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Entrevista: Dia da Visibilidade Bissexual com Danieli Klidzio

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Entrevista com Danieli Klidzio, licenciada e mestranda em Ciências Sociais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e administradora (juntamente com a pesquisadora Helena Monaco) do perfil @bi_blioteca no Instagram.

Nos últimos anos você tem percebido distorção do verdadeiro significado da bissexualidade? Afinal, qual é a definição mais adequada para ela?

É difícil falarmos em um “verdadeiro significado” de uma sexualidade ou identidade, assim como talvez não seja ideal que busquemos “a origem” de tudo, mas sim, é importante pensarmos nas construções sociais, culturais e políticas de uma identidade. Nesse sentido, destaco que compreendo a bissexualidade como possibilidade de atração sexual e/ou afetiva sem distinção de gênero ou por todos os gêneros. Portanto, é importante dizer que não se trata apenas da atração por homens e mulheres, pois essa seria uma definição binária e distorcida que nunca foi a colocada pelo movimento social bissexual (nem no Brasil nem no mundo).

Quais os principais estereótipos que as pessoas têm a respeito dos bissexuais? Como isso interfere na visibilidade da sexualidade?

É comum que pessoas bissexuais sejam percebidas e tratadas a partir de um olhar de desconfiança, como se fossem indecisas ou impuras e traidoras, porque, justamente, não estão dentro do parâmetro de desejo e comportamento que foi construído como ideal. Em função disso, bissexuais também sofrem constantemente uma imposição externa para que “se decidam” porque a bissexualidade é vista como apenas uma fase de experimentação ou de necessidade de amadurecimento da sexualidade. Isso se dá porque a percepção sobre a sexualidade que temos compreende a sexualidade de forma binária, como se quem não se identifica como heterossexual só possa ser, então, gay ou lésbica. A bissexualidade não é tomada como pressuposto, e com os estereótipos sobre ela, o que se tem é um reforço de um “não-lugar” para a bissexualidade.

Existe um apagamento ativo sobre a bissexualidade. Também é importante lembrar que o problema não são os estereótipos em si, mas a forma como eles servem para retroalimentar apagamentos e violências sobre as subjetividades de pessoas bissexuais. A bissexualidade não diz respeito e não pode ser definida em função da roupa e aparência que a pessoa tem, muito menos em função de com quem a pessoa se relaciona afetiva e/ou sexualmente.

A partir de que ponto a bifobia começa? Ela é naturalizada/apagada na sociedade?

A bifobia pode começar de muitas formas e pode ser difícil de ser identificada e mais ainda de ser denunciada, justamente por conta do apagamento. Então, acho que poderíamos dizer que a bifobia começa (e também termina) com atitudes de apagamento e invisibilização, seja sobre as lutas históricas de bissexuais junto ao movimento LGBTQIAP+ e das pautas políticas da bissexualidade, ou também sobre as pessoas cotidiana e intimamente nas relações sociais/sexuais quando a bissexualidade é desconsiderada/apagada/violentada. Com isso, digo que além do apagamento ser o ponto onde a bifobia começa, é também onde ela termina. Isso se dá porque existe um círculo vicioso: com o apagamento da bissexualidade é reforçada a percepção de que não existem bissexuais na sociedade, de que bissexuais não são parte da comunidade LGBTQIAP+, de que não existem movimentos sociais bissexuais e, consequentemente, a bifobia é naturalizada ou não é percebida como além de uma falácia porque mesmo existindo espaços de debate e acolhimento, eles não são encontrados por bissexuais. Há uma tendência ao isolamento das pautas e das pessoas bissexuais.

Você pode citar exemplos das situações mais comuns que afetam a saúde mental de bissexuais? As pessoas têm dado atenção para o assunto?

Existe uma grande variável para pensarmos o que pode afetar a saúde mental de bissexuais, mas um dos principais fatores acredito que seja o isolamento e a falta de amparo e compreensão acerca do mais primordial que é a existência da bissexualidade. Duvida-se da existência da bissexualidade. É extremamente adoecedor que pessoas bissexuais sejam questionadas constantemente e tenham sua sexualidade policiada por conta de estereótipos e de violências e micro violências que vêm, inclusive, de dentro de ambientes considerados de acolhimento para pessoas LGBTQIAP+. Dói muito mais quando você não é reconhecida e precisar impor-se para dizer “eu existo, sim!” em ambientes que se colocam como acolhedores de diversidades.

