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“Para o bem da humanidade, o regime sionista deve ser enterrado”, afirma Breno Altman

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Em evento realizado na UEPG, o jornalista explicou como o sionismo se tornou uma ideologia racista que promoveu o regime de apartheid contra os palestinos.

Cartazes nos corredores da UEPG denunciam a limpeza étnica feita por Israel Foto: Pietra Gasparini

O  livro “Contra o Sionismo: retrato de uma doutrina colonial e racista”,  do jornalista fundador do portal Opera Mundi, Breno Altman, nasce no contexto do genocídio promovido pelo estado de Israel contra a Palestina. A obra, que teve seu lançamento no Grande Auditório da UEPG no dia 28 de maio, mostra  as diferenças entre o judaísmo e o sionismo e explica como o sionismo se tornou uma ideologia racista que promoveu o regime de apartheid contra os palestinos. O evento também trouxe o debate sobre a questão Palestina e Israel e teve a participação dos convidados Ualid Rabah, presidente da Federação Palestina no Brasil (FEPAL), e a mediação do professor Luis Fernando Cerri, vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em História da UEPG e organizador do evento.

Breno Altmann em sua apresentação, ao lado do professor Luís Fernando Cerri Foto: Natalia Almeida

Altmann afirma que não é possível entender a história e a natureza de Israel e sua relação com o povo palestino sem levar em conta a doutrina que rege seus passos. O sionismo é essa doutrina. Ele explica que a corrente políticia ideológica criada em 1892, pelo jornalista hungáro Theodor Herzl, tem como objetivo a criação de um país que abrigue o povo judeu, baseando-se na história milenar de perseguições Mesmo com origem comum, a dispersão dos judeus ao longo dos séculos fez com que eles se diferenciassem bastante, não sendo possível defini-los como uma nacionalidade, tampouco como seguidores de alguma religião, pois os judeus possuem diversas nacionalidades e religiões e não são um grupo homogêneo.

De acordo com Altman, pode-se dizer que os judeus são povos de uma origem religiosa muito antiga, que viriam a se organizar em vários núcleos etnico culturais, com valores e tradições semelhantes. São semitas, isto é, tem como principal conjunto linguístico os idiomas semíticos, como o árabe e o hebraico. Os judeus não eram uma nacionalidade sem territórios ou dominada por estados coloniais, mas uma etnia diversa que o sionismo iria agrupar sob um discurso de libertação nacional. O lema dos sionistas era “Uma terra sem povo para um povo sem terra’’, ou seja, a proposta do regime era a criação de um estado judeu na Palestina, sobre a supremacia de uma etnia e não de uma nacionalidade. “Uma solução racista para um problema racista”, resume Breno Altman ao definir a corrente que determina o estado de Israel.

Breno Altman é jornalista e fundador do portal Opera Mundi, onde escreve e apresenta os programas Outubro e 20 Minutos. Foto: Pietra Gasparini

Com a justificativa de voltar para a sua terra, os sionistas invadiram a Palestina, que era inteiramente ocupada pelos árabes. Desde então, a Palestina tem vivido uma situação contínua de guerra. O conflito entre Israel e Palestina, que teve início no dia seguinte à criação do Estado de Israel, em 1948, é uma das questões mais complexas da geopolítica atual. Depois desse conflito inicial ocorreram mais  duas guerras nas décadas seguintes, a Guerra dos 7 dias e a Guerra do Yom Kippur, ambas vencidas por Israel.

