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Seminário debate os reflexos da pandemia na saúde mental de estudantes e professores  

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A primeira edição do evento contou com aproximadamente 200 alunos e alunas

O evento “I Seminário sobre os impactos da pandemia na saúde mental” realizado na última sexta-feira, 5, no auditório do Instituto de Educação Prof. César Prieto Martinez em Ponta Grossa, trouxe o debate dos reflexos da pandemia no bem-estar dos estudantes e professores. Aberto para toda a comunidade, o evento promovido pelo Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) contou com palestras do psicólogo Pedro Henrique Moraes e da assistente social Jordana Murmel. 

De acordo com Lislei Teresinha Preuss, coordenadora da Residência Multiprofissional em Saúde Mental da UEPG, “as crianças e os adolescentes foram os mais atingidos pelo contexto pandêmico”, período em que houve um aumento significativo da busca por atendimento psicológico. O evento tratou das dimensões entre a saúde mental e os transtornos, seus sofrimentos e patologias, e do mau desempenho escolar e académico.

Para Pedro Henrique Moraes, “ter saúde mental é reconhecer que temos limites, que as outras pessoas também têm limites. Conseguir se relacionar com os outros e viver bem em sociedade é um sintoma de saúde mental”. A segunda palestrante do dia, Jordana Murmel alertou para comportamentos e sinais de que a saúde mental está prejudicada, afirmando que para ter qualidade de vida é preciso identificar e saber lidar com os problemas.

Ao fim da apresentação, a discussão foi aberta para perguntas, dúvidas e comentários. Entre os assuntos levantados, destacam-se a falta de interação com outras pessoas durante o período de isolamento, o que inclui os problemas para manter vínculos sociais e fazer novas amizades, e as dificuldades para estudar pelo ensino remoto, além do medo de se infectar com a Covid-19.

A plateia também relatou as dificuldades de adaptação no pós-pandemia, período conturbado e repleto de incertezas, inclusive sem saber se a convivência já era segura ou se o risco de contaminação ainda era alto. “Muitos estudantes queriam voltar para a escola, mas os pais não deixaram”, lembrou uma professora. Na opinião dos espectadores, o retorno foi especialmente complicado para os alunos novos, que ainda não conheciam os colegas e professores presencialmente.

Perfis comuns com cicatrizes pandêmicas

Durante os dois anos de pandemia, várias pessoas tiveram sua saúde mental prejudicada, mas também houve quem conseguiu usar esse tempo para cuidar de si mesmo. Isolamento, aumento da demanda de trabalho e diminuição das relações sociais são algumas das consequências que a pandemia trouxe e que, até agora, são sentidas nas pessoas. No âmbito educacional não foi diferente. Confira o perfil de uma aluna e de uma professora da rede pública de ensino sobre a saúde mental durante e após a pandemia. 

Ler, pintar e jogar xadrez

Ter a facilidade de falar bem em público nem sempre foi uma das qualidades da estudante do segundo ano do ensino médio Rafaela Martins Fogaça, de 16 anos, que desde antes da pandemia tinha uma certa dificuldade para socializar, ainda mais na escola. Foi depois que o mundo começou a voltar ao “normal” que Rafaela Martins adquiriu uma maior confiança para falar em público. E fala muito bem, mesmo em um auditório com mais de 100 espectadores ela estava lá, apontando suas percepções sobre saúde mental. 

Se já não era fácil lidar com todo o peso de ser adolescente, isso só se agravou com o início da pandemia. Entretanto, Rafaela nunca deixou seus hobbies de lado. Ela conta que sempre gostou de ler, pintar e jogar xadrez e que isso ajudou um pouco a manter sua cabeça no lugar e não surtar. “Eu avalio que minha saúde mental melhorou muito desde a volta ao ‘normal’, quando pude socializar novamente. Foi quando senti toda essa discrepância de sentimentos no dia a dia”, afirma. 

Os sentimentos de solidão, ansiedade e transtornos alimentares são algumas das dificuldades que a estudante apontou estar presente nos dois anos de pandemia. “Continuo sofrendo com os reflexos, eu fiquei bem doente ano passado, perdi 9 kilos em menos de 2 meses”. Esses dois anos não foram fáceis, com 9k a menos, as aulas voltaram e a estudante pegou novamente as rédeas de sua vida e saiu do piloto automático. “Parece que sou um cachorro que ficou preso em um canil e quando é solto sai adoidado”, conclui. 