“Dói muito mais quando você não é reconhecida e precisar impor-se para dizer “eu existo, sim!” em ambientes que se colocam como acolhedores de diversidades.”

A grande questão é que precisamos tratar mais sobre outras orientações sexuais dentro da comunidade LGBTQIAP+, porque somente a homossexualidade é vista. Por exemplo: pouco se pensa que bissexuais também são LGBTs, independentemente de com quem estão se relacionando. Pessoas trans e travestis também encontram pouco reconhecimento em meio à comunidade LGBTQIAP+ em relação às suas sexualidades, afinal, pessoas trans e travestis também podem existir enquanto bissexuais, por exemplo.

Além disso, a preocupação com o adoecimento psicossocial e o reconhecimento de pessoas bissexuais não pode ser resumida a quando bissexuais estão em relacionamentos com alguém do mesmo gênero. Bissexuais não existem como uma parte hétero e uma parte homossexual. A bissexualidade é em si uma identidade específica com demandas específicas e por isso a bifobia precisa ser primeiramente reconhecida, pra que tenhamos políticas públicas que se preocupem com as demandas de bissexuais.

“Bissexuais não existem como uma parte hétero e uma parte homossexual. A bissexualidade é em si uma identidade específica com demandas específicas e por isso a bifobia precisa ser primeiramente reconhecida”

Quais atitudes podem combater a bifobia?

Para combater a bifobia, assim como quando se trata de outras formas de preconceito, é preciso buscar conhecer o que as pessoas bissexuais têm dito sobre suas demandas e enfrentamentos. Entender as condições que uma identidade social e as pessoas que com ela se identificam dizem e denunciam é fundamental. É na medida em que aprendemos a respeito e nos aproximamos das discussões, que temos condições de estranhar atitudes de discriminação/silenciamento que eventualmente podemos ter. Afinal, nenhuma pessoa é isenta de reproduzir preconceitos, mesmo em meio à comunidade LGBTQIAP+ e é fundamental entendermos isso para que possamos avançar coletivamente e produzir espaços de acolhimento e escuta de verdade, e não apenas de tolerância de determinados corpos e identidades. Buscar conhecer mais sobre o assunto é sempre a melhor saída, em fontes confiáveis: a partir de pessoas de movimentos sociais e pessoas bissexuais que fazem pesquisas acadêmicas, por exemplo, mas também entendendo que são debates em construção.

É possível que os bissexuais tenham mais voz e tenham mais apoio na questão da saúde mental em meio às opressões vividas e a sociedade em que nos encontramos? Como podemos lutar para melhorar nessas questões?

É totalmente possível que bissexuais tenham mais voz. Aliás, bissexuais há muito tempo estão “falando”, mas é necessário que suas vozes sejam ouvidas. Essa é a questão. Como a própria existência da bissexualidade é questionada parece que caímos em um círculo vicioso de demanda para que bissexuais sempre afirmem o básico. Há uma solidão com a falta de outras referências bissexuais, seja em suas localidades ou em personagens na mídia e na literatura. Por isso acredito que uma das formas de melhorarmos nessa questão é nós bissexuais buscarmos saber mais sobre nossa história, sobre o movimento bissexual brasileiro, sobre as pesquisas acadêmicas. É importante buscarmos referências bissexuais em nosso cotidiano, mas não para que possamos nos ver como iguais porque é difícil que exista isso na bissexualidade tão fluída e diversa em si, mas é preciso buscarmos apoio na coletividade e construirmos espaços sociais de acolhimento e escuta, pois é assim que nos fortalecemos. Aliás, foi por isso que eu e Helena Monaco criamos a Bi-blioteca – um perfil de divulgação científica sobre bissexualidade no Instagram, e dentro da Bi-blioteca também criamos o Clu-bi – um clube de leitura com encontros mensais para lermos e discutirmos sobre literatura brasileira com protagonismo bissexual. São caminhos essenciais para que possamos nos unir e nos fortalecer, mas visamos e consideramos extremamente importante apoiar e receber o apoio de outros grupos e de outras lutas coletivas, porque as pautas se interseccionam e para que ninguém fique sempre falando sozinho. As articulações bissexuais brasileiras têm forjado espaços e há muito conteúdo de qualidade sendo produzido sobre a bissexualidade. Para quem tem conta no Instagram recomendo os perfis: @bi__blioteca – https://www.instagram.com/bi__blioteca; @gaebi_pa – https://www.instagram.com/gaebi_pa; @entreinvisibilidades – https://www.instagram.com/entreinvisibilidades; @binamidia – https://www.instagram.com/binamidia; e o perfil da Frente Bissexual Brasileira – https://www.instagram.com/frentebissexualbr/ que está organizando o II Festival Bi+ nos dias 25 e 26 de Setembro, que será transmitido no canal do Youtube chamado “Frente Bissexual Brasileira”.

