A proteção dos direitos das crianças, especialmente contra a violência sexual, foi o tema central de uma palestra realizada durante a 33ª Semana de Comunicação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A jornalista e pesquisadora Lynara Ojeda discutiu a importância da proteção dos direitos humanos, especialmente em relação a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
Nos últimos três anos, mais de 164 mil crianças e adolescentes foram vítimas de estupro no Brasil, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Desses casos, 38,3% envolvem jovens entre 10 e 14 anos, enquanto mais de 35% são registrados contra crianças de 0 a 9 anos. Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) revela que, em média, 38 meninas de até 14 anos se tornam mães diariamente.
Para Lynara, o jornalismo tem um papel crucial ao trazer à tona esses casos, mas precisa ser feito de maneira responsável e sensível. “A maneira como as histórias são contadas pode fazer a diferença para as vítimas e suas famílias”, destaca.
Segundo a palestrante, é essencial que os profissionais de comunicação tratem esses temas com empatia, garantindo o respeito à dignidade das crianças envolvidas. Ela também lembrou que a violência sexual, na maioria dos casos, acontece de forma silenciosa, por isso é importante que o jornalismo contribua para a conscientização e o combate a esse problema.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que é dever da sociedade assegurar a proteção dos direitos das crianças. No entanto, a realidade mostra que ainda há um longo caminho a percorrer. De acordo com um levantamento do Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em 2023, 62% das crianças e adolescentes no Brasil viviam em situações de vulnerabilidade, o que evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes e de uma maior conscientização social sobre os direitos da infância.
A literatura de fantasia tem um papel fundamental na abordagem de questões sociais, funcionando como um espelho da realidade por meio de cenários e personagens fictícios. ‘This Ravenous Fate’, escrito por Hayley Dennings, vai além de uma história sobrenatural ao usar vampiros e caçadores como metáforas poderosas para discutir racismo, marginalização e direitos humanos. Situada no Harlem de 1926, a obra mergulha em um contexto histórico vibrante e repleto de tensões sociais, enquanto explora dilemas profundos por meio das trajetórias de suas protagonistas.
Autora Hayley Dennings segura cópias de seu livro. Foto: Reprodução
Em uma entrevista exclusiva, Dennings revelou como o racismo e a exclusão social foram as principais inspirações para a criação de sua obra. A transformação de Layla Quinn, uma das protagonistas, em Reaper — uma criatura que carrega semelhanças com vampiros — se torna a base de um conflito profundo com sua amiga de infância, Elise Saint, agora uma caçadora dedicada a proteger a cidade desses seres sobrenaturais. A trama explora não apenas as questões de poder e vulnerabilidade, mas também a criminalização de minorias, refletindo uma dura realidade que ainda persiste.
Fantasia como crítica social: Reapers como metáfora da marginalização
Em ‘This Ravenous Fate’, a autora constrói uma metáfora afiada com os Reapers, criaturas vistas como monstros pela sociedade dominante, mas que, na verdade, são vítimas de um sistema opressor. Em uma entrevista franca, Dennings explicou como se perguntou: “E se o racismo fosse visível como uma doença física?” Dessa inquietação surgiu a figura dos Reapers — seres marginalizados, perseguidos e considerados perigosos simplesmente por existirem. O livro estabelece um paralelo contundente com a criminalização de minorias na vida real, particularmente com o tratamento dado à população negra e pobre nos Estados Unidos e no Brasil.
Assim como os Reapers são caçados e temidos em Harlem, o cenário do livro reflete um período de tensões raciais e segregação. A ambientação na Era do Jazz e da Proibição adiciona uma camada histórica ao debate sobre exclusão e marginalização. Durante os anos 1920, Harlem florescia como o centro da cultura negra americana, mas também era marcado pela segregação e pelo racismo institucionalizado. Dennings explora esse contexto com maestria, mostrando como as questões raciais da época influenciam diretamente os acontecimentos da trama.
No Brasil, a criminalização de minorias também encontra ecos no livro de Dennings. O tratamento violento dado às favelas e à população negra, muitas vezes vista como culpada por crimes que não cometeu, tem paralelos diretos com a perseguição aos Reapers. A marginalização sistêmica discutida em ‘This Ravenous Fate’ é uma realidade compartilhada por muitos brasileiros, especialmente em comunidades periféricas.
Complexidade de personagens: Interseccionalidade e identidade
Um dos aspectos mais fortes da narrativa de Dennings é o desenvolvimento das personagens principais. Elise Saint e Layla Quinn não são meras arquétipos de heroína e vilã. Ao invés disso, Dennings constrói personagens com camadas profundas, que enfrentam dilemas morais e emocionais complexos. Elise, pertencente a uma família renomada por caçar Reapers, lida com uma lealdade dividida e o peso de ser a protetora de uma cidade mergulhada em violência. Layla, por outro lado, personifica a figura da excluída, mas sua condição de Reaper não a define como uma vilã unidimensional. Ela mantém sua humanidade, e sua transformação se torna uma metáfora para o trauma e a exclusão social.
