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Departamento de Jornalismo da UEPG condena censura prévia à imprensa no PR

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Docentes do Departamento de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa expressam profunda indignação mediante decisão judicial no último sábado (02/12) que impediu circulação de notícias sobre processo investigativo que envolve os deputados estaduais Ademar Traiano (PSD), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná desde 2015, e Plauto Miró (União Brasil), que não conseguiu se reeleger no último pleito.

A medida do Tribunal de Justiça do Paraná concedeu liminar para proibir o portal G1, a emissora RPCTV (TV Globo) e o site Jornal Plural de noticiarem informações sobre ação penal que envolve os respectivos representantes, seguidas vezes eleitos e reeleitos para a casa de leis do Estado.

Este corpo docente entende que a censura prévia a órgãos jornalísticos em nada condiz com os princípios democráticos e de transparência que devem recobrir atos públicos em quaisquer níveis do Poder Legislativo – municipal, estadual ou federal.

Defendemos que a informação de interesse público e respaldada pelos parâmetros profissionais de qualidade do Jornalismo serve como elemento fundamental de exercício pleno da cidadania, o que inclui o acompanhamento sistemático do que fazem ou deixam de fazer nossos representantes nas esferas de Poder.

Em conjunto com entidades de classe e do setor, este Departamento soma-se ao pedido da derrubada imediata da referida liminar solicitada pelo presidente da Alep.

Crime e religião na pauta do debate público

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Bruno Paes Manso discute realidade de violência no Brasil atual

 

A violência urbana ganhou destaque no relato de Bruno Paes Manso, ganhador do Prêmio Jabuti de Reportagem e Biografia, jornalista convidado da Semana de Estudos em Comunicação no dia 22 de novembro. A palestra “Dinheiro, fé e fuzil: o Brasil do crime e da religião sob investigação” abordou as experiências que teve no jornalismo criminal, e as investigações do jornalista sobre o que gera a violência no país. ‘’O intuito é criar confiança de que não haverá uma denúncia e tentar entender a motivação da pessoa por trás do crime, pois o pior mal para o jornalista é a indiferença’’, explica o criminólogo que entrou na área pela quantidade de chacinas em São Paulo que cobria pela revista Veja.

O sensacionalismo tem crescido com a propagação de fake news na internet, mas não é de hoje que a população se interessa por tragédias na mídia. ‘’O entretenimento mórbido das polícias atrai a audiência e o jornalista deve mostrar a complexidade deste cenário sem transformá-lo em um circo midiático com juízo de valor’’, explica Bruno, também doutor em Ciência Política com experiência na área da Sociologia Urbana e Criminologia.

“Tanto o PCC como as igrejas pentecostais são instituições criadas pelos pobres, para os pobres, que produziam novos discursos capazes de reprogramar as mentes”, afirma Bruno em seu livro. Ainda na narrativa, o autor conta o processo de conversão de presidiários dentro do sistema carcerário e como a instituição religiosa se relaciona intimamente com organizações criminosas. O jornalista também explora a ascensão ao poder de Jair Messias Bolsonaro e a religião embrenhada na história. “O fato de ele estar vivo, afinal, só podia ser milagre de Deus […] Nada disso importava; o sagrado havia entrado em cena.”

Ainda na palestra, Bruno ressalta que acredita só ter sido capaz de realizar tais investigações por ser homem, visto que mulheres no jornalismo estão sujeitas a mais violências, especialmente no ramo do jornalismo criminal.

A aluna do primeiro ano do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Juliana Emelly Ferreira, conta que já acompanhava o trabalho do palestrante e que o painel apresentado reforçou a vontade de trabalhar nesta área do Jornalismo no futuro. ‘’Minha motivação vem da forma com que a profissão atua nas injustiças da sociedade, e é um incentivo ouvir os relatos de um profissional que ouve a pessoa e a trata como ser humano, sem ser um juiz de caráter”, diz. 

A mediação foi realizada pelo professor do Departamento de Jornalismo da UEPG, Ben Hur Demeneck. O evento foi parte da programação da 32ª Semana de Estudos em Comunicação e da 17ª Semana de Integração e Resistência, ambos eventos tradicionais do Curso promovidos com apoio do Centro Acadêmico João do Rio, criados para conectar a comunidade acadêmica em debates.

A estudante e vice-coordenadora do Cajor, Emelli Schneider, fala da relevância dos assuntos tratados pelo palestrante para a formação de estudantes. “O Jornalismo especializado está em falta na grade curricular, e é importante ter uma pessoa de renome como o Bruno para servir de referência aos alunos que às vezes nunca pensaram em atuar nesta área”, observa.