No entanto, os conflitos não acabam; no dia 7 de outubro de 2023 aconteceu um ataque do Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), que invadiu o sul de Israel  lançando uma ofensiva de grande porte contra Israel. Este ataque é um dos piores  das últimas décadas, resultando em tragédia e perda de vidas nos dois lados. O movimento islâmico exigiu que Israel parasse imediatamente a  agressão  em Gaza e os  crimes de  limpeza étnica, mas o pedido não foi atendido. Israel  reagiu ao ataque com diversas ofensivas militares que continuam acontecendo. Segundo  informações trazidas pelo presidente da Federação Palestina no Brasil (FEPAL), Ualid Rabah, até o dia 28 de maio deste ano, dados oficiais indicavam 36.579 pessoas assassinadas em Gaza, considerando os cerca de 8 e 10 mil desaparecidos. “Estamos falando de 45 a 46 mil exterminados, isso é 2.1% da população de Gaza, o que equivaleria, por exemplo, a 4 milhões de brasileiros, isto em apenas 235 dias”, destaca Rabah. O presidente da FEPAL também  afirma que essa é a maior limpeza étnica da história, e isso é um “resultado natural” do que é o sionismo.

 Além do genocídio, os moradores de Gaza lidam com a escassez de alimentos e de energia elétrica. Segundo a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA, na sigla em inglês), muitas crianças têm somente água salgada para beber. Diante do cenário vivenciado na Palestina, Breno Altmann ressalta como cada pessoa, mesmo que não seja israelense ou palestina, deve reagir para tentar evitar que mais mortes aconteçam.

“Não é apenas uma questão da palestina, é uma questão da raça humana”, afirma Ualid Rabah. Foto: Pietra Gasparini

O ativista afirma que o dever do mundo inteiro é denunciar o estado criminoso de Israel e prestar solidariedade à resistência da Palestina, sem relativiza-lá ou dizer que os dois grupos (Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e Hamas) são igualmente terroristas. “Uma coisa é a violência do opressor, outra é a violência do oprimido, que reage pela violência porque não lhe é dada outra possibilidade”, analisa Altman.

 

Novo Ensino Médio impacta no desempenho estudantil dos alunos

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Diferenças entre estudantes de escolas públicas e privadas são ressaltadas com as mudanças.

O Novo Ensino Médio foi aprovado em 2017 e implementado nas escolas de maneira gradual. Em 2022, na 1ª série, em 2023, na 1ª e na 2ª série, e em 2024 em todas as séries do ensino médio. Porém, o Governo Federal já afirmou que o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, só se adaptará ao novo sistema em 2027. O Enem é usado como critério de seleção para quem pretende ingressar em universidades públicas, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), em faculdades particulares, concorrer a uma bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni), e ter acesso ao Financiamento Estudantil (Fies). Além disso, diversas faculdades utilizam o resultado do exame como critério de seleção para o ingresso no ensino superior, seja complementando ou substituindo o vestibular.

A estudante do último ano, Sabrina Moraes Senenke, está inserida no novo ensino médio. Ela estuda em um colégio estadual civil-cívico de Ponta Grossa, e escolheu a grade curricular de Exatas. Sabrina deixou de estudar matérias como Geografia, História, Filosofia, Sociologia e Inglês, por conta da grade escolhida. Foram adicionadas disciplinas novas como Robótica, mas a estudante relata que o governo não oferece material para todos e isso afeta o desempenho das aulas. “A química do terceiro ano é focada 100% em agricultura, tecidos e reciclagem, as matérias em geral são uma “propaganda governamental”, expõe Sabrina.

Em relação ao Enem, Sabrina conta que está preocupada com seu desempenho, pois teve que estudar muitos dos conteúdos por conta própria. “O ensino não está fornecendo conteúdo adequado para qualquer prova, ainda mais o Enem”, reclama. Com firmeza, a estudante ressalta que se pudesse, voltaria ao antigo sistema. “O novo ensino médio é uma barreira gigante que colocaram que está atrapalhando os alunos das escolas públicas”, finaliza.

Outra estudante do último ano, Letícia Schastai Sampaio, também estuda dentro das normas do novo ensino médio. Ela, porém, frequenta um colégio particular da cidade. Ao escolher uma grade para seguir, a aluna conta que não houve um decréscimo de matérias, apenas disciplinas específicas foram adicionadas. “As matérias extras são sem utilidade, tomam espaço que poderia ser de estudo”, afirma.