O dia da visibilidade de uma sexualidade apagada

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O dia 23 de setembro é marcado como o Dia da Visibilidade Bissexual. A data foi escolhida por um grupo de ativistas norte-americanos em 1999, com o intuito de celebrar a comunidade. O dia homenageia o aniversário da morte do psicanalista Sigmund Freud, o primeiro a tratar da questão da bissexualidade.

Ao tratarmos de sexualidade e identidade devemos considerar as construções sociais, culturais e políticas da mesma. Danieli Klidzio, licenciada e mestranda em Ciências Sociais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e administradora (juntamente com a pesquisadora Helena Monaco) do perfil @bi_blioteca no Instagram, afirma que compreende a bissexualidade como possibilidade de atração sexual e/ou afetiva sem distinção de gênero ou por todos eles. Daniela comenta a respeito da importância de entender que não se trata apenas da atração por homens e mulheres, pois essa seria uma definição binária e distorcida que nunca foi a colocada pelo movimento social bissexual.  “A bissexualidade é também uma identidade social na medida em que é reivindicada por sujeitos sociais como forma de se construir comunidades e políticas próprias. ”, diz ela.

A bifobia é um termo utilizado para atitudes ou sentimentos preconceituosos e discriminatórios contra a bissexualidade. A partir disso, Danieli salienta que a bifobia começa pela invisibilização e apagamento, seja sobre as lutas históricas de bissexuais junto ao movimento LGBTQIAP+ e das pautas políticas da bissexualidade ou sobre a subjetividade de pessoas bissexuais. “O apagamento além de ser o ponto onde a bifobia começa, é também onde ela termina. Isso se dá porque existe um ciclo vicioso: com o apagamento da bissexualidade, é reforçada a percepção de que não existem bissexuais e a bifobia acaba sendo naturalizada e percebida como nada além de uma falácia. ”, enfatiza. Ela acrescenta sobre a percepção comum de pessoas com um olhar de desconfiança com bissexuais, entendendo-os como indecisos. O fato conclui que o preconceito ocorre porque a bissexualidade não está dentro do parâmetro de desejo que foi construído como ideal, a atração apenas por um gênero específico/definido. Fazendo com que bissexuais sejam lidos socialmente como pessoas em fase de experimentação ou que necessitem de amadurecimento da sua sexualidade.

Para Danieli Klidzio, existe uma grande variável para pensarmos o que pode afetar a saúde mental de bissexuais. Mas, um dos fatores principais é o isolamento, a falta de amparo e a compreensão a respeito do mais primordial que é a existência da bissexualidade. Duvidando-se da existência dela. “É extremamente adoecedor que pessoas bissexuais sejam questionadas constantemente e tenham sua sexualidade policiada por conta de estereótipos, de violências e de micro violências que vêm, inclusive, de dentro de ambientes considerados de acolhimento para pessoas LGBTQIAP+ ”, expõe. Danieli demonstra o quanto a saúde mental de pessoas bissexuais pode ser afetada por questões relacionadas ao apagamento dentro da própria comunidade. “Dói muito mais quando você não é reconhecida e precisa impor-se para dizer “eu existo, sim! ” Em ambientes que se colocam como acolhedores e da comunidade. ”, acentua.

Segundo ela, a preocupação com o adoecimento psicossocial e o reconhecimento de pessoas bissexuais não pode ser resumido quando bissexuais estão em um relacionamento com alguém do mesmo gênero. Porque bissexuais não existem como uma parte heterossexual e uma parte homossexual. A bissexualidade é em si uma identidade específica com demandas específicas. Por isso a bifobia precisa ser primeiramente reconhecida, para que tenhamos políticas públicas que se preocupem com as demandas da bissexualidade.

#314 Boletim Covid-19 | Prefeitura de PG atrasa agendamento da segunda dose da vacina contra a Covid-19

Boletim Covid-19 – informação contra a pandemia – uma produção do curso de Jornalismo da UEPG.