 

Por Vinicius Orza e Victor Schinato

Foto: Victoria Fonseca

Políticos que são donos de mídias propagam desinformação e ferem direitos humanos

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Estudo feito pelo Intervozes identificou 45 candidatos que eram proprietários ou estavam envolvidos com propriedades familiares de mídias em 2022

 

O monitoramento feito pelo Intervozes, durante as eleições do ano passado, mostra que aumenta o número de políticos proprietários ou que estão envolvidos com propriedades familiares de mídias a cada eleição. Em 2022 eram dezoito candidatos a deputado federal, treze a deputado estadual, seis ao Senado e um a suplência do Senado, cinco ao cargo de governador e dois de vice-governador. Além disso, foi identificado um perfil homogêneo: mais da metade são homens (trinta e oito), brancos (trinta e três) e milionários (trinta e três). Há apenas uma mulher branca e nenhum homem negro e mulher negra.

 A propriedade de comunicação por políticos fragiliza a democracia, pois o artigo 54 da Constituição Federal proíbe “firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público” e a partir da posse “ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada”. 

 A coordenadora executiva do Intervozes, Olívia Bandeira, destaca os interesses associados. Isto é, além da mídia, parte dos grupos associados também possuem negócios em outros setores da sociedade. “Um exemplo é o agronegócio e a mídia. Os proprietários da Globo também são proprietários de terra. Há uma relação antiga e uma construção de imagem positiva por meio de músicas, novelas e da propaganda ‘Agro é Tech, Agro é pop, Agro é tudo’”, comenta.

 Outro problema gerado pelos políticos donos de mídias é a ausência de pluralidade. A internet começou com um contraponto aos monopólios de mídias tradicionais e que prometia pluralidade. Entretanto, foi se transformando em um modelo de monopólio que mudou a sua estrutura e acabou sendo configurada por interesses políticos. 

 A coordenadora do Intervozes explica que o poder da internet está no forte domínio de um nicho de mercado e que atua no mundo inteiro via Google, Meta, Microsoft e Amazon. Acrescenta que esse poder não fica apenas no próprio nicho. “O problema vai além da monopolização. A arquitetura foi desenhada com uma série de consequências, dentre elas, os conglomerados acessarem com mais facilidade os nossos dados devido ao poder”, diz.

 

Regulamentação da mídia

 A regulação democrática é a liberdade de expressão garantida. No caso das redes sociais, as regras são definidas pelas próprias plataformas, ou seja, a sociedade não tem poder para discutir o que é feito ou o que é mostrado. A coordenadora executiva do Intervozes, Olívia Bandeira, reforça que a regulação da mídia não é sinônimo de censura. “As plataformas digitais violam direitos humanos porque lucram mais com conteúdos extremistas. Quando falamos em regulação [da mídia], falamos no controle pela sociedade”, pontua.

Por Gabriela Oliveira

Nova lei que expande a assistência psicológica para gestantes é sancionada no Brasil

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O acompanhamento, disponibilizado pelo SUS, deve ser realizado durante a gestação e após o parto

 

   No dia nove de novembro de 2023, o presidente Lula sancionou a lei 14.721, que expande a assistência psicológica às gestantes. O direito deve ser garantido durante toda a gestação, e após o parto, através do Sistema Único de Saúde (SUS). A lei acrescentou dois parágrafos ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O primeiro, indicando que gestantes e puérperas devem ter acompanhamento psicológico após a avaliação médica, e o segundo, que determina aos estabelecimentos de saúde pública e também privados que desenvolvam obrigatoriamente atividades sobre a conscientização da saúde mental materna.

    Segundo a campanha comunitária idealizada pela a psicóloga clinica e perinatal Nicole Cristino e a médica psiquiatra Patrícia Piper Maio Furta-Cor, que visa sensibilizar a sociedade para a causa da saúde mental materna e estimular a construção de políticas públicas de saúde através de projetos de leis, em média quatro em cada 10 mães estão deprimidas dentro de suas casas, muitas por não terem uma rede de apoio e que, mesmo o pai da criança morando na mesma residência, ainda assim pode não proporcionar o auxílio necessário para cuidar de um bebê.

   A doula Juliane Carrico, representante da campanha Maio Furta-Cor, comenta sobre sua experiência pessoal referente à rede de apoio e saúde mental. “Eu sou mãe solo, que tem uma rede de apoio pequena e que utiliza os serviços da saúde pública, eu tive grande dificuldade em entender como funcionava a logística dentro da saúde primária no SUS para questões psíquicas, até participar da campanha eu não sabia nem que existia um ambulatório de saúde mental na cidade”, argumenta. 