Diante das diferenças adotadas pelas escolas públicas e particulares em relação ao novo ensino médio, o professor do Departamento de Letras da UEPG, Paulo Rogério de Almeida, entende que o novo sistema é um retrocesso. “Já existia a desigualdade entre escola pública e particular, mas a tendência é que essa disparidade aumente”, lamenta. Questões como ter menos disciplinas, falta de professores e aulas interrompidas pelas greves são problemas frequentes nas escolas públicas, o que dificulta ainda mais os estudos. “Noto um retrocesso nas políticas públicas em todos os sentidos, então algo precisa ser feito para dar mais apoio aos alunos que cursam o ensino médio”, declara o professor. Com relação ao ingresso em universidades, Almeida entende que para serem aprovados, os estudantes de escolas públicas terão que ter uma dedicação ainda maior.

Em 2024, o Enem será realizado nos dias 3 e 10 de novembro. As inscrições para participar do exame vão até amanhã, dia 14, e podem ser feitas na Página do Participante. É necessário inserir o CPF e possuir uma conta no Portal do Governo Federal para realizar a inscrição. 

 

Invisibilidade da Saúde Mental Materna

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O esgotamento mental materno é pouco falado, mas muito vivenciado pelas mães.

 

De acordo com dados da pesquisa  “De Mãe em Mãe”, realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), mais de 90% das mães brasileiras vivenciam esgotamento mental. Outros estudos desenvolvidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revelam que cerca de 26,3% das parturientes apresentam sintomas de depressão pós-parto. 

 

A costureira Patrícia Bahls, 48 anos, é uma dessas mães que vivenciou o esgotamento mental e a depressão pós-parto com seus dois filhos. Segundo ela, parecia que todo aquele amor que sentia durante a gravidez havia sido arrancado dela. “Eu me sentia destruída, feia, abandonada, e sem apoio nenhum, eu olhava para a criança, logo após ter o filho, e não tinha amor por ela, para mim era apenas uma criança”. 

A psicóloga perinatal e representante-regente da Campanha Maio Furta-Cor, Nicolle Fontanela, explica esse processo. Ouça a seguir.

 

 

Patrícia Bahls com seu segundo filho, Eli. Foto: Natalia Almeida.

Após o segundo parto, Patrícia vivenciou novamente os mesmo sentimentos e traumas, “Não conseguia cuidar da casa, mal conseguia tomar um banho. Não tinha uma rede de apoio, alguém que ficasse ali do meu lado, conversasse comigo, ou um psicólogo, acho que toda mãe deveria ter isso”, argumenta.

Patrícia também falou sobre a saúde mental materna ao longo da vida.  

A agente de saúde Bianca Marcondes, 33 anos, conta que caiu em uma rotina ao cuidar do filho. “Comecei a sentir uma tristeza profunda, qualquer coisinha eu chorava, não aguentava mais ficar em casa, então vi que precisava de ajuda e marquei uma consulta.” Ela ressalta a importância de buscar ajuda assim que uma situação foge de seu controle, e pontua a necessidade de dar mais visibilidade às ações de conscientização, para que todos saibam identificar quando uma mãe está passando por alguma situação de esgotamento mental.  Ouça o relato de Bianca.

Bianca Marcondes e seu filho. Foto: Natalia Almeida.

A psicóloga Nicolle Fontanela explica que a saúde mental materna é o estado de bem estar da mãe, e cuidar da saúde mental e emocional dessa mulher evita o desencadeamento de muitas doenças e também favorece a qualidade de vida dela e do filho. A profissional afirma que a  saúde mental da mãe influencia diretamente o desenvolvimento físico, emocional e psicológico da criança também.