Dennings também aborda de forma habilidosa a interseccionalidade. A personagem de Layla é uma jovem negra e queer, enfrentando múltiplas formas de opressão. Essa construção ecoa as lutas de muitas mulheres negras e LGBTQIAP+ na vida real, que se veem marginalizadas não apenas por sua raça, mas também por sua identidade de gênero e orientação sexual. No Brasil, essa realidade é particularmente evidente no trabalho de ativistas como Djamila Ribeiro, que discute a importância de entender a intersecção de diferentes formas de opressão para construir uma sociedade mais justa.
A relação entre Elise e Layla, além de ser o centro do conflito sobrenatural, também explora uma dinâmica romântica. O trope de “inimigas a amantes” é habilmente utilizado, dando à narrativa uma tensão emocional e afetiva que transcende o simples embate entre caçadora e criatura. Esse romance, em um contexto de desconfiança e ressentimento, contribui para o crescimento das personagens e oferece um contraponto ao horror e à ação da trama.
Racismo, empatia e justiça social: Temas contemporâneos no Harlem dos anos 1920
‘This Ravenous Fate’ faz uma crítica direta às estruturas de poder que perpetuam a marginalização. A perseguição aos Reapers não se limita à luta física, mas representa também a desumanização sofrida por minorias ao longo da história. Ao ambientar a história em Harlem durante a Era do Jazz, a escritora coloca em primeiro plano as questões sociais daquele período, como a segregação racial e a criminalização dos negros, ampliando a discussão para o cenário contemporâneo.
Um ponto fundamental da narrativa é a relação entre empatia e justiça. Em sua entrevista, ela refletiu sobre como, tanto no mundo real quanto no universo de ‘This Ravenous Fate’, a falta de empatia contribui para a perpetuação da opressão. “Se você começa a ver alguém como humano, você não vai querer oprimi-lo”, afirmou. A caçada aos Reapers é um reflexo da falta de empatia por parte de uma sociedade que, ao desumanizar certos grupos, legitima sua própria violência.
No Brasil, a violência policial contra comunidades periféricas e negras é um lembrete constante da desumanização institucionalizada. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no país, muitas vezes em ações policiais desproporcionais. A brutalidade nas operações nas favelas, como a que ocorreu no Jacarezinho, no Rio de Janeiro, em maio de 2021, resultando na morte de 28 pessoas, é um exemplo trágico da criminalização sistêmica que ‘This Ravenous Fate’ espelha de maneira simbólica em sua narrativa, ao explorar temas de opressão e marginalização.
O poder da fantasia como crítica social
Ao discutir o impacto da fantasia na abordagem de temas como direitos humanos e racismo, a escritora comparou o gênero a um “bolo com vegetais escondidos”, sugerindo que a fantasia pode entreter enquanto carrega mensagens importantes sobre a realidade. ‘This Ravenous Fate’ exemplifica essa ideia, equilibrando elementos sobrenaturais com uma crítica social afiada. A narrativa envolve o leitor ao mesmo tempo em que o desafia a refletir sobre questões como marginalização e empatia.
A trama, que se desenrola em torno de uma série de assassinatos e da transformação dos Reapers em semi-humanos, é repleta de tensão e mistério. Apesar de alguns leitores apontarem que a segunda metade do livro desacelera um pouco, focando mais no desenvolvimento das personagens do que na resolução do enredo, a profundidade emocional e a complexidade das questões abordadas mantêm a leitura envolvente.
Uma obra para refletir e se apaixonar
‘This Ravenous Fate’ é mais do que uma narrativa de fantasia sobrenatural. É uma obra que utiliza o imaginário fantástico para fazer uma crítica contundente à marginalização e ao racismo. Ao construir personagens como Elise e Layla, Dennings desafia as noções tradicionais de heroísmo e vilania, criando um espaço para discussões sobre empatia, identidade e justiça social.
A ambientação rica em detalhes históricos e a trama repleta de tensão emocional garantem que a obra se destaque tanto para os fãs de fantasia quanto para aqueles que buscam uma leitura mais profunda e socialmente engajada. A criadora entrega uma história que, embora cheia de monstros e batalhas sobrenaturais, nos lembra que os verdadeiros horrores muitas vezes estão ancorados nas estruturas de poder e opressão que moldam nosso mundo.
‘This Ravenous Fate’ é, sem dúvida, uma estreia promissora, e deixa os leitores ansiosos para ver como a autora continuará a desenvolver essa história complexa no próximo e último volume da duologia.
