Reportagem: Heryvelton Martins.
Edição: Eder Carlos.
Professores responsáveis: Cíntia Xavier e Marcelo Bronosky.
Reportagem: Heryvelton Martins.
Durante a pandemia do coronavírus, algumas camadas da sociedade foram mais impactadas que outras. A população LGBTQ+, por exemplo, está entre as que historicamente foram marginalizadas e excluídas da sociedade. Porém, esse problema se agravou devido a crise sanitária, política e econômica que o Brasil enfrenta. Entre uma dessas consequências está a falta de apoio do poder público às organizações que prestam assistência a esta comunidade.
O Grupo Renascer e a Associação Flor de Lis LGBT são as duas instituições em Ponta Grossa que acolhem LGBTQ+. Márcia Rodrigues, representante da Associação Flor de Lis LGBT, afirma que em Ponta Grossa inexiste a consciência sobre a importância dos Direitos Humanos: “Na cidade, apenas a Assistência Social trabalha para atender as minorias, não havendo a preocupação na garantia de Direitos, que acaba por limitar o trabalho nas ONGs, não permitindo que as organizações atuem como defensoras dos direitos garantidos por lei a essas populações”.
Débora Lee, fundadora do Grupo Renascer, afirma que um dos principais obstáculos para a população LGBTQ+ é a falta de políticas públicas. Segundo a voluntária, essas medidas são importantes para dar a oportunidade de trabalho à população LGBTQ+ como uma forma de retorno financeiro e social.
Um levantamento realizado pelo estudante de Jornalismo Alex Marques para o Portal Periódico, indicou que apesar de ter tido um orçamento de R$ 23 milhões entre 2017 e 2020, a Secretaria da Justiça, Trabalho e Família do Estado – órgão responsável pela formulação e direcionamento de recursos à comunidade LGBTQ+ no Paraná – não repassou nenhum valor às políticas de promoção dos direitos LGBTQ+ no estado.
Sobre a falta de verbas vindas do poder público, Rodrigues analisa que “a grande dificuldade é a falta de investimento no terceiro setor, principalmente ONGs de Defesa de LGBTQIA+”. Para ela, as ONGs são usadas pelo governo como prestadoras de serviços. “Várias políticas públicas foram propostas em conferências municipais, estaduais e nacionais, suprem demandas de longo, médio e curto prazo. Essas propostas são usadas como moeda de troca, ficam engavetadas nos gabinetes de políticos que as usam no momento que as mesmas lhes trouxerem algum benefício”, expõe.
Pandemia agrava dificuldades
Problemas sociais, econômicos e culturais enfrentados pela população LGBTQ+ foram acentuados pela pandemia da Covid-19. Uma pesquisa realizada pelo Coletivo #VOTELGBT e pela empresa de pesquisa Box1824, mostra que o principal dano na vida da população LGBTQ+ foi a piora na saúde mental, refletindo o contexto mais solitário e preconceituoso que vive uma pessoa queer.
Além disso, os dados indicam que dificuldades econômicas estão entre os principais problemas enfrentados pela população LGBTQ+ nesse período. A pesquisa ouviu 9 mil pessoas, e 11% delas apontaram a falta de renda, enquanto que 7% apontam a falta de trabalho. Uma em cada 4 perderam o emprego em razão da Covid-19 e uma em cada 5 pessoas LGBTQ+ não possui nenhuma fonte de renda individual hoje. Entre os desempregados, 3 em cada 10 já estão sem trabalho há 1 ano ou mais.

Débora afirma que hoje o Grupo Renascer ajuda como pode, já que o apoio do poder público é precário. “Em todo o Brasil acontecem cortes nas instituições que acolhem essa população, devido aos nossos governos. Quando contávamos com o suporte do poder público para financiar o Renascer, oferecíamos diversos cursos profissionalizantes, como o ensino de línguas, cursos de cabeleireiro e artesanato. Assim, conseguíamos ajudar a população marginalizada, de fato”, relata a coordenadora do grupo Renascer.