Reportagem: Kathleen Schenberger
Edição: Maria Eduarda Eurich
Professores responsáveis: Paula Rocha e Marcelo Bronosky


Produção jornalística de extensão realizada à distância e inteiramente online, em respeito às normas de segurança e isolamento social.
Imprensa: A veiculação deste boletim é livre e gratuita, desde que mantida sua integridade e informados os créditos de produção.

26 anos: A origem do termo “ideologia de gênero” e o resgate das suas ramificações pelo país

Além da história da expressão, a reportagem realizou um mapeamento da temática na Câmara de Vereadores de Ponta Grossa

Desde 2015, Ponta Grossa registrou três projetos propostos e 27 menções ao termo “ideologia de gênero” via atas de sessão na Câmara dos Vereadores. O primeiro projeto apresentado em 2018 e arquivado, diz respeito à alteração na Lei Orgânica do município N° 04/2018. 

Neste ano de 2021, foram indicados dois Projetos de Lei relacionados à educação: o de número 117/2021, aprovado pela Câmara, vai contra a utilização da linguagem neutra nas escolas públicas e privadas da cidade, e o de número 120/2021 propõe o veto de orientações pedagógicas e conteúdos curriculares que disseminem orientação sexual, “ideologia de gênero” que possam intervir na personalidade dos estudantes.

Com relação às menções, cerca de 85% são de teor negativo e saem em defesa da família tradicional e cristã. E 14,8% das citações argumentam favoravelmente a igualdade racial, de gênero e de respeito à diversidade e orientação sexual.

Origem do termo

Apesar da expressão “Ideologia de gênero” ter ganho notoriedade nas campanhas eleitorais de 2018, a discussão tem origens antigas fora do Brasil. 

As primeiras citações sobre ideologia de gênero são datadas de 1995, em textos produzidos pela Igreja Católica criticando o uso da palavra pela Organização das Nações Unidas. De acordo com Marcio Ornat, Teólogo, Geógrafo, Doutor em Geografia, Docente DEGEO UEPG e Pesquisador do Grupo de Estudos Territoriais, o discurso tomou grandes proporções primeiramente na Europa a partir de 2003 com o livro Lexicon encomendado pelo Vaticano, que consiste em 90 definições sobre gênero, sexualidade e bioética, dentre elas:

Em 2007, a tradução do livro foi feita para outros idiomas, dentre eles o português. Logo após a publicação do material pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a expressão “ideologia de gênero” ganhou popularidade na agenda política do país. 

Segundo Marcio Ornat, apesar do termo atualmente ser utilizado pela bancada evangélica, o movimento é originário do catolicismo fundamentalista (possui interpretações literais da Bíblia). “Chamar de ideologia de gênero é uma afronta a tudo aquilo que foi produzido até hoje no campo dos estudos de gênero, porque ele deforma, ele deslegitima tudo aquilo que foi trabalhado até agora”, explica. 

Educação

Artigo 2°: superação das desigualdades educacionais: “Ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”. Este é o trecho recortado do Plano Nacional de Educação (PNE) sancionado pela ex-presidenta Dilma Rousseff em 25 de junho de 2014, utilizado para validar e legitimar os argumentos daqueles que estavam convencidos da existência da “ideologia de gênero”. A diretriz teve repercussões com campanhas na internet, manifestações em nível nacional e reuniões privadas com deputados e senadores para a retirada do artigo que propunha a igualdade.  

Ponta Grossa

As proporções da discussão se ramificaram nas Câmaras de Vereadores de todo o país. Em Ponta Grossa ocorreu a partir da votação do Plano Municipal de Educação (PME) durante junho e julho de 2015. As metas propostas continham as mesmas diretrizes do PNE. Marcio Ornat estava presente no dia das manifestações. “No dia da votação teve princípio de tumulto, lembro da grande pressão que as pessoas fizeram em frente a Câmara, com faixas dizendo “Não ideologia de gênero”, ”Família” e ”Não se meta com meus filhos”, recorda o teólogo. Após os protestos, as menções à diversidade foram retiradas do PME. 

A votação de 2015 foi o marco inicial à falácia da ideologia de gênero na Câmara de Vereadores, com três menções no mesmo ano. 