Xenofobia, violência de gênero e violações aos direitos trabalhistas são as formas de preconceito mais comuns vividas por imigrantes
Debate sobre a integração e empregabilidade de migrantes. Foto: Ester Roloff
Os desafios enfrentados por imigrantes se estendem por todas as partes de suas vidas. Desde dificuldade de acesso à educação, saúde e moradia, até barreiras no exercício da cultura de origem. Uma das principais áreas é a trabalhista, que representa toda inserção socioeconômica dos imigrantes no novo país. A Federação das Indústrias do Estado do Paraná, visando fortalecer a empregabilidade no setor industrial, promoveu o debate ‘Diálogo com a Indústria: Integração e empregabilidade de migrantes’, no dia 8 de outubro, no SESI Ponta Grossa. O evento contou com a presença da Cáritas e com representantes da Organização Internacional para as Migrações (OIM), oŕgão ligado à ONU.
Representando a Cáritas, Gislaine da Rosa apresentou os benefícios da contratação de imigrantes para as empresas em Ponta Grossa. “Muitas vezes os imigrantes e refugiados possuem formação acadêmica ou experiências em certas áreas de trabalho, o que pode contribuir para o mercado local“, esclarece. Gislaine cita algumas das vantagens: diversidade cultural, expansão do mercado de clientes, fortalecimento da reputação da empresa e da marca, interculturalidade e muitas outras. “Ao atravessar a fronteira, a história e os conhecimentos da pessoa não deixam de existir, ao contrário do que diz o preconceito contra imigrantes”, garante.
A coordenadora de projetos da OIM, Talita Souza, fala sobre as barreiras que os imigrantes precisam atravessar para se inserir no mercado de trabalho. “O primeiro obstáculo é a língua e o segundo a falta de documentação, principalmente quando são refugiados que saem de seus países, muitas vezes, apenas com uma mala de mão”, lamenta. Talita explica que as dificuldades continuam a existir mesmo após a integração socioeconômica. “É preciso reduzir a vulnerabilidade social, sensibilizando as empresas e informando sobre as maneiras corretas de incorporar os imigrantes no ambiente de trabalho”, observa.
As nacionalidades atendidas pelos projetos, tanto da Cáritas quanto da OIM, em Ponta Grossa são: Cuba, Colômbia, Haiti, Argentina, Bangladesh, Marrocos, Síria, Serra Leoa e, com destaque, Venezuela. Até 2023 os venezuelanos eram cerca de 480 mil imigrantes no Brasil, o que representa 25% do total de imigrantes no país; destes, cerca de 150 mil foram atendidos pelas iniciativas.
Educação é o primeiro passo para combater as práticas racistas
O jornalismo antirracista é aquele que não espalha uma visão estereotipada e preconceituosa de pessoas negras ou dos povos originários. Ele surgiu a partir do movimento de luta antirracista que se intensificou no século XX, com o aumento de veículos de imprensa negra. Visando dar destaque para o assunto, a 33° Semana de Comunicação do Curso de Jornalismo da UEPG promoveu uma oficina de Práticas Jornalísticas Antirracistas, ministrada pela mestranda Elaine Barcellos de Araújo.
Elaine evidenciou a importância da discussão sobre o assunto. “O jornalismo pode ser uma ferramenta condutora para a educação antirracista, pois pode incentivar o pensamento crítico dos estudantes e favorecer a argumentação contra o preconceito”, explica. A mestranda frisou que é preciso um comprometimento por parte de profissionais de comunicação para com a sociedade, que se baseia nas práticas antirracistas. “A demanda pública pede por essa pauta, as empresas de comunicação buscam enfrentar o preconceito e, assim, se integrar mais com a sociedade”, esclarece a mestranda.
Na análise da estudante de jornalismo e ativista da pauta negra, Quiara Camargo dos Santos, o assunto é pouco falado na região onde vivemos. “É muito importante esse tipo de oficina dentro da universidade, inclusive deveriam haver mais para que alcançassem todos os estudantes”, afirma. Quiara expõe que o local meridional do Brasil, como um todo, se vê ‘embranquecido’, isto é, se acredita branco e para isso apaga a existencia do diferente, sejam os negros, os quilombolas ou os povos originários. “Não podemos achar que fazer esse diálogo uma ou duas vezes por ano é suficiente, pois então ficamos muito no raso e a discussão nunca se aprofunda como deveria”, reforça.
A Alma Preta, agência que cobre a questão racial no Brasil, lançou em 2023 o seu primeiro manual de práticas antirracistas. Ele foi produzido depois de três anos de estudos e coletas de dados para fortalecer a imprensa negra do país. Ele pode ser lido de maneira gratuita através do link. No Brasil, a Lei 7.716/89, conhecida com Lei do Racismo, pune todo tipo de discriminação ou preconceito, seja de origem, raça, sexo,cor e idade.
Os exames disponíveis são a coleta de citopatológico do colo uterino e a solicitação de mamografia de rastreamento
A Fundação Municipal de Saúde está realizando exames preventivos de câncer de colo de útero e de câncer de mama durante o mês de outubro.O alvo da campanha são mulheres entre 25 e 69 anos de idade que estão há mais de 1 ano sem fazer exames preventivos. Os exames disponíveis são a coleta de citopatológico do colo uterino (mulheres entre 25 e 64 anos) e mamografia de rastreamento (mulheres entre 50 e 69 anos). O agendamento dos exames deve ser realizado por telefone das 9h às 15h até o dia 21 de outubro. E os atendimentos podem ser feitos nos dias 08, 09, 10, 15, 16, 17, 22, 23 e 24 de outubro das 17 às 20h na fundação municipal de saúde.