Mesmo com os cortes, na pandemia Débora foi à linha de frente, entregando mais de 10.000 máscaras para populações LGBTQ+ e de rua, além das cestas básicas e dos testes rápidos de coronavírus. Ela afirma que uma das suas grandes forças é conseguir chegar em “guetos, boates e camadas mais isoladas da sociedade”,ou seja, lugares que a Saúde costuma não chegar.
PARA facilitar a navegação e a permanência dos usuários no site do projeto Elos, a partir de agora o site conta com novo layout e uma nova aba de conteúdos, o Agrega Elos. Essa aba vai oferecer acesso a conteúdos que dialogam com o site do Elos. Sendo uma forma de agregar valores e oferecer outros pontos de vistas sobre os temas debatidos no projeto em um único espaço.
Além dos conteúdos conhecidos, o site continuará com as publicações, as colunas opinativas e os dois podcasts com parceria fixa: Democracia e Direitos Humanos, produzido semanalmente pela Agência de Jornalismo da UEPG e o Boletim Covid-19, elaborado diariamente com informação contra a pandemia e que atualmente conta com 202 episódios.
A plataforma também continua a abrigar o Observatório da Mídia (espaço em que é possível encontrar análises feitas em publicações de veículos jornalísticos acerca de minorias sociais), os Ensaios fotográficos e projeto Jornal Escola, em que alunos das escolas públicas de Ponta Grossa produzem o próprio jornal. Durante o período de produção, eles participam de oficinas oferecidas pelos acadêmicos do projeto, mas que, devido à pandemia do novo coronavírus, as atividades do Jornal Escola foram suspensas.
O Elos é um Projeto de Extensão do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) que surgiu em 2017 a partir do grupo de pesquisa Jornalismo e Gênero, coordenado pelas professoras Karina Janz e Paula Rocha. O projeto tem como premissa publicar materiais jornalísticos relacionados aos direitos humanos e à formação cidadã. O site do Elos que está no ar, reúne produções dos acadêmicos de jornalismo da UEPG e dos alunos e alunas bolsistas do Pibic-Jr que ainda estão no ensino médio, mas que procuram conhecer o curso de jornalismo.
Todo descendente de negros que mora no Brasil alguma vez na vida já disse a seguinte frase: “sou descendente de escravos”. Porém, esse tipo de fala nem sempre é positiva, já que ela continua colocando o negro e a negra em papéis inferiores dentro das relações sociais de nosso país. Continuamos satisfeitos com a naturalização de alguns cenários que deveriam incomodar e nos deixar tristes, como por exemplo, universidades, restaurantes, judiciário, poderes executivo e legislativo federal ao municipal com presença da maioria branca. Sabemos que nossa cultura advém de civilizações européias, indígenas e negras, mas ter o mínimo de negros nestes espaços seria como viver o Apartheid sul-africano ou as Leis Jim Crow estadunidense.
Não somente necessitamos incorporar o espírito de resistência de Nelson Mandela, Martin Luther King Jr. ou de Rosa Parks que ousaram a lutar, sonhar e até o simples ato de sentar-se em um lugar de branco, mas precisamos mostrar que o lugar do negro e da mulher negra é onde eles quiserem. Trata-se, pois, não de descendentes de escravos, mas de herdeiros de realezas que sofreram golpes e foram privados de sua liberdade.
Em outras palavras, ser negro é ser descendente de reis e rainhas, de pessoas como a Rainha Anima da Nigéria, Rainha Makeda da Etiópia- esposa do Rei Salomão, Rei Taharqa da Núbia (710-664A.C) e o exemplo mais emblemático de todos a Rainha Cleópatra do Egito que era negra, mas foi eternizada nos imaginários como branca devido a representação dela por parte de uma atriz branca, no caso Elizabeth Taylor em 1963.