   Em Ponta Grossa, o Ambulatório de Saúde Mental (ASM) fica localizado na Rua Princesa Isabel, 228, no bairro São José. O horário de funcionamento é de segunda a sexta das 07:00 as 17:00 horas, o agendamento prévio pode ser realizado através do telefone  (42) 3220-1015 ou presencialmente.

Sobre vivências travestis comemora um ano

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O documentário Sobre vivências travestis celebra neste dia 24 de novembro um ano de publicação no canal do youtube. Nós do projeto Elos convidamos você a conhecer a trajetória das primeiras travestis de Ponta Grossa/PR (Debora Lee e Fernanda Riquelme), os enfrentamentos, afrontamentos e a militância junto à população LGBTQIA+.
Uma produção realizada pelo projeto de extensão Elos-Jornalismo, direitos humanos e formação cidadã em parceria com a Ong Renascer. Neste um ano de veiculação foram 227.375 visualizações. Se você não viu, vale a pena conferir.

Louvor à ancestralidade e valorização da cultura negra

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Em busca de resgatar a ancestralidade, o centro de terreiro Corações de Àsé e o dirigente do Ylê Égbè Asè Oba FunFun, Bábàlorixá Alamire, promoveram um batuque na Estação Saudade, localizada no Parque Ambiental. “Estamos tentando inserir a cultura afrobrasileira na cidade de Ponta Grossa, com samba de terreiro, batuque e capoeira”, declara Rosangela Mileo, integrante do Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais (ISNEC), uma organização não gorvernamental que luta pelo direito dos negros na região dos Campos Gerais. 

“O evento é para quebrar os paradigmas que a sociedade tem contra a cultura afro e também para louvar a nossa ancestralidade, independente da religião ou cor”, relata o dirigente do Ylê Égbè Asè Oba FunFun. O evento foi realizado no Dia da Consciência Negra e contou com roda de capoeira, samba de terreiro e Islam. Segundo a integrante do terreiro Corações de Àsé, Ekedj Nathy, o encontro é importante para mostrar que o preto tem voz e que a cultura afro pode ser celebrada em público e não ser discriminada. “A população da cidade de Ponta Grossa tem uma mente muito fechada, eles não conseguem entender que o que faz bem pra mim não precisa fazer bem pra você, mas não te dá o direito de não me respeitar”. 

De acordo com Brayan Schultz, integrante do  terreiro Corações de Àsé, a importância deste evento é acolher diversos grupos sociais para celebrar a cultura afro. “Não importa sua cor, se você é LGBTQIA+, indígena e etc, esse encontro acolhe a todos”, diz. Brayan ainda lembra que a luta contra o preconceito é o ano todo e não só na semana da consciência negra.

Por Amanda Grzebielucka

20 de Novembro – Dia da Consciência Negra e sua Importância

O Brasil é o pais que possui a maior população preta fora da África, com cerca de 56% do total de habitantes, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizado em 2022. Mas mesmo sendo a maioria, a população negra ainda é invisibilizada pela sociedade. 

A data foi instituída pela Lei nº 12.519 de 2011. O texto tem a autoria da então senadora Serys Slhessarenko e tem como objetivo a memória da luta de Zumbi, líder quilombola morto em 1695 que tornou-se símbolo de resistência à escravidão no país. Porém, muitos pensam que a data é desnecessária e diminui a importância de um quantitativo tão importante da população brasileira. Vários se perguntam “qual a necessidade de uma data para celebrar a consciência negra?”

A resposta para esta pergunta é complexa. O geógrafo e professor Milton Santos (1926 – 2001) proferiu em uma entrevista a seguinte frase “Eu tive a sorte de ser negro em pelo menos quatro continentes e em cada um desses é diferente ser negro e; é diferente ser negro no Brasil.” E salienta que o povo brasileiro tem dificuldade em refletir acerca da questão racial no país. Santos defende que as políticas públicas voltadas à esta população perpassam as dimensões sociais, econômicas e territoriais – por exemplo, a Lei de Cotas (Lei 12.711) proposta em 2012 e revisada este ano. 

Por mais que o Brasil seja um país de maioria negra, a população preta ainda está longe de alcançar posições de destaque. Isto é reforçado pelo racismo estrutural (uma boa pedida é a obra do jurista, professor e atual ministro dos Direitos Humanos, Silvio de Almeida) que nada mais é do que a maneira de como o pensamento racista está enraizado na sociedade brasileira. Números mostram.