Parar, respirar e aguentar

Viver em tempos de pandemia era algo inimaginável até então, como conta a professora de educação física Carla Hass, de 46 anos. Com a voz baixa, a professora com 21 anos de profissão diz que cada pessoa vivenciou e foi impactada pela pandemia de uma forma diferente, mas que para ela foi uma chance de se redescobrir e evoluir mentalmente. Os primeiros momentos foram conturbados e semelhantes a um filme de terror dos anos 70, mas após o choque inicial, Carla conseguiu manter a saúde mental e considera que esteve em paz consigo mesma ao longo da pandemia.

“O difícil foi se adaptar a cada mudança que vinha”, disse a professora em relação à situação profissional. Mesmo tendo facilidade para lidar com a tecnologia, Carla afirma ter sofrido bastante durante o ensino remoto, principalmente pelo aumento da demanda de trabalho. Segundo ela, havia uma falsa percepção na sociedade de que os professores não estavam trabalhando, sendo que na realidade eles estavam sobrecarregados.

Como grande parte dos professores criam laços afetivos com seus alunos, ficar afastado desta relação social por dois anos não foi algo fácil para a manutenção da saúde mental. Com a expectativa de que o isolamento social fosse durar apenas alguns dias, esse rompimento não foi tão marcante, mas com o passar dos meses a saudade foi sentida. “O contato humano com os alunos fez falta. Senti saudades de ver meus alunos se formando, ver aquela consideração que eles têm sobre nós professores durante a formatura”.

Não é só de aula que vive um professor. O que ajudou Carla Hass a aguentar esse período conturbado foi não precisar se afastar totalmente de sua família e também, é claro, o hábito de fazer caminhadas matinais pelas ruas de Ponta Grossa, respirando fundo e limpando sua mente. “Mesmo me cuidando, o estresse de sobrecarga de trabalho chegava e eu precisava botar o pé no freio, ficar calma, respira e pensar que vai dar tudo certo”, foi assim que Carla, mãe solo de um filho de 16 anos, chegou até a reta final dessa corrida apocalíptica. 

Imagens do evento:

 

 

 

ONGs e poder público na defesa dos animais

Nenhum animal deve ser maltratado e abandonado, pois eles têm direito à vida. O direito dos animais foi proclamado pela Unesco, em 1978, na Declaração Universal dos Direitos Animais. No Brasil, o artigo 225 da Constituição Federal de 1988 condena a crueldade contra animais. A Lei de Crimes Ambientais, de 1998, passou a criminalizar abusos, maus-tratos, ferimentos e mutilações contra os animais. No entanto, o abandono e a violência, especialmente contra os animais domésticos, estão presentes em todos os lugares e impactam a vida das pessoas.

Em Ponta Grossa, a estrutura de atendimento é limitada para atender a demanda por animais que sofrem com doenças e maus tratos. A seguir, apresentamos os espaços e iniciativas de atendimento na cidade, em que se destaca o trabalho voluntário realizado pelas ONGs. Conheça e colabore com a causa animal!

Grupo Fauna

O Grupo Fauna é uma entidade/movimento de defesa dos direitos animais e ambientais, sem fins lucrativos, atuante desde 1999 em Ponta Grossa.

Endereço: Rua Doutor Colares, 320, Centro

Telefone: (42) 3224-5842

Redes sociais: Instagram: @grupofaunapg

Facebook: Grupo Fauna PG

Site: grupo fauna.blogspot.com

Associação Protetora dos Animais de Ponta Grossa (APAPG)

A entidade tem como propósito a diminuição populacional dos animais de rua por meio de castrações e resgates. Atua no incentivo à adoção de animais resgatados e busca cobrar legisladores para criação e manutenção de leis específicas para proteção animal.

Endereço: Praça Barão do Guaraúna, 179, Centro

Telefone: (42) 99964-2406

Redes sociais: Instagram: @apapg.ong

Facebook: APAPG

Site: apapg.org

E-mail: apapg2015@hotmail.com

SOS Bichos

SOS Bichos é uma associação não-governamental e sem fins lucrativos da cidade de Ponta Grossa/PR. A principal missão é divulgar e viabilizar a castração a cães e gatos, sobretudo os que vivem na rua, para diminuir a população abandonada. Também busca defender, preservar e conservar o meio ambiente e promover o desenvolvimento sustentável.