Como e onde fazer doações para o Rio Grande do Sul

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No dia 27 de abril foram registrados os primeiros alagamentos no estado do Rio Grande do Sul, e três dias depois Porto Alegre já havia aberto os primeiros abrigos da cidade. De acordo com a Defesa Civil mais de 440 municípios do estado foram atingidos. Um mês depois, as chuvas continuam e cada vez a situação fica mais difícil para a população da região. Mesmo com a água abaixando em algumas cidades os danos ainda são incalculáveis. Em todo Brasil mobilizações estão sendo feitas para conseguir donativos, confira abaixo o que doar e os pontos de coleta em Ponta Grossa.

Os Correios do país inteiro estão recebendo doações destinadas para o Rio Grande do Sul de forma gratuita. As doações são transportadas até o estado gaúcho sem custo nenhum para o doador. A prioridade é a doação de água potável, além de material de limpeza seco, ração para pets, cobertores, produtos de higiene entre outros. Alguns materiais específicos estão sendo requisitados, como absorventes para mulheres e fraldas para bebês. Em Ponta Grossa existem dez Agências de Correios, todas aceitando os donativos. 

O Grupo Tacla, rede de shoppings centers do Sul do Brasil, disponibilizou seus imóveis como centro de coleta de donativos. As doações podem ser entregues no Palladium Shopping Center, que fica na rua Ermelino de Leão, 703, em Olarias, e funciona das 10h às 22h. O foco é a arrecadação de roupas de cama e banho, além de itens de higiene pessoal e cestas básicas fechadas.

Outra iniciativa na cidade é o ‘JOIA Solidário’, realizada pela organização dos Jogos Inter-Atléticas de Ponta Grossa (JOIA). As 21 atléticas das universidades da cidade possuem pontos de arrecadação em seus locais de estudo, aceitando roupas e cobertores. A ação encerra em 8 de junho, no Ginásio de Esportes Zukão, onde todos os donativos serão contabilizados.

A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) iniciou a campanha “Criança tem de brincar”, com o objetivo de levar alegria para as crianças que se encontram nos mais de 30 abrigos de Porto Alegre. Os brinquedos podem ser enviados para a Sede da Sociedade de Pediatria do RS, na Av. Carlos Gomes, 328 – Sala 305 – Porto Alegre – RS – CEP 90480-000, onde levarão as doações para os abrigos.

O governo do estado do Rio Grande do Sul reativou o canal de doações SOS Rio Grande do Sul, em que os recursos arrecadados são revertidos para apoio humanitário às vítimas das enchentes e reconstrução das cidades. As doações podem ser feitas por meio da Chave Pix 92.958.800/0001-38.

Para facilitar as doações é necessário que os materiais doados estejam em bom estado e corretamente embalados. Separe os itens por categoria e em caixas ou sacolas com boa vedação, para os alimentos é necessário que não sejam perecíveis e estejam dentro da data de validade e lacrados.

 

Denúncias de violência contra criança e adolescente aumentam no Paraná

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Conscientização não é suficiente para enfrentar a violência 

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes acontece em 18 de maio. Este ano a campanha Faça Bonito chegou a sua 24° edição em Ponta Grossa. Mesmo com todos os movimentos e conscientização, o número de denúncias de violações contra crianças e adolescentes aumentou entre 2020 e 2023, de acordo com relatório realizado pelo projeto Cadê Paraná – Crianças e Adolescentes em Dados e Estatísticas, do Centro Marista de Defesa da Infância. O estudo teve como base três portais de denúncia sendo eles o Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e o Disque 100 – Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. 

De 2020 a 2022 o Sinan registrou 444.906  notificações de violências contra crianças e adolescentes e o Disque 100 registrou 575.795 denúncias. O Sipia recebeu 552.872 registros de 2020 a 2023. No período, foram registradas 2.827.032 violações contra crianças e adolescentes.

Segundo o estudo a prevalência de meninas como vítimas de abuso sexual pode ser observada em todas as faixas etárias, considerando todos os perfis de prováveis agressores.Os dados do Disque 100 apontam que 84% dos cenários de violência sexual física e psicológica contra crianças e adolescentes tem como agressor alguém da família. 