Os anos com maior índice de citações ao termo foram 2017, com oito, que podem ser associadas ao início da campanha eleitoral nacional com o destaque do conservadorismo no Brasil, um exemplo disso é o movimento Escola sem Partido; Em 2020 o número de declarações com a expressão “ideologia de gênero” foi o mesmo de 2017. 

Os posicionamentos, durante os seis anos mapeados pela reportagem, concretizaram ações a longo prazo no município. No dia 30 de agosto de 2021, a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, sancionou a lei automaticamente, ou seja, ela apenas assinou, que proíbe a linguagem neutra nas escolas, já citada anteriormente. De acordo com a mestranda em estudos de linguagem, Ro Freitas, a discussão da linguagem neutra não diz respeito apenas ao ensino da Língua Portuguesa.

“Sou uma pessoa não binária, transfeminina, e sei que o PL 117/2021 não é  apenas sobre educação de língua. Não existe língua sem corpo. Quero dizer que, na verdade, quando se propõe esse projeto é muito mais sobre quem e que saberes podem ou não podem estar e circular na escola, e que silenciamentos vão ser intensificados” expõe.

#313 Boletim Covid-19 | 2120 torcedores devem assistir presencialmente jogo do Operário

Boletim Covid-19 – informação contra a pandemia – uma produção do curso de Jornalismo da UEPG.

Reportagem: Vinicius Sampaio
Edição: Reinaldo Dos Santos
Professores responsáveis: Cíntia Xavier e Muriel Emídio Pessoa do Amaral


Produção jornalística de extensão realizada à distância e inteiramente online, em respeito às normas de segurança e isolamento social.
Imprensa: A veiculação deste boletim é livre e gratuita, desde que mantida sua integridade e informados os créditos de produção.

#312 Boletim Covid-19 | Prefeitura mantém adicional de insalubridade da saúde após manifestações

Boletim Covid-19 – informação contra a pandemia – uma produção do curso de Jornalismo da UEPG.

Reportagem: João Iansen.
Edição: Daniela Valenga
Professores responsáveis: Cíntia Xavier e Marcelo Bronosky.


Produção jornalística de extensão realizada à distância e inteiramente online, em respeito às normas de segurança e isolamento social.
Imprensa: A veiculação deste boletim é livre e gratuita, desde que mantida sua integridade e informados os créditos de produção.

#311 Boletim Covid-19 | PG reduz medidas preventivas ao coronavírus

Boletim Covid-19 – informação contra a pandemia – uma produção do curso de Jornalismo da UEPG.

Reportagem: Amanda Martins
Edição: Eder Carlos
Professores responsáveis: Karina Woitowicz e Rafael Kondlatsch


Produção jornalística de extensão realizada à distância e inteiramente online, em respeito às normas de segurança e isolamento social.
Imprensa: A veiculação deste boletim é livre e gratuita, desde que mantida sua integridade e informados os créditos de produção.

Democracia e Direitos Humanos | Evento 100 anos de Paulo Freire | Entrevista: Sergio Gadini (Mestrado em Jornalismo/UEPG)

“Ao realizar o painel [100 anos de Paulo Freire] na Universidade Estadual de Ponta Grossa, o convite é para que a gente conheça um pouco mais a obra deste pensador que faz parte de importantes iniciativas de inclusão educacional. Em tempos de descréditos de políticas públicas, em que infelizmente grupos e atores dos mais diversos setores atacam políticas de inclusão social no Brasil, é fundamental registrar, comemorar e conhecer um pouco mais da obra de Paulo Freire”

Confira a entrevista por Sergio Gadini, professor do programa de Mestrado em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e organizador do evento “Diálogos em Jornalismo, História e Literatura”, que neste ano celebra os 100 anos do patrono da Educação no Brasil, Paulo Freire. O evento integra o calendário do Programa do Mestrado em Jornalismo da UEPG, tradicionalmente com a parceria dos PPG/UEPG, como Ensino em História e de Educação. O evento acontecerá na quarta-feira, 22/set, às 19h, de forma remota pelas redes sociais da Agência de Jornalismo e do Mestrado em Jornalismo da UEPG.

A entrevista ao Democracia & Direitos Humanos foi ao ar nesta quinta-feira, 16/09, na Rádio Comunitária Princesa (FM 87,9 e internet) e você confere aqui e nas redes sociais do Curso de Jornalismo da UEPG.