Endereço: Rua Antonina Wroblewski Dos Santos, 274, Olarias

Telefone: (42) 98807-1101

Redes sociais: Instagram: sosbichospg

Facebook: SOS Bichos

Site: sosbichos.org.br

Youtube: SOS Bichos

Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR)

O CRAR é um abrigo transitório para animais de rua (sem tutor) que foram coletados pela equipe da Patrulha Animal, em situações de urgência e emergência, como atropelamentos ou zoonoses.

Endereço: Jardim Carvalho (atrás da UTFPR)

Telefone: (42) 3220-4072

Redes sociais: Instagram: @crar.pg

Facebook: CRAR- centro de referência para animais em risco – Ponta Grossa

Cáritas promove evento para discutir direitos dos migrantes

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Palestra esclareceu questionamentos de migrantes e reforçou a necessidade de políticas públicas

Entre os dias 19 e 26 de junho, a Cáritas Diocesana de Ponta Grossa organizou a 37ª Semana do Migrante com o tema “Migração e Saberes: escuta com sabedoria e ensina com a prática”. O evento contou com rodas de conversa, programação cultural voltada aos migrantes e atividades de formação. Durante a palestra com a assistente de Proteção Legal da Cáritas Brasileira Regional do Paraná, Isabella Traub, ocorrida no sábado, 26, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), os migrantes foram informados sobre os conceitos elementares dos seus direitos e garantias no Brasil e tiraram dúvidas sobre diversos assuntos.

O principal foco da rede internacional Cáritas no Paraná é trabalhar com acolhimento e integração em torno da temática de migração e refúgio. Isabella Traub explica que, para trabalhar com esses fatores e cumprir com o objetivo de integrar migrantes e refugiados, é necessário entender quem são eles. Segundo ela, a figura do  migrante está ligada a aquele que se desloca dentro do seu próprio país ou em âmbito internacional para buscar melhores condições de vida. O refugiado é aquele que cruza a fronteira internacional e deixa seu país de origem por medo de perseguição ou generalizada violação dos direitos humanos.

Isabella Traub alega que durante o processo migratório existem diversos desafios. “Durante a saída do país de origem, devido à situação de vulnerabilidade em que se encontra, há dificuldade dos migrantes de se preparar para garantir um local seguro para morar”, explica.

Após apresentados os direitos dos migrantes e refugiados, os presentes relataram situações de desorganização durante os atendimentos de garantia de direitos destinados a eles, mostrando uma falha nas políticas públicas. Um dos casos mencionados se refere à entrega dos diplomas do ensino fundamental ou médio, cursados no país de origem, que não foi entregue pelo órgão responsável. “Precisamos de políticas públicas efetivas e que realmente façam a mudança na sociedade. É necessário pensar na construção das políticas com os migrantes, não apenas para migrantes, em uma construção conjunta”, destaca Isabella Traub.

A palestra encerrou com uma confraternização com o público, que motivou a interação entre os migrantes residentes em Ponta Grossa. A Cáritas relembra a necessidade de uma participação maior dos ponta-grossenses durante a Semana do Migrante, para que as informações passadas não fiquem limitadas a um público específico.

 Confira algumas imagens do evento:

Em média, uma mulher sofre crime de feminicídio a cada 7 horas no Brasil

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“Eu vejo que quando nós passamos por isso [violência], estamos sozinhas”, “A palavra da mulher ‘vale menos’ do que a do homem”, “Ninguém fala que precisamos de apoio” e “Eu escutei que gostava de apanhar”. Essas são algumas afirmações feitas por uma mulher vítima de violência doméstica e tentativa de feminicídio. As frases retratam como as mulheres violentadas recebem retaliações das pessoas próximas quando decidem denunciar os crimes sofridos pelos seus parceiros. No Brasil, em média, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 7 horas.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, ocorreram 1.319 casos de feminicídios no país no ano passado, dados que representam uma taxa de mortalidade pelo crime de 1,22 mortes a cada 100 mil mulheres. Apenas no Paraná foram registrados 89 casos de feminicídios, porém muitas das violências sofridas não são denunciadas.