A professora de serviço social da UEPG, Danuta Cantoia, foi a coordenadora da semana de enfrentamento às violências contra crianças e adolescentes realizada na universidade em 2024. Ela afirma que enfrentar a violência não tem relação com aumentar o policiamento, legalizar o porte de armas ou construir mais cadeias. “Existe uma estrutura por trás da violência que não se resolve a partir dessas ações: a desigualdade”, esclarece. Danuta explica que o Brasil é marcado historicamente pela desigualdade, e altos índices de desemprego, fome e miséria apenas agravam o problema. “Crianças e adolescentes estão presentes neste sistema desigual, então investir estruturalmente na sociedade para enfrentar a desigualdade é o principal”, destaca.

A professora frisa que a violência não se apresenta apenas em situação de pobreza, ela também está presente nas camadas mais altas da sociedade. Ao falar de Ponta Grossa a pesquisadora ressalta o maior desafio da região: o que significa ser criança e adolescente. “A criança na sociedade é considerada um objeto, não um sujeito em formação com direitos e deveres”, lamenta. Danuta expõe que ao tratar as crianças como “pertences” a violência passa a ser socialmente aceita. Ela finaliza dizendo que o primeiro desafio é compreender a criança como um sujeito em desenvolvimento, que possui necessidades de cuidados especiais.

Para denunciar basta ligar para o Disque 181, que o registro será feito de forma anônima para a Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Também é possível fazer as denúncias para o Sipia, Sinan e Disque 100 citados no texto. As denúncias podem ser feitas por qualquer pessoa, vítima ou testemunha de situações de violência.

 

Campanha Maio Furta-Cor conscientiza a população sobre a saúde mental materna

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O mês de maio é marcado por ações pela conscientização e promoção de saúde mental nos calendários municipais e estaduais

A saúde mental materna é uma questão de saúde pública e diz respeito a todos. Foto: Onda Maio Furta-Cor Ponta Grossa

O Maio Furta-Cor é uma campanha comunitária sem fins lucrativos que busca conscientizar e sensibilizar a população para a causa da saúde mental materna. Este ano, a campanha tem como slogan “Uma mãe leva outra”. O movimento acontece desde 2021 e visa implementar políticas públicas de apoio às mães e trazer ações de conscientização. A campanha conta com mais de 400 representantes, que estão presentes em cinco continentes e em mais de 14 países. 

A representante do Maio Furta-Cor em Ponta Grossa, que também é doula e educadora perinatal, Juliane Gibala, fala sobre a campanha e maneiras de prevenir o adoecimento mental materno. “Precisamos fazer com que a comunidade pare de romantizar a maternidade e olhar para essas mães, mostrar que a gente se preocupa com o que acontece com elas porque isso influencia diretamente na construção da sociedade”. Segundo ela, o Maio Furta-Cor é uma forma de trazer essa percepção para a sociedade, ocupando todos os espaços possíveis, visto que a saúde mental materna é um assunto para todos, não só para as mães. “A gente não fala para as mães, mães já sabem disso, estamos falando para os maridos, para os adolescentes, para quem não quer ser mãe”, afirma. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que uma em cada cinco mulheres terá um episódio de saúde mental durante a gravidez ou até um ano após o nascimento do bebê. Outro estudo realizado pela fundação britânica Parent- Infant aponta que uma em cada dez mulheres apresenta dificuldade em criar vínculos com seus bebês. Cerca de 73% dessas mulheres não recebiam orientações sobre como enfrentar essa situação e estabelecer conexões verdadeiras entre mãe e filho, esse é um problema que a campanha tenta evidenciar.

A educadora perinatal relata que podemos diminuir o adoecimento mental materno criando programas de prevenção, como um pré-natal psicológico com protocolos atualizados e políticas públicas que atendam também mulheres em situação de vulnerabilidade. Além disso, é importante ouvir essas mulheres e olhar para cada uma com sua individualidade, sem comparação. 