Democracia & Direitos Humanos é um projeto de extensão ligado à Agência de Jornalismo, do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, em parceria com a Rádio Comunitária Princesa (FM 87,9 e internet).

Locução e edição: Estudante Tayná Landarin

Professora Responsável: Hebe Gonçalves

Coluna: O Bolsonarismo errático contra tudo isso que está aí, de Direitos Humanos ao próprio Governo

 

O bolsonarismo é um movimento antidemocrático, mas, principalmente, acéfalo, justamente porque seu líder não detém um projeto, a não ser o poder pelo poder, buscado sempre de modo errático. Se há três anos esta situação tem sido fatal para os Direitos Humanos e para a Democracia, pode também o ser para o próprio Governo. Senão, vejamos:

1) Bolsonaro, no último 07 de setembro, atentou contra a Democracia, incorrendo em crime de responsabilidade, ao dizer que não acatará sentença do Ministro Alexandre de Moraes (ou, na realidade, qualquer decisão judicial que o contradiga). Como nos discursos de qualquer liderança – ainda mais de âmbito nacional –, suas falas legitimam atos descentralizados, sobre os quais ele tem pouco ou nenhum controle.

2) Portanto, para ajudar o seu “mito” na queda de braço contra o sistema e tudo isso que está aí, os caminhoneiros deflagram uma greve. “É para trancar tudo”, determina o caminhoneiro Zé Trovão, exigindo que o impeachment do ministro do STF seja analisado.

3) Reflexos negativos para todos são esperados. Mais inflação, desabastecimento (quiçá, nacional) e paralisação de serviços. E, a depender da extensão desta greve, os reflexos podem ser tão ou mais graves do que os de 2018.

4) Diante disso, o que Bolsonaro faz? Grava um áudio para os caminhoneiros, pedindo a liberação das estradas, porque a ação “prejudica a economia, principalmente, os mais pobres”. Finaliza dizendo: “Deixa com a gente em Brasília aqui e agora […] A gente vai fazer a nossa parte aqui e vamos buscar uma solução para isso, tá ok?”

5) Mas o que os caminhoneiros entendem? Que Bolsonaro não poderia apoiar a greve publicamente, mas, em segredo, seria exatamente isso que ele quer. Afinal, em 04 de agosto, ele já afirmava: “Olha, eu jogo dentro das quatro linhas da Constituição, e jogo, se preciso for, com as armas do outro lado”. E ainda, em 07 de setembro, disse: “Não queremos ruptura, não queremos brigar com Poder algum, mas não podemos admitir que uma pessoa coloque em risco a nossa liberdade”. E esse “mas” legitima justamente a ruptura e a briga da frase anterior, que é o buscado pelos caminhoneiros. 

Em verdade, Bolsonaro é a concretização do duplipensar orwelliano, assim definido pelo autor, na obra 1984: ato de “defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas”. É como o indivíduo que diz “eu não sou racista, mas…”. Bolsonaro foi quem chamou esta greve, ainda que não o tenha feito de modo explícito. Tal como legitimou atos homofóbicos, feminicídios e demissões em massa, ainda que, novamente, não o tenha feito de modo (tão) contundente. Os reflexos de um discurso impensado são também impensáveis… até ocorrerem.

Assim, as consequências do bolsonarismo errático são tão ou mais preocupantes que o seu caráter autoritário. Por não ter uma agenda definida, ou mesmo um discurso uníssono, este movimento defende qualquer coisa que se encaixe na luta “contra tudo isso que está aí”. E por ninguém saber, afinal, o que significa “isso que está aí”, não fazemos ideia de qual ato tresloucado poderá ser cometido por um bolsonarista ou mesmo quem ou o quê será atingido – na verdade, nem Bolsonaro o sabe. A metralhadora giratória governista é a antítese da democracia, pois, além de não dialogar com o povo em termos plurais, não possui uma mínima previsibilidade – e isto o mercado não tolera, haja vista a queda considerável da Bolsa de Valores depois do fatídico 07 de setembro.

Com a paralisação dos caminhoneiros, a economia brasileira, que já está afundando, vai direto para o buraco. E se tem uma coisa que Bolsonaro sabe é que com a economia no vermelho, o seu (des)governo perde o pouco de sustentação que lhe resta. Estamos no limiar do apoio ao bolsonarismo, que, é verdade, ainda detém 1/4 da aprovação popular, mas cuja curva é descendente.