No dia 19 ( sábado) acontecerá o dia D com exames em várias unidades de Saúde. O agendamento pode ser presencial, na unidade de saúde, ou realizado das 9h às 15h através do número (42) 3220-1015 ramais: 4401 e 4531. As unidades de saúde que participarão do Dia D são: Javier Cejas Arzabe (Borato), Rômulo Pazzinato (Nova Rússia), Cyro de Lima Garcia (Oficinas), Luís Conrado Mansani (Uvaranas), César Antônio Ribas Milleo (Superposto Panamá), Adão Ademar de Andrade (Colônia Dona Luiza), Alfredo Levandovski (Gralha Azul) e o Centro Municipal da Mulher.
Para realizar o exame é necessário levar os seguintes documentos: CPF, Cartão SUS e Documento de identidade.Para a coleta de citopatológico do colo uterino deve se evitar relações sexuais nos dois dias antes do exame, mesmo utilizando camisinha. Também deve evitar o uso de duchas e cremes vaginais, e não estar no período menstrual.
O teatro é reconhecido como uma manifestação cultural que aprimora o pensamento crítico das pessoas
As artes cênicas são umas das principais formas de expressão através da arte. Elas têm um papel fundamental na formação da identidade cidadã, uma vez que estão ligadas a diversas manifestações culturais e individuais. Em uma entrevista com três atrizes, elas nos contaram a importância do teatro, tanto no município de Ponta Grossa quanto as suas perspectivas em relação a ele.
Para Ligiane Ferreira, integrante do grupo de teatro Carolinas, o teatro busca a essência do ser, “Se o teatro ele está inserido neste contexto, ele abre caminhos e questiona, ele coloca algumas situações que devem ser colocadas à luz da sociedade e é extremamente fundamental para a nossa saúde e qualidade de vida, então eu arriscaria dizer que sem teatro, não há humanidade”. Para a atriz Mariele Zanin, participante do Grupo de Teatro Cidade de Ponta Grossa (GTPG), o teatro é um agente transformador, capaz de mudar vidas. De acordo com a atriz, a arte é um caminho do bem e um meio de tornar as pessoas com um posicionamento crítico em relação à sociedade. Para ela, o teatro deve ser acessível a qualquer pessoa interessada, sem limite de gênero ou raça. A artista acrescenta que ele ainda possibilita desenvolver habilidades como trabalho em equipe e expressão corporal.
Michella França participa do grupo Dia de Arte e concebe a arte em conjunto com a parte social. “A gente trabalha com pessoas com sentimentos, então não tem como, na minha opinião, se desligar da questão social e política.” Pensando assim, Michella leva estes temas sociais para discussão em suas peças, porque para ela, a arte tem um poder transformador e poderoso de unir as pessoas e trazê-las para dentro da história.
Teatro em Ponta Grossa
Para as atrizes, o teatro em Ponta Grossa está crescendo. Segundo Mariele, o Grupo de Teatro Cidade de Ponta Grossa está ativo aproximadamente há seis anos, e além de produzir peças teatrais de forma gratuita e acessível para a população, os artistas recebem uma bolsa de incentivo. Também, há diversos grupos independentes produzindo peças através de editais que viabilizam iniciativas culturais. “Antes só tínhamos teatro no mês de novembro, no FENATA (Festival Nacional de Teatro). Hoje os artistas locais estão produzindo e organizando apresentações durante o ano todo e isto está sendo lindo”, disse a atriz.
Michella França em sua fala diz que, em relação ao teatro, as pessoas estão buscando se profissionalizar e que terão muitos grupos e artistas novos que vão permanecer. “Isso é muito bom e deixa a gente muito feliz”, completou.
Ligiane Ferreira diz que ainda precisamos entender o papel fundamental do teatro. “Se só está divertindo, a gente tem que começar a pensar, mas se ele traz reflexão e traz várias linguagens, se ali está inserido o teatro negro, que eu acho fundamental, a gente começa a entrar em um futuro para o teatro muito interessante na cidade”.
Incentivos
De acordo com Michella, leis que viabilizam que os grupos teatrais façam suas apresentações, recebam por elas e que levem ao público de forma gratuita são uma forma de incentivo para que as pessoas deem valor para a arte. Mariele fala que editais de incentivo como PROMIFIC (Programa Municipal de Incentivo Fiscal à Cultura), Lei Paulo Gustavo e Lei Aldir Blanc são de extrema importância para viabilizar projetos artísticos. Na perspectiva de Ligiane, é importante ir ao encontro do público. “Já trabalhei em bares e fiz em espaços de yoga, eu acho que qualquer lugar é lugar de teatro. Tendo um espectador ali presente, se faz teatro”, completou.