A psicóloga perinatal e representante-regente da Campanha Maio Furta-Cor, Nicolle Fontanela, destaca que as políticas públicas servem de ferramentas para implementar mudanças progressivas na sociedade. E falar sobre a saúde mental materna ajuda a evidenciar a necessidade de promoção, prevenção e tratamento do adoecimento das mães. Nicolle pontua que isso pode ser feito a partir da capacitação de profissionais que já estão no atendimento às gestantes e mães no pós parto. “Essa capacitação pode ser feita para saberem rastrear possíveis transtornos mentais como depressão e ansiedade nas mães e assim encaminhá-las para o tratamento adequado”, explica.

Em Ponta Grossa, o Maio Furta-Cor conta com programações até o fim deste mês. Os próximos eventos podem ser conferidos no Instagram da campanha, @ondafurtacorpontagrossa

 

Nos próximos dias, o Elos trará o relato de mães que vivenciaram a invisibilidade da saúde mental materna.

Por Pietra Gasparini e Natália Almeida 

Pesquisadora desenvolve um manual de boas práticas jornalísticas para auxiliar no combate à bifobia

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No último dia 08, a mestranda em Jornalismo, Jéssica Danielle de Carvalho, defendeu sua dissertação no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que teve como título: “Bissexualidade em pauta: caminhos para práticas jornalísticas monodissidente”. 

  Com o objetivo de analisar a forma como a bissexualidade é retratada pelo jornalismo brasileiro, observando também as percepções de pessoas bissexuais sobre o tema, o trabalho questionou aspectos sobre os pontos em destaque na cobertura jornalística, lacunas, equívocos e preconceitos evidenciados. A pesquisa realizada também sugeriu um manual de boas práticas para coberturas jornalísticas relacionadas à bissexualidade, levando em consideração a ideia de construir um jornalismo anti-bifobia, que, conforme apresentou a estudante, não é uma tarefa exclusiva de repórteres e pessoas que atuam no dia a dia da notícia, mas é responsabilidade de toda a sociedade.

  A dissertação trabalhou com entrevistas semi-estruturadas, levando em consideração, na seleção das pessoas entrevistadas, a atuação acadêmica e/ou política em torno do tema, diversidade geográfica, racial e de gênero. A mestranda selecionou seis pessoas, das cinco regiões do Brasil, para dar seus respectivos depoimentos.

  O trabalho também realizou uma pesquisa exploratória no Portal de Teses e Dissertações da Capes. No levantamento, considerou termos como “bissexuais” e “bissexualidade”. Nesse percurso, realizado em 2022, foram catalogados 318 trabalhos, sendo 101 pesquisas que focam especificamente na bissexualidade e/ou em pessoas bissexuais, totalizando 31,7%, não sendo encontrado, no momento da busca, nenhum trabalho realizado em Programas de Pós-Graduação em Jornalismo.  

    A partir do estudo desenvolvido, a expectativa é que o manual elaborado possa colaborar com pesquisadoras (es), jornalistas e grupos interessados em discutir as questões da bissexualidade. A versão definitiva da dissertação estará disponível no repositório da biblioteca da UEPG em prazo de 60 dias após a defesa. 

Defensoria Pública de Ponta Grossa lança ação para mulheres

Defensoria com Elas contou com orientações jurídicas e agendamentos na área de direito da família

 No dia 26 de abril , na sede da Defensoria Pública de Ponta Grossa, aconteceu pela terceira vez a ação Defensoria com Elas. Foi um dia inteiro voltado para tratar de assuntos como divórcios, pensão alimentícia, encaminhamento para cumprimento da Lei Maria da Penha e orientações jurídicas para mulheres da cidade de Ponta Grossa e região que precisassem de auxílio.

   A defensora pública Raísa Bakker relata que o objetivo desse mutirão voltado às mulheres é incluir a Defensoria Pública (DPE) na rede de proteção à mulher. “Seja ela cis, lésbica ou trans, educando em direitos e na formação de lideranças locais da rede”.

