente difundida, é a de um dia da mulher comemorativo, em que se exalta qualidades como “força” e “empoderamento”. Os locais de trabalho preparam um café diferenciado ou entregam algumas caixas de bombom, o marido entrega flores, e por aí vai. O grande problema dessa leitura vendida pelo mercado é de estabelecer qual o padrão de mulher que deve ser exaltado. E geralmente é a mulher que nos outros 364 dias do ano, precisa mover moinhos e enfrentar todas as dificuldades estruturalmente impostas para sobreviver. O conceito de empoderamento é muito perigoso, pois surgiu a partir de um contexto onde as mulheres precisavam individualmente se responsabilizar por questões de saúde ou de política pública. Então, nesse sentido, quem é a mulher forte? É aquela que, pela ausência de políticas públicas, enfrenta duplas ou triplas jornadas de trabalho para dar conta daquilo que uma sociedade não é capaz de se responsabilizar. É a mulher trabalhadora, mãe, que cuida da família e que passa por uma vida absurdamente difícil. Mas será que realmente deveria ser assim? A vida sempre precisará ser mais difícil para as mulheres para que em apenas um dia do ano, nós tenhamos a decência de se importar com as mulheres? É claro que não existe apenas um padrão de mulher, somos muito diferentes entre nós e cada uma sabe o que enfrenta dia após dia. Mas meu ponto sobre essa leitura romantizada do sofrimento é de que (e aí entra na segunda leitura, mais crítica, sobre o dia da mulher), é muito danoso para a mulher. Pois a vende uma narrativa de que ser forte faz parte do seu “instinto maternal” e de que ela deve continuar lutando sempre, muito mais do que os homens, para conseguir viver tranquila. O verdadeiro significado do 8m é de que 129 operárias estadunidenses de uma fábrica têxtil que morreram carbonizadas, vítimas de um incêndio intencional no dia 8 de março de 1957, em Nova York. E o mercado propositalmente dissociou o dia da mulher desse evento. Justamente para continuar construindo esteriótipos em cima de quem deve ser a mulher numa sociedade desigual. 

2) O que você achou da cobertura local sobre o dia da mulher?

Jennifer: Acredito que além da mídia hegemônica, houve muitos movimentos buscando construir uma leitura do dia 8 mais voltada pra esse lado crítico que citei na primeira questão. Mas creio que muito do que vi se refere ao próprio meio que convivo e as relações que nutro. No geral, mais do mesmo, comemorações irrisórias que não levam a conscientização real da luta feminista.

3) O que você acha sobre a transformação do feminismo em comércio na cidade? 

Jennifer: O 8M que é vendido pelo mercado não é feminista. É no máximo um liberalismo mesquinho disfarçado de feminismo, que vende insígnias prontas, com uma ou outra imagem completamente esvaziada de seu real sentido. É o caso, por exemplo, da Frida Kahlo, que acredito que grande parte do público que consome produtos ligados à ela, não tem real dimensão de quem foi essa grande mulher. É aquela imagem do empoderamento que citei também na primeira questão, em que muitas vezes o famigerado “meu corpo minhas regras” é vendido, mas sem nenhuma proposta concreta de libertação humana. Enfim, cabe a nós estarmos sempre conscientes desses movimentos que são realizados pelo mercado, pela mídia, e buscar abertura para dialogar com mulheres que acreditam em si mesmas, que constroem uma imagem de si positiva, e trazê-las mais próxima das lutas coletivas que buscam sobretudo construir uma sociedade em que todas sejamos livres. É também fundamental criarmos espaços em que mulheres reais falem sobre pautas reais. O feminismo não é uma criação acadêmica que deve chegar pronto às mulheres, mas sim uma luta construída a partir das nossas próprias demandas e que deve ser transformado em um conjunto de transformações que nos garantam equidade de gênero e liberdade.

4) Quais ações a cidade de Ponta Grossa deveria tomar para que as mulheres tenham seus direitos garantidos? 

Jennifer: Eu acredito que essa é uma questão bem complexa, mas acredito que em nível institucional, seria importantíssimo o foco nas políticas públicas pautadas democraticamente, que não se reduzissem apenas ao mês de março. Existem inúmeros movimentos sociais que estão constantemente cobrando dos poderes públicos políticas efetivas para assistir mulheres com suas inúmeras questões, que sofrem as mais variadas violências de gênero. É o caso, por exemplo, de ampliar e valorizar espaços como o conselho municipal dos direitos da mulher, que está ativamente pensando nessa questão.

5) Falando um pouquinho sobre o caso do Arthur do Val, como que ter deputados ou pessoas no poder que pensam dessa forma pode afetar a sociedade e principalmente as mulheres?

Jennifer: Arthur do Val é um homem que mobiliza inúmeros sentimentos enraizados na sociedade. Ele não é uma ferida ou um sintoma, mas sim o sistema patriarcal de sua forma mais pura e cristalina. Ele representa o que grande parte dos homens pensam sobre nós. O impacto disso é muito grave, pois estamos falando de homens que se sentem autorizados a ditar como nós mulheres devemos viver, pensar e agir. E se não seguirmos as regras, eles se sentem autorizados a nos violar, nos matar. Ver um homem como esse na política institucional, assim como ver o governo de Bolsonaro como um todo, é algo que precisamos derrotar através da nossa luta.