Dificuldades
Para Mariele, uma das dificuldades encontradas é a cultura de achar que apenas o que vem de fora é bom. “Diversas vezes vi a diferença de público em peças vindas de outras cidades e as peças locais. Mas a verdade é que estamos produzindo peças incríveis na cidade”. Ela completa dizendo que devemos acreditar na nossa capacidade, porque Ponta Grossa é uma cidade de grandes talentos. Conforme Ligiane enquanto trabalhadora de cultura, outra eventual dificuldade é se manter com o teatro, há a necessidade de ampliar esta discussão. Michella também fala sobre o retorno financeiro e levar o público para o teatro, “As pessoas poderiam incentivar mais o artista local, então eu acho que as dificuldades são sempre as mesmas. Primeiramente é a questão da produção, do financeiro, como produzir e a segunda é estar levando mesmo o teatro”, disse ela.
Mulheres na participação do teatro
Na visão de França, “O teatro dá um campo enorme para todo mundo, está tendo um campo muito grande também para as mulheres pretas”. Para Mariele Zanin, as mulheres estão cada vez mais focadas e determinadas a buscarem seus objetivos, “Se pensar no papel das mulheres há anos, tudo era relacionado à família… casar, ter filhos e ser dona de casa. Inclusive, houve uma época em que os papéis femininos eram encenados por homens vestidos de mulher. Hoje em diversas áreas, as mulheres são protagonistas das próprias histórias”, falou Zanin. De acordo com Ligiane que trabalha com esta temática em suas peças, precisamos de mais presença feminina. “A gente sempre falou enquanto mulheres enquanto teatro, a necessidade de ter toda uma equipe de mulheres, desde sonoplasta, iluminadora, produtora, artistas… De ter esse teatro específico feito por mulheres”.
Trajetórias
Desde pequena, Mariele participava de vários eventos culturais na escola e na igreja, e durante a adolescência começou a entender sobre a profissão de atriz. Ao terminar o ensino médio, ela optou por cursar Jornalismo e em paralelo, terminou o curso de teatro. Quando terminou a faculdade, ela fez a banca para se profissionalizar como atriz em Curitiba e passou. “Trabalhei com marketing em uma escola da cidade por um ano e meio para guardar dinheiro. Chegou um momento que eu pedi demissão e com o DRT (Delegacia Regional de Trabalho) em mãos, fui para o Rio de Janeiro fazer um curso de interpretação para tv e cinema”, conta a atriz. Ela voltou para Ponta Grossa para passar as festas de fim de ano e decidiu ir novamente para o Rio de Janeiro, porém aconteceu a pandemia de COVID-19. Desde então, além de integrar o GTPG, Mariele trabalha com publicidade em Ponta Grossa e Curitiba. Ela participou de duas séries em Curitiba, “Plano B” e “Uma Garota de Fé”, “O teatro foi como eu comecei e estou até hoje, mas sou completamente apaixonada pelo audiovisual”, complementou a sua fala.
Michella começou sua trajetória com 13 anos de idade e fez um teste para um companhia de teatro quando morava em São Paulo, “E de lá pra cá não parei mais, tive momentos mais ativas e momentos menos, até que eu me profissionalizei nos anos 2000”. Ela também morou durante um tempo no Rio de Janeiro e foram mais de 30 espetáculos nesse tempo e participações em longas. “Tem um histórico bem grande até o momento”, fala Michella França.
Em seu caminho como atriz, Ligiane começou a fazer teatro em escola pública. Ela conta que o interesse começou quando uma professora de literatura estava montando um grupo de teatro para o festival estudantil da cidade que acontecia no Instituto de Educação, “Eu era uma menina de periferia que não sabia o que era teatro, daí eu me encanto e começo a gostar porque eu era uma pessoa super tímida… O teatro me deu possibilidade de ser quem eu sou e abriu muita possibilidade para mim. Eu gostei de estar no palco e contar uma história que não era minha, achei fantástico aquilo”. Depois, Ligiane se profissionalizou e fez diversos cursos na área, como o teatro de antropologia de Eugênio Barba. “Eu nunca paro, então essa é minha trajetória enquanto busca e artista. Sempre tive bons mestres e boas mestras que me forjaram para ser a artista que sou”, completou Ligiane Ferreira.
Doenças são causadas ou agravadas graças ao descarte incorreto de resíduos sólidos
Diariamente são coletados cerca de 290 toneladas de resíduos sólidos na cidade de Ponta Grossa, o que totaliza mais de 8 mil toneladas mensalmente. Porém, de acordo com a Prefeitura de Ponta Grossa, o número é maior ao considerar os resíduos que não obtiveram o destino certo. Em 2019, por exemplo, foram retiradas mais de 200 toneladas de resíduos sólidos descartados de maneira irregular na cidade, de acordo com dados do serviço de coleta de lixo, Ponta Grossa Ambiental.