Acompanhe a entrevista com a ginecologista e médica-legista especializada em violência contra mulher, Maria Letícia Fagundes, sobre os atendimentos para mulheres vítimas de violência doméstica e políticas públicas relacionadas ao tema.

Elos: Como as políticas públicas auxiliam no combate à violência?

Maria Letícia Fagundes: Eu vejo que todas as políticas públicas funcionam. Só que isso deve ser provocado para ser usado, se a vítima não buscar ninguém poderá ir na casa dela ajudá-la, o que é triste.

Elos: Como a lei que criminaliza o feminicídio ajuda essas mulheres?

Maria Letícia Fagundes: A lei é extremada, quando ela não tem mais chance de existir em um lugar de não violência. Acho que a lei deve ser reavaliada em quesito de penalização pois nesse quesito é muito falho, já vi relatos de tentativa que o violentador pegou 18 meses de penalização. E dessa forma o violentador continuará cometendo esses crimes.

Elos: Como funciona o ciclo da violência?

Maria Letícia Fagundes: Falamos em ciclo da agressão, mas vemos que o feminicídio não é simples agressão e sim o máximo da agressão. Quando uma mulher morre ela não poderá nunca mais denunciar. Esse ciclo começa com outras violências, a patrimonial, moral e sexual e as mulheres acabam aceitando esses comportamentos dos parceiros até o dia que vira uma tentativa de feminicídio. Muitas dessas mulheres mal sabem que estão sofrendo essas violências até que é tarde demais, e esse é o ciclo da agressão.

Elos: Em relação ao atendimento das vítimas de violência, como é feito o atendimento?

Maria Letícia Fagundes: Depende do crime que a mulher sofreu. Se for um uma violência psicológica, ela não passa pelo médico legista; ela vai direto para o pessoal da psicologia. Quando é violência psicológica, moral e patrimonial eu não tenho contato, apenas quando é violência física, tentativa de feminicídio e violência sexual. A abordagem deve ser a mais respeitosa possível para que a vítima sinta-se revitimizada. Todos os cuidados são necessários quando falamos de violência.

Elos: Qual a relação entre o aumento de casos de violências com as políticas públicas?

Maria Letícia Fagundes: O crescimento das violências atrapalham nas próprias políticas públicas que não recebem investimento e que estão à míngua, pois antes as mulheres iam direto para a perícia e agora precisam agendar a perícia e ficar esperando, o que causa mais desconforto à vítima. Não temos muitas pessoas para nos atender, não temos investimento e isso é muito grave. Dizemos para a vítima: “Denuncie!”. Porém, com a demora para receber a medida protetiva ela poderá sofrer ainda mais do violentador. Mesmo com a medida protetiva, a Patrulha Maria da Penha, responsável pela vistoria e proteção dessas mulheres, visitam-as uma vez por mês. Mas sem investimento e com o aumento da violência contra as mulheres, essa visita mensal pode passar a não existir.

Elos: Como é possível humanizar o atendimento?

Maria Letícia Fagundes: Não é só possível, ele deve ser humanizado. E isso começa na capacitação de quem trabalha com os atendimentos de violência e rever seus valores pessoais, não pode julgar o que a vítima passou pelas suas concepções do que é certo ou errado. Só com essas simples atitudes o atendimento já será humanizado.

Elos: Como mulher, o que você sente ao atender uma mulher que sofreu violência?

Maria Letícia Fagundes: É muito difícil atender uma pessoa que acabou de passar por violência. Muitas vezes elas vêm sujas de sangue e isso me humanizou mais como médica. Eu abri mão de alguns privilégios quando decidi assumir os atendimentos de violências domésticas e não me arrependo disso.

Elos no Rádio: Entrevista com Professora Graziela Bianchi sobre o projeto Elos

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A professora Graziela Bianchi, uma das coordenadoras do projeto Jornalismo, Direitos Humanos e Formação Cidadã, cedeu uma entrevista a Rádio Comunitária Sant’Ana sobre as ações e a representação do projeto para a sociedade.