Consumismo Desvirtua o foco do Dia da Mulher

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No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher, definido pela Organização das Nações Unidas em 1975. Desde então, a data intenciona ser um marco para que se discutam as desigualdades e as violências sofridas pelas mulheres. No entanto, principalmente nos últimos anos, é possível perceber que a data vem sendo transformada em comercial, focando no lucro dos estabelecimentos que utilizam o pretexto para promover seus produtos.

A data foi criada pela ONU com o intuito de fortalecer as pautas de cunho feminista que buscavam a liberdade, a igualdade e a valorização da mulher. Atualmente a data ainda carrega esses ideais, no entanto, percebe-se que o comércio cada vez mais tenta transformar isso em lucro, ao mesmo tempo em que mostra-se aliado à luta. Tem-se como exemplo uma rede fast food que no Dia da Mulher em 2018 divulgou que toda a equipe naquele dia seria feminina, o que causou polêmica em torno das contradições sobre a forma como essa decisão valoriza as mulheres.

A professora de história, Patrícia Carla Melo Martins, observa que se o comércio se apropria de datas como essa, o foco, ao invés de contribuir para a formação de consciência, incentiva o consumismo e a propaganda. Para a professora, é necessário que o Dia Internacional da Mulher seja lembrado e honrado de uma maneira responsável, sem desvirtuar o sentido da data. 

Bruna Alves Lopes, também professora de História e integrante do Laboratório de Estudos de Gênero Diversidade Infância e Subjetividade (LAGEDIS), diz: “Quando nós tiramos o caráter político desse tipo de data deixamos de perceber as violências do dia a dia e focamos em comprar e receber flores”. Contudo, as professoras concordam que o dia 8 de março ainda é uma data importante para a valorização da mulher e de suas lutas.

 

Imagem: Maria Eduarda Kobilarz

8 de março não é uma data comemorativa!

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No dia internacional da mulher, é fundamental a mobilização de toda a sociedade para o verdadeiro significado dessa data. Muito mais que parabéns ou felicitações às mulheres, o 8M representa um dia de luta, dentre muitos outros dias que batalhamos incansavelmente pelo direito de sobreviver e de viver. 

Sobreviver porque somos alvo direto de uma estrutura patriarcal que através do machismo, racismo e lgbt+fobia. Estrutura essa que é dia a dia intensificada pela política do ódio sustentada por Bolsonaro e seus cúmplices. 

O Brasil mata uma mulher a cada 2 horas. É o país que mais mata mulheres trans e travestis no mundo. A violência contra mulheres com deficiência também é expressiva e cresceu aproximadamente 70% durante a pandemia. E no que se refere a violência obstétrica no geral, 65,9% das vítimas são mulheres negras. 

Desde nossos primeiros segundos no mundo, já somos subjugadas a uma série de opressões. Ditam o que devemos usar, como devemos nos comportar, com quem precisamos nos relacionar. Ditam quais vagas de emprego vamos ocupar, quais padrões do corpo devemos atingir. Não pode ser negra, não pode ser uma mulher com deficiência, não pode ser gorda, não pode decidir expressar-se de outra maneira que não a de mulher cis. Cabelo curto nem pensar, precisa usar roupas apertadas, madeixas arrumadas, maquiagem. Precisa cozinhar bem, não pode ser puta, mas também saber precisa agradar o marido. 

Algumas mulheres já nascem em classes que tornam possível fugir de determinados padrões. Estas, dizem que “meu corpo, minhas regras” é o mote do dia. Saem, bebem, se relacionam com quem bem entendem. Dirigem, trabalham, estudam nas melhores universidades, atingem postos de trabalho “bem sucedido”. No entanto, emplacam uma política individualista ao não compreender que a questão de classe é central no debate sobre a equidade de gênero. Sem a intersecção entre gênero, raça e classe, não teremos unidade para confrontar uma estrutura misógina, capacitista, racista, machista, lgbt+fóbica. 

Essa intersecção é vital para combater e destruir a política de ódio que nos tem como alvos diretos. É preciso unificar o #ForaBolsonaro, mas organizar a luta para derrubar também o bolsonarismo. Não podemos esquecer que esse governo ainda conta com mais de 30% de apoio, mesmo após todas as suas declarações violentas. 

A luta pela derrubada de Bolsonaro é uma luta feminista, anti-imperialista, anticapitalista, democrática, antirracista e anti-LGBT+fóbica. Contra a violência, a fome, a carestia, a violência, por saúde, moradia, por nossos direitos sexuais e reprodutivos. 

Nossa luta é pelo SUS e os serviços públicos e gratuitos. É contra o desemprego e a construção de uma sociedade justa e igualitária. 

Para nós, o #8m é muito mais do que flores e parabenizações. É um dia de reforçar que a auto-organização das mulheres em união com diversos movimentos sociais é a chave para a construção de um mundo sem Bolsonaro e o bolsonarismo.

Jeniffer Dias (integrante da Frente Ampla Democrática (FAD) e professora de História

Ensaio: Ocupação Andorinhas

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Fotos: David Candido