Entre alguns dos inúmeros problemas que rodeiam a prática do descarte incorreto, estão a poluição do solo, o impacto na saúde pública e a emissão de gases prejudiciais para toda a biodiversidade.
Apesar da passagem regular do caminhão de lixo, os residentes do bairro Ronda, próximo à região da Vila Nova, relatam problemas com o descarte incorreto realizado pelos próprios vizinhos, em um terreno baldio na região. “Se tornou um problema para quem mora aqui perto. Incomoda pelo cheiro forte, por se tratar de resíduo orgânico que vai apodrecendo e preocupa pelo acúmulo que pode se tornar foco para os mosquitos da dengue, por exemplo. Falta uma fiscalização, principalmente em terrenos abandonados que são alvos de quem não tem consciência”, desabafa a moradora da região, Maria Rosa Borges.
Diversos resíduos descartados no terreno baldio no bairro Ronda. Foto: Lucas Barbato
O descarte irregular é crime, conforme Lei Federal n° 9.605/1998, Lei de Crimes Ambientais, com penalidade prevista no artigo 54. A prática pode levar à reclusão, detenção ou pagamento de multa. A penalidade varia conforme o tipo de dano causado pelo lançamento de resíduos.
A analista ambiental, Cláudia Rosa, lamenta o descaso com que é tratado o assunto e acredita na necessidade de um trabalho de conscientização. “Infelizmente a era de descarte incorreto de lixo é cultural e é um trabalho de formiguinha fazer isso melhorar. A sensação é a de que não adianta se esforçar quando o outro não colabora, mas se cada um fizer sua parte, os problemas gradualmente se resolveriam.”
Cláudia admite que por vezes os moradores precisam de uma solução imediata e acabam, por exemplo, incinerando os locais com lixo, o que agrava a situação, com riscos de incêndio, problemas respiratórios e poluição.
Outro ponto levantado pela analista ambiental é a utilização do canal de denúncia da prefeitura, juntamente com a fiscalização da própria população que convive com o problema. “A cobrança por parte dos moradores é extremamente necessária para que as políticas sejam aplicadas de maneira justa”, ressalta.
As denúncias podem ser feitas através do 156, por telefone ou pelo site.
A utilização da tecnologia e, consequentemente, da Inteligência Artificial (I.A) se tornou uma prática frequente e tem se mostrado um problema para os artistas, principalmente para aqueles que trabalham com artes visuais e virtuais. Isso porque diferentes tipos de artes, como ilustrações, são produzidas pela I.A, substituindo projetos realizados por artistas.
O uso da I.A. na área artística provoca discussões, ao retirar o espaço criativo das pessoas para o virtual. A Inteligência Artificial recria imagens a partir de textos e frases, e o que deveria ser uma boa ferramenta acaba produzindo imagens sem emoção, genéricas e simples.
A ilustradora e designer desde os 17 anos, Camila Trigorna, afirma que muitas empresas atualmente buscam “artistas de I.A” por ter uma suposta qualidade e rapidez no processo. “Infelizmente, muitas empresas e pessoas não se importam com a linearidade de traços ou estilo, somente com os “benefícios”, complementa Camila.
A artista observa que ainda há uma tentativa de utilizar a tecnologia a favor das pessoas. “A comunidade vive muito dividida entre tentar compor com a I.A e usá-la como ferramenta e criticar seu mau uso. Muitos buscam soluções jurídicas para comprovar autoria das artes ou a proibição do uso para não alimentar a inteligência generativa”.
Camila comenta que a I.A. afeta muitas áreas de trabalho, mas não desanima: “Impactou desde a advocacia até o cinema, todos, independente de suas áreas, serão afetados. Nossa missão é continuar criando e apoiando nossa comunidade e mostrando que nosso poder criativo é sempre maior que a inteligência artificial”, ressalta.
O uso da I.A. está levando artistas a abandonarem a área. Para o ilustrador Leandro Cruzes, que trabalha há 10 anos e já atuou na área de games, editorial, vestuário e animação, a inteligência generativa não cria e se apropria de trabalhos já realizados. Ele julga que é necessário um movimento para regularizar o uso das I.As, que está impactando os profissionais. “Ela apenas se alimenta de trabalhos de artistas já existentes para gerar seu banco de dados, sem remunerar ou dar créditos ao artista original. Para prevenir essa situação absurda é que existe a União Democrática dos Artistas Digitais (UNIDAD)”, diz.
Leandro explica que os movimentos da categoria já atuam na área jurídica com projetos de lei. “O que o movimento coletivo de artistas faz é regularizar o uso da I.A pela PL 2338/2023. Não se trata apenas de arte, é um trabalho como qualquer outro”, finaliza.
O Projeto de Lei nº 2338/2023 dispõe sobre o uso da I.A. no Brasil, porém o PL ainda está em andamento e, atualmente, não há lei que proíba o uso da tecnologia para a criação de artes por inteligência artificial. Em 2020, o PL 21/2020 também previa definir o uso adequado da I.A. no Brasil, estabelecendo fundamentos e diretrizes para a aplicação da tecnologia. O projeto ainda aguarda apreciação do Senado Federal.