Foto: Luiz Miguel Lemos

   Ao todo, 20 mulheres procuraram resolver problemas pendentes através do mutirão. As mulheres que foram atrás de auxílio após sofrerem violência doméstica foram encaminhadas para a Casa da Mulher de Ponta Grossa, onde vão receber o devido acolhimento com atendimento psicológico e social.

   Uma das mulheres atendidas durante o dia, que preferiu não se identificar, explica como foi o atendimento dos funcionários e advogados da Defensoria. “Fui bem recebida, bem acolhida e bem informada, os profissionais são totalmente capacitados para resolução dos problemas”. Além disso, ela considera a importância da ação da defensoria em forma de mutirão para dar suporte às mulheres que estão precisando de ajuda juridicamente. 

   A ação foi divulgada pelas redes sociais do DPE do Paraná e foi assim que a maioria das mulheres que participaram desse dia ficaram sabendo do serviço. Segundo a defensora Raísa Bakker, ainda não há previsão para a próxima edição da Defensoria com Elas.

 

Em busca de um jornalismo interseccional e inclusivo

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Projeto de extensão da Universidade Federal do Mato Grosso investe em um jornalismo antirracista e feminista

 

Jornalismo Feminista e Antirracista: vivências na extensão foi o tema do debate ministrado pela professora de Comunicação Social na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Tamires Coêlho aos estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A professora defende que o jornalismo deve ser feito de forma diferente e que há uma grande dificuldade no meio jornalístico em ouvir e dar voz aos segmentos minorizados. “Todos têm voz, a dificuldade é ser escutado pela mídia”, diz a jornalista, professora e pesquisadora.

O debate abordou como a disciplina de Extensão em Jornalismo funciona no curso da UFMT e as dificuldades em dar visibilidade às pessoas negras, LGBTQIAPN+, indígenas, mulheres e trabalhadores informais na mídia. 

Para trabalhar a inclusão na formação de estudantes de jornalismo, a professora coordena o projeto de extensão Pauta Gênero, ou Observatório de Comunicação e Desigualdades de Gênero, que busca abordar esse potencial transformador da imprensa. “Fazer um jornalismo antirracista e feminista, fugindo da misoginia e machismo, é possível”, garante Tamires. 

O projeto Pauta Gênero tem o objetivo de defender os Direitos Humanos e lutar pela perspectiva interseccional dentro da sociedade, a partir de produções de notícias e reportagens, análises e do Pautacast, um podcast voltado à crítica dos meios de comunicação para a reflexão das desigualdades. O canal do projeto publicou três episódios em homenagem ao Dia da Mulher.

Tamires também critica o papel da mulher na sociedade e no jornalismo. Ela assegura que a mulher é pressionada desde o nascimento a seguir um “modelo de vida” imposto pela sociedade. Para a professora que pesquisa sobre estudos de jornalismo, gênero e interseccionalidades, a mulher é sempre idealizada como dona de casa, mãe e dedicada totalmente aos filhos e marido, sempre priorizando a vida e bem-estar de sua família, nunca o próprio futuro e a profissão.

O projeto de extensão inspirou a criação do projeto de pesquisa Comunicação, Gênero e Mídia, que opera desde 2021 e atua junto às escolas de Cuiabá. Uma das suas frentes de ações é a apresentação de discussões e  oficinas sobre desinformação, gênero e sexualidade realizadas em escolas para estudantes do Ensino Médio, baseadas nas observações do Pauta Gênero. Por meio de análises e pesquisas, debateram com estudantes sobre fake news na política e a relação delas com o estudo sexual e de gênero nas escolas.

Tamires conta que, para tornar a visita nas escolas possível, ela e os participantes do projeto de pesquisa se centraram na abordagem de produção de fake news. Transparecendo que ainda há dificuldade em abordar temas interseccionais em escolas e universidades e evidenciando os preconceitos enraizados na sociedade brasileira até hoje, assim como afirma a professora.