Ouça o programa:

 

 

Entrevista: Dia do Orgulho LGBTQIA+ e racialidade com Nick Nagari

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Nick Nagari (25 anos) escreve, cria conteúdos e palestra sobre bissexualidade e transgeneridade de uma perspectiva negra, gorda e não-binária. Criador do “Quem bindera”, um projeto que amplia a qualidade de vida de pessoas transgênero. Cria conteúdo há sete anos e há dois virou seu foco de trabalho principal (@nicknagari).

Qual a importância de aliar a pauta racial à discussão da comunidade LGBTQIA+?

Quando a gente pensa em sociedade, a gente entende que a raça não tem como se desvencilhar de nada, nosso processo histórico, em qualquer categoria, foi muito relacionado a raça. Então, quando a gente fala de pessoas LBTQIA+ a gente tem que pensar que cada pessoa está vivendo algo. Mesmo que a gente tenha coisas em comum, a gente também vive coisas em paralelo que muitas vezes se interseccionam com essas opressões. Então, se falamos de mulheres bissexuais brancas, isso vão ter certos efeitos que elas vão experienciar mais, se falamos de mulheres bissexuais negras, vão ter outros efeitos diferentes desses que elas vão experienciar mais porque a bifobia vai estar aliada ao racismo, assim como o que vai acontecer com as outras letras da sigla. Quando a gente fala das opressões, do que a gente sofre e da nossa própria vivência, isso vai se mostrar diferente, a gente vai ter outras construções de sexualidade, porque tem ali a construção racial no meio. É muito importante que a gente fale, tanto quando a gente fala de vivência, quanto quando a gente fala de opressão, essas duas pautas estão muito relacionadas. Então é importante a gente enquanto pessoas LGBTs negras tenham visibilidade tanto na comunidade LGBTQUIA+ quanto da comunidade negra também. 

Como essas pautas raciais são apresentadas durante o mês do orgulho LGBTQIA+?

Não são. Em geral, elas são muito apagadas. Eu não necessariamente preciso tocar no ponto sobre em que momento o racismo se mostra e o que me afeta enquanto pessoa negra, só a minha perspectiva toda de uma pessoa negra, tudo que eu falo em relação a nossa comunidade parte de um princípio de uma pessoa negra. O que eu vejo muito são pautas que eu não me identifico, está longe de ser minha maior prioridade. Enquanto tem pessoas LGBTQIA+ brancas e de classe média, muitas vezes com certos acessos que é prioridade delas. É só a gente ver que a pauta que é mais difundida dentro do nosso movimento é casar, todo mundo quer amar, todo mundo quer casar. Se você pensa em pessoas LGBTQUIA+ negras, principalmente travestis negras, a gente está tentando existir, sabe? A gente está tentando ter um trabalho digno, poder sobreviver com qualidade de vida. Acho que no fundo é muito sobre prioridade: Quais são as pautas que levam o nome do movimento e quais são mais urgentes?

Como é para você, sendo uma pessoa negra, ser uma das principais figuras no que diz respeito à comunidade LGBTQUIA+ atual?  

Eu acho que é um grande desafio, porque eu sinto que dentro do movimento negro essas pautas muitas vezes são abafadas. Existe toda uma coisa de “a raça vem primeiro”, estou cansado de ouvir esse tipo de jargão que eu não concordo, acredito que a gente tem que pensar em todas as pautas de forma interseccional, porque todas elas se cruzam. Eu não sou negro e depois sou uma pessoa trans, essas duas coisas estão relacionadas. Então, é um assunto que eu sinto que a gente precisa conquistar esse espaço, porque ele não é dado nem dentro das comunidades que deveriam acolher a gente. Enquanto pessoa negra, eu sou uma pessoa trans e bissexual e enquanto uma pessoa bissexual eu sou uma pessoa negra, me coloco nesse lugar de fazer essas duas comunidades darem um destaque para a gente na marra, porque não é uma coisa que é dada geralmente. No dia 20 de novembro eu até postei um vídeo falando disso, sobre essa questão de prioridades que eu enxergava na minha militância e no meu movimento que eu não via em outros movimentos, então naquele momento, dia da consciência negra, nenhuma das páginas, nenhum dos ativistas que não são LGBTs mencionam a gente. Fica naquilo de falar sobre a vivência do homem negro como se todos os homens negros fossem cis-heteros, não se fala da vivência da bicha negra, não se fala da vivência da sapatão negra ou do bissexual negro, eles sempre partem desse princípio de que todos nós somos heteronormativos. Assim como o movimento LGBTQUIA+ faz a mesma coisa, parte da vivência do homem trans sempre branco. Tem várias questões aí que são colocadas fora disso, principalmente no movimento trans, carece muito disso, parece que tudo se resume à passibilidade, sendo que quando a gente fala sobre pessoas trans negras, a nossa leitura mudar, é algo que muda toda a opressão do racismo. Se eu hoje fosse lido como uma mulher negra eu sofreria algumas coisas, mas se eu passar a ser lido como um homem negro eu sofreria outras coisas e não não necessariamente eu vou sofrer menos que homens trans brancos. Na verdade, muitas vezes, esse é o sonho “ah, se eu passar a ser lido como homem cis branco, acabaram os problemas”, o que na verdade eu nem acredito que seja verdade, mas muita gente lida desse jeito. Aí se fala muito dessa tal passabilidade de homem sem pensar que para uma galera, como eu, isso não resolve nenhum problema, isso no máximo fecha um e abre outros. Então, quando a gente racializa nossas análises, começamos a ter noções que não tínhamos se fingirmos que isso não afeta.