Elizabeth Taylor (atriz branca de olhos claros) dar vida a uma rainha negra denuncia a falta de espaço do negro e da negra na mídia, mas essa realidade perdurou e perdura por muitos anos e até mesmo na nossa atualidade, como nos meios de comunicação brasileiros. Uma cantora brasileira, MC Carol, através da sua arte conseguiu materializar um manifesto, através da música “Levanta Mina”, de 2021, sobre essa situação, e em um trecho da canção ela alerta:
“É difícil estar feliz
Com tanta cicatriz
É difícil se amar sendo excluída
Olhar pra TV
E ainda ver paquitas”
Na canção ela cita não somente negras, mas gays, gordas e demais minorias sociais que são deixadas de lado pela mídia. Segundo a música, não bastava as cicatrizes do preconceito, onde se encontra o racismo, mas ligar a Tv e ainda ver “paquitas”. As paquitas durante 1984 a 2002 eram dançarinas, grupo musical e assistente de palco da apresentadora Xuxa Meneghel que tinha como características os corpos padronizados e de pessoas brancas.
O mesmo vale pela desvalorização de artistas negras, um grande exemplo é a falta de visibilidade de atrizes afrodescendentes durante muitos anos e que ficaram com papeis inferiores, como escravas ou como empregadas, como tratou Djamila Ribeiro, que em “Quem tem medo do feminismo negro?” traz a falta de mulheres negras como mocinhas ou vilãs, a desvalorização de grandes atrizes como Ruth de Souza, e um dos movimentos mais preocupantes da história que é a negra na mídia de maneira hipersexualizada, como as Globelezas.
Não somos protagonistas das novelas, não somos mocinhas nem vilãs, no máximo as empregadas que servem de mera ambientação, adereço (inclusive passível de abuso) para a história do núcleo familiar branco. Basta lembrar o último papel da grande atriz Zezé Motta na emissora, como a empregada Sebastiana em Boogie Oogie. Algumas atrizes como Taís Araújo e Camila Pitanga se destacam, mas não podemos ignorar que é por serem jovens e terem a pele mais clara. Mulheres como Ruth de Souza são esquecidas num meio que valoriza grandes nomes como Fernanda Montenegro. Isso não tem nada a ver com talento (tanto a primeira como a segunda têm versatilidade e técnica de sobra), mas sim com a cor da pele de cada uma e as oportunidades que lhes são dadas. Qual será o destino das atuais atrizes negras brasileiras? Ou das meninas negras que sonham estudar teatro e cinema? Há lugar para elas? Se há, que lugar é esse? Talvez o mesmo das atrizes negras mais velhas e Globelezas: o descarte e o esquecimento quando seus corpos não servirem mais. A verdade nua e crua é que a Globeleza atualmente só reforça um lugar fatalista, engessado, preestabelecido, numa sociedade brasileira racista e machista. Esse lugar fixo precisa ser rompido, começando com o fim desse símbolo. (RIBEIRO, 2018, p.141-142)
Por tudo isso, passou da hora de negros e negras ocuparem todos os espaços da sociedade e assumirem a sua descendência de realeza e não como escravos. Óbvio que não podemos esquecer as atrocidades em que o povo negro viveu no mundo, mas está na hora de termos a própria voz e garantir a voz para negros e negras no futuro. Já basta terem escondido a melanina de personalidades históricas negras como Cleópatra. O negro e a negra precisa de espaço em setores sociais e a mídia, e não somente os cemitérios, subempregos e a capas de jornais com corpos mortos negros, já que segundo o Atlas da Violência 2020, o homicídio de negros aumentou 11,5% que antes era 37,8 por 100 mil habitantes. Com voz, lugares ocupados e o fim do papel de escravos os negros podem assumir seus espaços e fortificar cada vez mais a sua união e a consciência de classe.
Referências
RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro? Companhia das Letras, São Paulo, 2018.
Boletim Covid-19 – informação contra a pandemia – uma produção do curso de Jornalismo da UEPG.
Reportagem: Diego Chila.
Edição: Eder Carlos.
Professores responsáveis: Karina Woitowicz e Manoel Moabis.
Produção jornalística de extensão realizada à distância e inteiramente online, em respeito às normas de segurança e isolamento social. Imprensa: A veiculação deste boletim é livre e gratuita, desde que mantida sua integridade e informados os créditos de produção.
Boletim Covid-19 – informação contra a pandemia – uma produção do curso de Jornalismo da UEPG.