O debate na UEPG ocorreu na quarta-feira (08) à tarde, na sala D-110 do Campus Central. Para conhecer mais sobre o projeto acesse: Linktree do Pauta Gênero.

 

Por João Pimentel

Caso Carlos Teixeira

Há poucos dias o caso do adolescente que perdeu a vida em decorrência de
agressões por bullying veio à tona e torna-se impossível que o caso não choque a todos por
tamanha tragédia. Adolescentes envolvidos em um crime, onde um deles teve sua vida
interrompida. É importante levar em conta que a prática do bullying fala diretamente sobre o exercício de poder, prática que é incentivada em muitos âmbitos da sociedade desde os
primórdios por adulto, logo, é reproduzida por crianças e adolescentes.
Vivemos em uma sociedade que normaliza esse jogo, localizado em persuasão,
maltrato, humilhação e agressão no âmbito profissional, estudantil e até mesmo no âmbito
familiar, sempre direcionando para figuras que apresentam maior fragilidade, ou ainda,
direcionado aquilo que foge à regra.
Quando pensamos sobre o bullying propriamente dito, ouvimos pessoas justificando:
“Sempre houve, na minha época não era bullying! Era normal apelidar e provocar!”. Não é
estranho que um trato degradante a outro ser humano seja normalizado e até mesmo
defendido por algumas pessoas como algo saudável e que faz parte da socialização?
A verdade é: Todos queremos uma identidade própria, mas ninguém quer ser vítima
de bullying. Na era atual ganhamos filtros digitais, cirurgias, entre outras intervenções para
nos adequarmos ao “normal” pois fugir a regra e assumir o lugar próprio de quem se é,
distanciado da massa, pode ser libertador mas escancara o risco de ataque.
É importante a delimitação: É normal a vivência de qualquer condição a qual eu
sobrevivi ou estamos falando sobre vivências, pessoas, condições, intenções e
comportamentos diferentes? Ter sido uma vítima sobrevivente não deve nos fazer apto para validar ou ainda, desvalidar o sofrimento do outro. O bullying, quando faz parte do
desenvolvimento da personalidade de alguém, imprime marcas irreparáveis no psiquismo.
Em psicanálise utilizamos de algumas teorias para compreensão do ser e das
relação. Sendo a prática de bullying vista como um sintoma, compreendemos-a como um
mecanismo de projeção. Para que eu possa ser perfeito e assegurar minha perfeição,
preciso jogar o imperfeito, feio, ruim e errado ao outro, só assim posso conviver com minhas diferenças e inseguranças, projetando-o aos outros para que possa fingir que não estão em mim.
Através dessa separação, exemplificando de forma simples como: “Você é feio e eu
sou bonito!” A criança ou adolescente inicia sua separação de quem é e o que deseja vir a
ser, além de demarcar seu espaço como de alguém mais valoroso. Havendo uma
orientação falha, essa separação pode se dar de forma violenta.
O caso do adolescente Carlinhos chama atenção para diversos pontos: Há uma
vítima fatal e outros adolescentes envolvidos, que são localizados como autores da
violência. Além deles, há testemunhas, incluindo adultos.

É importante conceitualizar ainda que vítima e autores são pessoas em condição de
desenvolvimento, sendo assim dependem de um olhar atento visando cuidado, orientação e
ainda a redução de fatores de risco. Quem insere a criança e o adolescente, a linguagem,
afetividade, socialização, instrui sobre como relacionar-se com outras pessoas e ainda os
orienta sobre certo e errado são os adultos.
Crianças e adolescentes necessitam de auxílio para lidar com seus impulsos, seus
sentimentos e comportamentos, sendo um perigo simplificar tal questão na criminalização
os “autores” e desconsiderar um contexto que favorece a prática da violência e muitas
vezes ainda, contextos de omissão por parte de adultos que realmente devem se
comprometer na instrução e acolhimento de crianças e adolescentes inseridos em contextos de bullying.

 

Amanda Chaves Orza – Psicóloga e psicanalista