O que você acredita que os meios de comunicação, principalmente o jornalismo, podem fazer pelo mês do Orgulho LGBTQIA+?

Eu acho que usar esse espaço para ecoar as vozes que têm pouco espaço. Vamos dar uma olhada historicamente, de dez anos para cá, quais são as pautas que sempre aparecem? Todo ano se fala de casamento, todo ano é #LoveIsLove, por que a gente não pode avançar nesse debate? Eu sinto que às vezes a mídia acabando falando sempre para quem está chegando, então ela vai falar “você querido homofóbico, não seja homofóbico, as pessoas só querem amar”, mas a gente pode encarar o papel da mídia como um pouco mais desafiador que isso, podendo questionar um pouco mais, tocando na ferida mais funda, ou então fazer matérias para as próprias pessoas do meio LGBT, como, por exemplo, o que uma pessoa que está se descobrindo, ou em outra fase, cansada, gostaria de ouvir.

Tem mais alguma coisa que você ache importante trazer para o debate estabelecido?

Eu acho importante trazer a questão da bissexualidade também, já que é focada na vivência das pessoas bissexuais brancas. Então, eu sinto que é um pouco superficial, por exemplo, a sexualização da pessoa bissexual, que também é importante, mas não atinge o cerne da questão, de como que a estrutura da nossa sociedade ajuda com o apagamento bissexual. Coisas que vão um pouco mais além de como a sociedade me vê, já que isso é muito pessoal e de um ponto de vista de uma pessoa mais padrão, há outras óticas e vivências que também precisam ser faladas, no fundo é necessário pluralizar as narrativas. E tem a questão da socialização, quando a gente cresce com características demarcadas como LGBTs, muitas vezes a gente já sofre desde a infância com isso, mesmo que a gente não saiba direito o que está acontecendo, já estamos sendo oprimidos com base nisso. Quando se fala de socialização LGBT ligada à socialização das pessoas negras, se percebe que a raça é uma questão importantíssima, já que mulheres brancas e negras são tratadas de forma diferentes. Eu fui socializado como uma mulher negra, mas hoje lido como não-binário negro tenho outras formas de socialização, assim como uma mulher trans branca vai ter a fragilidade concedida a ela, coisa que não acontece com uma mulher trans negra. 

Partindo de outra ótica, como você encara as publicidades do Mês do Orgulho que geralmente trazem apenas LGBTs brancos?

Isso chega a ser até engraçado, porque fica muito na cara. Mas acredito que seja por uma questão de ser um rosto que as pessoas heteronormativas querem ver. Já está se falando de uma pauta marginalizada, então vão tentar colocar uma pessoa mais “higienizada” possível para que a família tradicional veja e pense “ah, isso aí até passa”. Estendo isso a marcas que querem criar publicade na internet, eles vão querer colocar rostos que as pessoas querem ver, e isso é até um dos meus desafios enquanto criador de conteúdo negro, porque eu falo sobre um assunto que as pessoas não querem ouvir e sou um rosto que as pessoas não querem ver. Cabe também às pessoas que realizam esse tipo de campanha se isso realmente vai ser uma ajuda, se realmente vai ser revolucionário, porque de certa forma vai ser só pessoas brancas padrões aceitando outras pessoas brancas padrão, se muda muito disso já é muito afeminado, muito negro, entre outros problemas que vão querer achar.