Texto por Roberto Gabriel, Maria Gallinea e Bruna Sluzala
“A pandemia só fez com que as doenças emocionais emergissem dos processos inconscientes”, afirma psicóloga
O último Atlas de Saúde Mental, emitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2021, mostrou que o mundo não alcançou grande parte das metas de saúde mental em 2020, período que se iniciou a pandemia da Covid-19. A meta prevista para programas de prevenção e saúde mental era de 80%, porém apenas 52% dos países cumpriram a meta, ainda de modo relativo e apenas 25% possuem parâmetros para incorporar políticas de saúde mental na saúde primária. Desde então, fatores como o isolamento e a falta de investimentos em saúde pública e recursos humanos ajudaram a piorar esse quadro. Ainda, a Nova Agenda de Saúde Mental para as Américas mostra que as américas são a única região da OMS em que as taxas de suicídio têm aumentado nos últimos anos.
Um dos grupos mais afetados foram os jovens adultos que estão no início de sua carreira profissional, e que devido ao aumento de jornadas estressantes de trabalho (mesmo durante o isolamento), ficaram mais suscetíveis à síndrome de burnout, que tem como característica o esgotamento mental e físico. Sintomas como depressão, estresse, ansiedade e distúrbios de sono são os mais sentidos. Esta é apenas uma das consequências na população. Segundo a psicóloga Joseli Silva, especialista em avaliação psicológica e atuante há 10 anos na área, dificuldades na elaboração de luto diante das perdas, isolamento social, sentimentos negativos em relação ao futuro e lapsos de memórias também fazem parte dos reflexos percebidos na saúde mental pós-pandemia.
Além disso, durante o isolamento, ocorreu a ascensão de plataformas e redes sociais. Embora elas tenham trazido mais informações acerca de diversos transtornos e o reconhecimento de seus sintomas, é necessário cautela no seu uso. Segundo uma pesquisa feita em 2018 pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, 40% dos brasileiros já fizeram um auto diagnóstico pela internet, uma ação que pode ser prejudicial. De acordo com a psicóloga Joseli, o uso inadequado de medicamentos além de trazer dependência química, pode atrasar um diagnóstico assertivo. Por isso, tratamentos terapêuticos individuais e em grupo e psiquiatria são recomendados.
Sobre a piora de quadros no pós-pandemia, a psicóloga e professora de Psicologia na CESCAGE, Kathleen Van de Riet, diz que o período de isolamento apenas aflorou casos já sensíveis. “A sociedade brasileira já estava doente, acho que isso é um conceito que a gente precisa entender. Já existiam as doenças mentais”.. Ainda, a docente enfatiza que o isolamento, além de ressaltar sintomas existentes, fez com que indivíduos sensibilizados revisassem suas próprias vidas e, por consequência das circunstâncias acentuadas, não pudessem se distrair em ambientes como trabalho ou lazer.
Na busca por tratamento das sequelas deixadas pelo agravamento de quadros no pós-pandemia, Kathleen ressalta que existe uma parcela que procura ajuda, e outra que não. “Isso é também bem geracional. Nós vemos pessoas mais jovens indo buscar ajuda, e nós temos pessoas mais velhas que não buscam essa ajuda psiquiátrica e psicológica”. Além da recusa na procura por profissionais, a psicóloga evidencia a crescente no uso não prescrito de medicamentos psiquiátricos.
Quanto a questões no diagnóstico, segundo a psicóloga, existe um excesso nos diagnósticos de transtornos, em especial a depressão, quando o indivíduo está passando por um episódio depressivo. O transtorno depressivo persistente, como é chamada a depressão, se caracteriza pela longa duração dos episódios depressivos, ultrapassando os dois anos. O diagnóstico precoce pode acarretar na prescrição de uma medicação não apropriada e que, apesar de ter efeitos físicos imediatos, tem consequências como dependência.
“Será que eu consigo, através de outras vias, talvez, gerar tratamentos mais eficientes? Não só a terapia”, questiona a profissional. De acordo com Kathleen, o tratamento integrativo envolve atividade física, sono saudável e boa alimentação.
Kathleen enfatiza que, atualmente, a procura pela saúde mental é de caráter integrativo e não especializado. “Quando a gente fala de saúde mental, ela depende muito da saúde física. Isso é uma coisa que as pessoas não entendem, o nosso cérebro, o nosso corpo, eles estão juntos, a gente trata como se não tivesse”.
Quanto a como anda o mercado da psicologia atualmente, principalmente no cenário da saúde pública, Kathleen afirma que existem medidas positivas, mas que o sucateamento de funcionários públicos é um dos grandes fatores que contribuem para que não sejam sempre efetivos. “A gente tem falta de psicólogo em todas as áreas públicas. Isso não é nenhuma discussão, é um fato”. A psicóloga ainda afirma que as políticas públicas são atendidas de maneira mínima, mas que é importante que elas existam.