De acordo com o levantamento realizado pelo portal de empregos Vagas.com, somente 0,4% dos cargos de chefia das empresas são ocupados por negros. O mesmo levantamento mostra que as únicas posições em que os negros lideram são os cargos operacionais, com 33%. Além disso, a renda média de um negro é 75% menor do que a de um branco no mesmo cargo, segundo estudo do IBGE divulgado em 2022. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) indica que a igualdade entre brancos e negros, em condições de trabalho, se dará somente daqui 167 anos.

Já no ensino superior, embora houve crescimento no número de alunos pretos no ambiente acadêmico público – que chegou a faixa de 53% – segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em 2020. No entanto, este público ainda enfrenta dificuldades de permanência nas universidades, principalmente em cursos como Medicina e Engenharia. 

O Dia da Consciência Negra se faz necessário na construção de uma sociedade diversa, inclusiva e equânime. Trazendo a frase da filósofa estadunidense Angela Davis “Numa sociedade racista não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”.

 

Por Gabriel Passos – Geógrafo pela UFV, Mestrando em Computação Aplicada pela UEPG e Secretário Adjunto do Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais

Diferentes faces do orgulho

Parada LGBTQIAPN+ dos Campos Gerais coloriu o domingo de Ponta Grossa

Após contratempos, a Parada LGBTQIAPN+ dos Campos Gerais aconteceu no dia 12 de novembro, na Concha Acústica, ao lado do Shopping Popular e da Estação Saudade. Em um domingo de muito sol, o público se reuniu no centro de Ponta Grossa para apreciar a apresentação de drag queens e músicos locais.

Apesar de problemas decorrentes de mudança de local, o trâmite legal para obtenção dos alvarás e a intrusão de fundamentalistas religiosos com violação dos direitos humanos, que realizavam entrega de folhetos de caráter lgbtfóbico e afirmavam que era a última oportunidade de “se arrepender”, a Parada ocorreu da melhor maneira possível, como informou a equipe organizadora.

O evento, que deveria acontecer no Lago de Olarias, foi remarcado após problemas com o mau tempo. Por logística de montagem de palco, aconteceria no Parque Ambiental, no mesmo local onde ocorre o projeto Sexta às Seis. Mas, em razão da presença do Parque de Diversões, foi alterado mais uma vez para perto do Shopping Popular. 

É necessário ressaltar a importância de eventos que evidenciam a presença LGBTQIAPN+ em Ponta Grossa, para que a população com representatividade minoritária na sociedade seja vista e políticas públicas possam ser implementadas para atender demandas emergenciais desta população.

A partir desse ensaio, a equipe Elos busca retratar as diferentes pessoas presentes na Parada e na comunidade LGBTQIAPN+ de Ponta Grossa, em toda a sua pluralidade e vivências diversas.

 

Por Victor Schinato e Vinicius Orza

 

Projeto Elos divulga atividades extensionistas no CONEX 2023

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O projeto de extensão Elos – Jornalismo, Direitos Humanos e Formação Cidadã, do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), completa seis anos de atividade em novembro. Em 2023 o projeto participou com cinco apresentações no Encontro Conversando sobre a Extensão na UEPG (CONEX), maior número de trabalhos apresentado desde a criação do Elos.

O CONEX é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais, com o objetivo de divulgar e abrir espaço para discutir as atividades extensionistas realizadas pela comunidade acadêmica na UEPG. As professoras responsáveis pelas atividades do Elos são Paula Melani Rocha, Karina Janz Woitowicz e Graziela Soares Bianchi.

As apresentações feitas no CONEX mostraram as atividades feitas pela equipe de integrantes do Elos. Os assuntos foram: defesa de direitos da comunidade LGBTQIAPN+, iniciativas do projeto Elos em parceria com a comunidade local para produções em audiovisual, estratégias para ampliar as campanhas solidárias na Ocupação Ericson Duarte, os eventos de extensão desenvolvidos pelo Elos e as divulgações dos direitos humanos feitas através do instagram do Elos.

Mães Universitárias- Thifany Dos Santos

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Mães estudantes não têm apoio da universidade para concluir estudos, esse é o segundo episódio com relatos de alunas da UEPG que sofrem dificuldades para permanecerem na universidade. Hoje vamos falar da aluna Tiffany, de 21 anos, estudante de ciências biológicas e mãe do Miguel de três anos.