De um confronto entre policiais e frequentadores de Stonewall Inn. em Nova York, em 28 de junho de 1969, surgiu a data  que se comemora o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. O bar sofria invasões recorrentes de policiais por ser um “local de promiscuidade”, mas naquele dia as pessoas lá presentes se mobilizaram contra a violência sofrida. O ato é lembrado como Revolução de Stonewall e marca o início da Parada do Orgulho de Nova York, a mais antiga do mundo. As comemorações e reivindicações LGBTs se estendem a todo o mês de junho, sendo este o Mês do Orgulho.

 

Mais de 200 idosos foram vítimas de violência nos primeiros meses de 2022 em PG

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Os dois Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Ponta Grossa, registraram, juntos, 203 atendimentos de violência contra idosos e idosas no período de janeiro a maio de 2022. Os dados revelam 182 casos de abandono na cidade, seja em residência ou em casas hospitalares. Ainda segundo os dados oficiais, em 21 dos registros houve violência física, psicológica ou sexual.

A coordenadora dos CREAS I e II e assistente social, Lisiane Marques, alerta que o número de casos pode ser ainda maior. “O mais difícil para nós, dos Centros, é ter acesso a casos da população com maior índice de renda”, explica a assistente social. Segundo ela, quando a família tem uma renda mais baixa, o contato e a denúncia ocorre mais facilmente, já quando a renda é maior, os casos ficam mais velados. “Só chega a nos casos em que existe uma disputa de herança, ou algo assim”, explica Lisiane.

Em Ponta Grossa, as mulheres são as que mais sofrem com as violências, já que mais da metade dos casos registrados pelos CREAS, nos período citado, são do público idoso feminino. Somente no mês de abril, foram 33 casos de abandono de mulheres idosas na cidade. Os números contabilizados integram o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos da cidade.

A coordenadora dos CREAS ainda lembra que a denúncia é um passo importante para se combater a violência contra idosas e idosos. Atualmente, Ponta Grossa conta com três meios de denunciar casos de violência, são eles: o telefone da Prefeitura 156, o Disque 100 e o Disque 81, ambos do Governo do Estado do Paraná.

 

Onda de frio evidencia problemas sociais e dificuldades sofridas pelos moradores da ocupação Ericson Duarte

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A ocupação Ericson Duarte no bairro de andorinhas em Ponta Grossa, sofre com o frio e a falta de assistência. Com pouca infraestrutura e falta de auxílio, as famílias que moram no local não têm acesso a energia elétrica e nem saneamento básico, tornando o inverno além difícil, perigoso.  

Moradora do acampamento Camila Regiane Antunes, explica que a maior parte dos habitantes da ocupação não têm acesso a chuveiro e água quente. Isso, segundo ela, afeta principalmente os pais que precisam enfrentar diariamente a difícil decisão entre deixar os filhos sujos para evitar que fiquem doentes ou priorizar a higiene de suas crianças e correr o risco de dar banho em suas crianças na água gelada.

Camila enfatiza que além disso, nada é maior para eles que o medo de deixar os filhos órfãos, caso os pais fiquem doentes e não tenham a possibilidade de tratar corretamente. ““O frio afeta muito a minha imunidade já que tenho muitos problemas de saúde. Mas acima disso, tenho filhos para cuidar e meu foco será sempre eles. Recentemente fiquei doente com meu esposo, consultamos mas o médico tratou como se não fosse nada. Estávamos bem doentes, então passamos dias pensando que iríamos morrer “, diz ela.

Camila esclarece que apesar da grande necessidade de receberem doações, ela percebe que a pouca iniciativa de instituições e ONG ‘s. Ela considera que há muito preconceito com aqueles que moram no acampamento. Camila alega que os moradores recebem ajuda de seus vizinhos, mesmo que todos tenham pouco para compartilhar. “Sempre é o pobre que realmente ajuda o pobre. O pouco que temos usamos para dividir com o próximo, justamente por entendermos o que nossos vizinhos passam.”