A estudante do curso de Serviço Social, Fernanda Moll, diagnosticada com depressão, ansiedade e transtorno de personalidade borderline (TPB), afirma que houve uma piora na sua saúde mental durante a pandemia. O diagnóstico demorou cerca de 2 anos. Seu tratamento é feito através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo que na pandemia ocorreu de forma online, mas com poucas consultas.
Após a quarentena, Fernanda relata ter desenvolvido crises de pânico, e atribui isso a necessidade prévia de isolamento social e a ideia de que, se saísse em público, estaria em risco. A estudante concorda com a psicóloga Kathleen e reforça que, atualmente, com as sequelas do pós-pandemia, a saúde mental da sociedade como um todo não está bem.
O atendimento público à saúde mental é disponibilizado através do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Em Ponta Grossa, o CAPS-AD (Álcool e drogas), oferta atendimento 24 horas. Cada unidade atende uma necessidade, com serviços para crianças e adolescentes e pessoas com transtornos mentais. Ainda, existe o Ambulatório da Saúde Mental (ASM), no bairro São José. Em caso de ideação suicida, o Centro de Valorização da Vida está disponível durante todo o dia, no número 188.
Ambulatório de Saúde Mental –
Para acesso ao serviço, o usuário deve ser encaminhado pela Unidade de Saúde via SISREG (Sistema de regulação).
Horário de atendimento: Segunda a sexta-feira das 07:00 às 17:00 horas.
Endereço: Rua Princesa Isabel, 228. Bairro São José, em frente á igreja São José.
Fone: 3220-1021
CAPS AD –
Um serviço específico para o cuidado, atenção integral e continuada às pessoas com necessidades em decorrência do uso de álcool, crack e outras drogas.
Serviço porta aberta, ou seja, não necessita de encaminhamento.
Horário de atendimento: Aberto ao público das 07:00 às 19:00 de segunda a segunda.
Endereço: Rua Vicente Spósito S/N (ao lado do terminal de Uvaranas).
Fone: 3220-1021
CAPS II –
É um serviço de atenção diária que atende prioritariamente pessoas em intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes e outras situações que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida.
Serviço porta aberta, ou seja, não necessita de encaminhamento.
Horário de atendimento: Segunda a sexta-feira das 08:00 às 18:00 horas.
É um serviço de atenção diária destinado ao atendimento de crianças e adolescentes que apresentam prioritariamente intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso de substâncias psicoativas, e outras situações que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida.
Serviço porta aberta, ou seja, não necessita de encaminhamento.
Público Alvo: de 3 anos até 18 anos incompletos (17 anos, 11 meses e 29 dias).
Horário de atendimento: Segunda a sexta-feira das 08:00 às 18:00 horas.
Trabalho desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UEPG analisou materiais publicados de 2019 a 2022
Com o objetivo de analisar a abordagem da imprensa em relação à fome e insegurança alimentar durante os quatro anos do governo do presidente Jair Bolsonaro (2019 a 2022), a mestranda do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Gabriella Vasco, defendeu, no dia 27 de setembro, a dissertação: “O ‘flagelo da fome’: análise da cobertura sobre a fome e insegurança alimentar realizada por portais jornalísticos brasileiros no período de 2019 a 2022.” A pesquisa foi orientada pela professora Graziela Bianchi e apresentada no miniauditório da UEPG Central.
No trabalho, foram estudadas 31 notícias de portais jornalísticos nacionais, que tratavam sobre o tema. Um crescente foco nas matérias em relação à insegurança alimentar foi percebido a partir de 2019, e com aumento ainda mais presente no período da pandemia do Covid-19, a partir de 2020.
Gabriella explica que a escolha do tema sobre a cobertura jornalística da fome e da insegurança alimentar foi motivada pela crescente relevância dessas questões no cenário social e econômico brasileiro. “Como jornalista e pesquisadora, sempre me interessei por temas que refletem a realidade das populações mais vulneráveis, e a fome, como uma das formas mais graves de exclusão social, é um problema que exige atenção contínua e uma abordagem mais profunda por parte da mídia”, relata a pesquisadora.
A análise realizada pelo trabalho organizou uma divisão do material coletado a partir de quatro blocos a serem observados: estrutura da notícia, fontes consultadas, utilização de imagens e recursos multimídia e aspectos de interseccionalidade presentes ou não nas produções jornalísticas.
A jornalista diz acreditar que a cobertura desenvolvida pode e deve ir além dos dados e estatísticas, humanizando os números e ampliando o debate sobre a fome, um problema que afeta milhões de brasileiros de forma silenciosa. “Meu desejo, com a pesquisa, é o de contribuir para um jornalismo mais crítico e engajado, capaz de cumprir seu papel social de informar com responsabilidade e provocar reflexões”, conclui a pesquisadora.