Assim, ou a greve fará sua aprovação estacionar no patamar atual ou piorar de vez, mas não tem o condão de fazê-la melhorar. Pois, se a paralisação parece demonstrar uma reação que poderia insuflar a base bolsonarista, a verdade é que seus efeitos econômicos deletérios pesam no bolso de todos os brasileiros, inclusive no da elite – notadamente, a elite agropecuária, que não conseguirá sequer exportar seus produtos. E a carne, que você já não compra há semanas, vai evaporar de vez do mercado, junto com o ovo e o osso de boi.

Contudo… pode ser que a greve já esteja acabada amanhã, e a economia não vai afundar (ainda mais). Ainda assim, um reflexo há de se concretizar, qual seja, o aumento na desaprovação do governo, pois Bolsonaro passará ser visto como traidor do próprio bolsonarismo, o que pode enraivecer o Presidente a ponto de ele tentar um autogolpe, ou fazê-lo perceber que não há mais qualquer base de sustentação para tanto.

Mas, pelo menos, o PT não está fazendo do Brasil uma Venezuela, não é mesmo? Porque Bolsonaro já faz isso sozinho. O culpado pela greve dos caminhoneiros é o próprio governo, e pode ser que na próxima semana seja a Venezuela a ter receio de se tornar um Brasil.

Isolamento social impacta na saúde mental da população LGBTQIA+

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Faz parte de uma das milhares de coisas que eu queria apenas que ela entendesse e aceitasse” relata jovem que vive a opressão familiar

O tópico da piora da saúde mental da população LGBTQIA + durante a pandemia tem preocupado especialistas da saúde. Para identificar os desafios da comunidade LGBT+ durante o período de isolamento social, o coletivo #VoteLGBT conduziu o estudo Diagnóstico LGBT+ na pandemia, de 28 de abril a 15 de maio de 2020. A pesquisa aconteceu por meio de um formulário online, obtendo o resultado de mais de 10 mil pessoas de todo o país. 

A piora na saúde mental foi citada por 43% dos entrevistados e desse total 54% afirmou a necessidade de apoio psicológico. A mudança brusca de rotina e o aumento no convívio familiar foram destacados por cerca de 39% dos participantes. A parte mais vulnerabilizada é a parcela menor de idade, uma vez que, não tem outra alternativa a não ser conviver com familiares que muitas vezes não aceitam sua sexualidade. 

Durante a fase da adolescência, expressar-se faz parte do processo de autoconhecimento dos jovens para construir sua identidade antes de atingir a vida adulta. Segundo Flavia Fanchin, estudante de psicologia do quinto ano da faculdade Sant’Ana de Ponta Grossa, adolescentes com uma dinâmica familiar muito rígida, que impede o filho de entender questões a respeito da sua sexualidade e individualidade, faz com que o adolescente passe por constante opressão.

A partir disso, vivenciar situações sem um apoio parental em uma fase essencial para o amadurecimento emocional pode desencadear casos de depressão e outros transtornos psicológicos. “Em um país que anda para trás, muitos menores de idade LGBTQIA+ não têm refúgio nas próprias casas. Principalmente agora em meio à pandemia que jovens menores de idade não têm a opção de ficarem distantes de suas famílias por dependerem delas”, destaca a estudante. 

Flavia Fanchin menciona o aumento do contato com a internet devido ao isolamento, para fins de expressão e busca de apoio. “A internet pode ser muito útil para jovens LGBT+ por conta da quantidade de informação que pode colaborar com as questões relacionadas a sua sexualidade. Porém, se o jovem vive em constante opressão e questionamento de pais homofóbicos, atos de desespero para achar apoio em desconhecidos, pode expor eles de maneira perigosa”, acrescenta.

Uma jovem de 16 anos, que preferiu não se identificar, relata os impactos negativos em sua saúde mental ao conviver mais tempo com sua mãe durante o isolamento. Segundo ela, passa por constantes humilhações e provocações vindas da sua família, a respeito de sua sexualidade. Mesmo tendo contato com seus amigos e colegas pelas redes sociais, a adolescente queria apenas se sentir aceita. “Escolhi não fazer nada por ter medo, mas eu sempre me senti muito rejeitada. Faz parte de uma das milhares de coisas que eu queria apenas que ela entendesse e aceitasse”, relata.

Se você precisa de auxílio psicológico, busque o centro de valorização da vida disponível gratuitamente 24 horas no número 188.