Outra moradora da ocupação, Letícia, tem uma filha de dois anos, e relata que devido à onda de frio a criança adoeceu e está buscando atendimento no posto de saúde.“Ah foi difícil, a nenê tá gripada faz tempo. Tô buscando remédio no postinho, mas é muita burocracia”.

A reclamação em comum entre os moradores é a falta de assistência da prefeitura e a falta de doações, o relato de preconceito e descriminação é frequente. Atualmente, a ocupação Ericson Duarte necessita de doações de roupas, alimentos e cobertores. O projeto Elos realizou uma campanha de arrecadação de agasalhos no período de 27 de maio a 2 de junho e reforça a importância de se continuar doando e contribuindo para o enfrentamento do frio, da fome e da falta de assistência governamental.

 

 

8 em cada 10 mulheres de PG não conhece a Casa da Mulher

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Desde o final de março de 2022, a Casa da Mulher atende vítimas de violência domésticas em Ponta Grossa. Porém, o espaço administrado pela prefeitura, através da Secretaria Municipal da Família e do Desenvolvimento Social (SMEDS), da Fundação de Assistência Social (FASPG) e da Secretaria Municipal de Cidadania e Segurança Pública (SMCSP) ainda não é conhecido por muitos ponta-grossenses e, principalmente, pelo público feminino. Em uma enquete realizada pela reportagem do Projeto Elos, entre os dias 18 e 19 de abril, constatou-se que a cada dez mulheres, somente duas sabem da existência da Casa da Mulher. Entretanto, ninguém soube responder com exatidão quais são os serviços realizados pela equipe do local. 

Atualmente, a equipe da Casa da Mulher conta com advogadas, assistentes sociais, guardas civis municipais e atendimento psicológico. Vale destacar que a maioria da equipe é composta por mulheres. Logo no primeiro mês de assistência, foram atendidas 35 mulheres. A advogada Camila Sanches é responsável pela coordenação do local, ela explica que os serviços prestados pela Casa da Mulher variam desde assistência social até acolhimento psicológico, através do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). “Aqui fornecemos toda uma rede de proteção à mulher que é vítima de violência doméstica, para que ela se sinta acolhida”, enfatiza.

O objetivo da Casa é, justamente, centralizar o atendimento à mulher e fornecer diversos serviços em apenas um endereço. Além dos serviços já citados, a Casa da Mulher conta com a parceria do projeto Elas por Elas, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PG) e da Patrulha Maria da Penha. Liliane de Oliveira Chociai que atua como assistente social da Casa reforça que o local conta com seis guardas civis municipais, que atuam pela Patrulha Maria da Penha. “Nos horários em que, tanto a Casa como a Patrulha não estão em funcionamento, a Guarda Civil Municipal atende as vítimas, indo até as residências para que nenhuma mulher fique desprotegida.”, destaca.

Os guardas e policiais encaminhados para o atendimento das vítimas recebem um treinamento específico para o acolhimento momentâneo das mulheres. A capacitação é  anual e possui certificado de 80 horas e também dispõe de porte de arma de fogo. “Com isso, os profissionais da segurança se tornam aptos para prevenir uma situação de risco, porém oferecem um atendimento humanizado, que tenha uma escuta”, aponta Liliane.

Em casos de ameaça de morte, por parte do agressor, a vítima que chega na Casa da Mulher pode ser encaminhada para a Casa Colina Portugal, que fornece o acolhimento institucional temporário à mulher vítima de violência e seus familiares. Outra alternativa são os centros de acolhimentos oferecidos por famílias voluntárias. Segundo as funcionárias da Casa da Mulher, a violência mais identificada é a psicológica, por passar despercebida pelas vítimas. Em seguida, é a dependência química dos parceiros, que leva a agressão.

A representante do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) presente na Casa da Mulher, Reni Aparecida Eidam, também destaca a necessidade da assistência social e psicológica prestadas no local, uma vez que as demais unidades da cidade têm outras demandas a serem atendidas. A Casa da Mulher é localizada na rua Cel. Theodoro Rosas,

número 1651. O local abre de segunda a sexta-feira, das 9 horas às 17 horas da. Em caso de denúncia contra a violência doméstica disque 180, ou acione a Patrulha Maria da Penha através do 153.