Reportagem: Daniela Valenga e Eder Carlos
Edição: Daniela Valenga e Eder Carlos
Professores responsáveis: Karina Woitowicz e Rafael Kondlatsch.
Produção jornalística de extensão realizada à distância e inteiramente online, em respeito às normas de segurança e isolamento social.
Imprensa: A veiculação deste boletim é livre e gratuita, desde que mantida sua integridade e informados os créditos de produção.
Agrotóxicos encontrados em lambaris na represa do Alagados levantam preocupações quanto às pessoas que comem os peixes. A pesquisa foi realizada pelo Departamento de Pós-Graduação em Química da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e encontrou agrotóxicos proibidos no Brasil, como DDT e Endosulfan, ambos prejudiciais à saúde. Um dos principais problemas destes agrotóxicos é sua potência, o DDT, por exemplo, demora de 4 a 30 anos para se degradar no meio ambiente, o veneno mata não apenas as pragas, mas contamina a fauna e flora do local. A pesquisa foi divulgada no último dia 15 e levanta preocupação acerca da saúde das pessoas e do ecossistema.

Para o advogado e participante do Fórum das águas dos Campos Gerais, João Luiz Stefaniak, as políticas públicas na área são precárias, segundo ele: “Existe uma política que incentiva o uso de agrotóxicos indiscriminadamente no Brasil. Bolsonaro liberou pelo menos 200 agrotóxicos novos, sem nenhuma fiscalização”. Stefaniak esclarece que os agrotóxicos são proibidos em outros países da Europa e no próprio Estados Unidos por comprometer o consumo da água e causar danos à população.
O advogado fala que o setor do agronegócio brasileiro não está muito preocupado com os agrotóxicos. Em todo o Brasil foram usados cerca de 539,9 mil toneladas de pesticidas em 2017, segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), deixando o Brasil em 7º na posição de países que mais gastam com agrotóxicos, e o 2º que mais compra agrotóxicos proibidos em todo o mundo. E o número só tende a aumentar, em 2005 houve a liberação para uso de 90 agrotóxicos no Brasil o que em 2019 aumentou para 474 agrotóxicos liberados, segundo dados do Ministério da Agricultura.
João comenta que não existem políticas de descartes para estes venenos, que são usados de forma indiscriminada. “Existe uma política para que estes agrotóxicos sejam usados” explica Stefaniak. A importância de pesquisas como essas: “somente em pesquisas sérias podem aferir dados corretos sobre o tema, é importante ver universidades públicas fazendo essas pesquisas, visto que outras formas de pesquisa são controladas pelos grandes fazendeiros”. O agrotóxico encontrado nos peixes tinham concentrações baixas, o que preocupa apenas as pessoas que consomem o alimento com frequência.
Entrevista com Aluízio Palmar, jornalista e ex-preso político pela ditadura militar e morador de Foz do Iguaçu/PR, ao Democracia & Direitos Humanos (D&DH). Palmar aborda a onda de protestos no Paraguai pela falta de vacinas contra a Covid-19 iniciada na primeira semana deste março naquele País
A entrevista foi ao ar nesta sexta-feira, 19/03/21, às 9h35, no Princesa News, pela Rádio Comunitária Princesa (FM 87,9 e internet).
Democracia & Direitos Humanos é um projeto de extensão ligado à Agência de Jornalismo, do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em parceria com a Rádio Comunitária Princesa (FM 87,9 e na internet). Você confere ainda nas redes sociais do Curso de Jornalismo da UEPG.
Locução e Edição: Isadora Ricardo
Produção e edição final: Professor(a) Hebe Gonçalves e Sérgio Gadini
Boletim Covid-19 – informação contra a pandemia – uma produção do curso de Jornalismo da UEPG.
Reportagem: Vinicius Sampaio.
Edição: Reinaldo dos Santos.
Professores responsáveis: Karina Woitowicz e Rafael Kondlatsch.
Produção jornalística de extensão realizada à distância e inteiramente online, em respeito às normas de segurança e isolamento social.Imprensa: A veiculação deste boletim é livre e gratuita, desde que mantida sua integridade e informados os créditos de produção.