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NÚCLEO DE ESTUDOS DA UEPG REPUDIA DECRETO QUE PROPÕE ABOLIR EXPRESSÃO “VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA”

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Núcleo de Estudos lança nota de repúdio à proposta de abolição do termo “Violência Obstétrica”

O Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Saúde Reprodutiva, Comunicação em Saúde e Direitos Humanos, da UEPG, divulgou uma nota de repúdio ao decreto do Ministério da Saúde que propõe a abolição do termo “Violência Obstétrica”. O Núcleo, formado por graduandos, pós-graduandos e professores da Universidade, promove estudos e pesquisas sobre a humanização do parto e direitos reprodutivos. Segue o documento divulgado:

 

O Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Saúde Reprodutiva, Comunicação em Saúde e Direitos Humanos da Universidade Estadual de Ponta Grossa manifesta repúdio ao despacho de 03 de maio de 2019 do Ministério da Saúde que não reconhece a existência de violência obstétrica nos serviços de saúde brasileiros. O uso do termo violência obstétrica resulta de denúncias das mulheres que sofrem as consequências das violações de direitos na assistência à gestação, parto e pós-parto, tais como maus-tratos, desrespeitos e cuidado negligente.

Até o referido despacho, o Ministério da Saúde brasileiro reconhecia a luta das mulheres. A mudança de posição está manifesta no despacho ao indicar que o uso do termo violência obstétrica “não agrega valor e, portanto, estratégias têm sido fortalecidas para a abolição do seu uso”. O principal argumento mobilizado pelo Ministério é de que os profissionais não têm intenção de prejudicar ou causar dano. A justificativa é questionável porque exime de responsabilidade instituições, profissionais e gestores por ações ou omissões – intencionais ou não – que causam danos físicos, psicológicos e sociais às mulheres e suas famílias. O posicionamento do Ministério contraria o disposto na Convenção Interamericana para.Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, conhecida como Convenção de Belém do Pará de 1994, promulgada pelo Decreto no 1973/1996. O ato normativo define a violência contra a mulher como “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada”. No Brasil, a pesquisa “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado”, promovida pela Fundação Perseu Abramo em 2010, constatou que uma em cada quatro mulheres sofre alguma violência no atendimento ao parto no país. A pesquisa Nascer no Brasil, realizada em 2011-2012 pela Fundação Oswaldo Cruz, identificou que apenas 5% das entrevistadas teve um parto livre de intervenções. Além de artigos acadêmicos, dissertações e teses que documentam as situações de violência obstétrica, destacam-se os documentários “Violência Obstétrica: a Voz das Brasileiras” e “O Renascimento do Parto 2”. Em âmbito local, há os documentários “Nascer Mulher: Relato de Violência Obstétrica em Ponta Grossa” e “Quem vê minha Dor!”, desenvolvidos na Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Entende-se que o posicionamento da atual gestão do Ministério da Saúde, além das considerações apontadas, demonstra um ataque às mulheres e um retrocesso aos direitos duramente conquistados. Nesse sentido, cabe a seguinte frase de Beauvoir: “[…] basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. É preocupante a postura do governo federal enquanto persistem desafios grandiosos para a melhoria da qualidade da atenção obstétrica no país.

Ponta Grossa, 23 maio de 2019.

NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS INTERDISCIPLINARES EM SAÚDE REPRODUTIVA, COMUNICAÇÃO EM SAÚDE E DIREITOS HUMANOS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA

Fórum da Diversidade aborda avanços e retrocessos da comunidade LGBT

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Em comemoração ao Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, o Grupo Renascer organizou nesta sexta-feira (17) o 16º Fórum de Direitos Humanos no auditório do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Com início às 14 horas, a mesa de discussão teve a presença de Débora Lee, Fernanda Riquelme, Bruna Chagas, Rubens Gonçalves, Sílvio Viera Júnior e da advogada do Renascer, Beatriz Martins Francisco.

O evento é realizado anualmente na mesma data para debater os problemas e desafios enfrentados pelas minorias em Ponta Grossa. Cleiton dos Reis, conselheiro dos direitos de LGBTs, destaca a importância da realização do Fórum. “É necessário debater os avanços que tivemos e também olhar para os retrocessos. É vergonhoso o Brasil ser o país que mais mata gays no mundo, principalmente no momento atual em que parecemos desamparados pelas propostas governamentais”, analisa Cleyton.

O Brasil registrou 141 mortes de LGBT somente neste ano, o que representa uma morte a cada 23 horas, segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) divulgado nesta sexta-feira (17). Os dados mostram que, apesar de os homicídios de LGBTs no país diminuírem 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, o Brasil ainda é líder em assassinatos.

Beatriz Francisco, advogada do Grupo Renascer e uma das palestrantes do evento, lembra que as minorias precisam de leis específicas para serem amparadas, como é o caso da criminalização da homofobia, discutida pelo Superior Tribunal Federal. Ela explica que a proposta de lei foi discutida no início do ano, mas acabou suspensa porque havia outras pautas a serem julgadas. “A proposta a princípio é tipificar a homofobia junto ao crime de racismo, porém isso não é o ideal, tem que criar um artigo específico que criminalize a homofobia com penas que devem ser discutidas pelo STF”.

Por Luiz Zak

Jornalismo oficializa o patriarcado

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Que as redações de jornais estão precarizadas, já sabemos! Que a mídia tradicional vem sofrendo com graves imprecisões éticas é visível! Esses problemas são ainda mais marcantes em redações tradicionais regionais, onde em cidades pequenas a reprodução de notícias sem argumentatividade, relevância social e reflexividade estão constantemente nos portais de notícias. O mal uso do espaço das mídias e das plataformas digitais vêm contribuindo para a reprodução de estereótipos e relações de poder, caracterizando um pensamento unilateral e retrógrado.

Analisando durante uma semana a editoria de Política do site do jornal Diário dos Campos se pode notar a ausência de fontes oficiais mulheres. Foram observadas dez matérias na editoria e destas dez, todas trouxeram fontes oficiais homens, não houve nenhuma fonte mulher. Se pegarmos a editoria de Polícia no site e analisarmos a presença de fontes mulheres, como já foi feito em análises anteriores pelo Observatório de Mídia, há uma crescente presença de fontes mulheres. Assim sendo, podemos perceber como as representações do jornalismo podem também contribuir para uma visão patriarcal, em que coloca as mulheres apenas na posição de vítima, em um estado de risco. Quando se trata em dar voz a elas, não por estarem em situação de violência, mas por serem cidadãs, participarem da vida social e, principalmente, da vida política, suas vozes são ignoradas. Embora o poder tanto executivo, quanto legislativo de Ponta Grossa tenha um número muito mínimo de mulheres, o jornalismo não pode deixar de entender seu papel de comunicador, de fomentador do discurso. Dessa maneira, as representações que o jornalismo escolhe, sem ao menos entender os contextos e as complexidades, contribuem para estereótipos, construções sem entendimentos e naturalizações.

Outro aspecto que não podemos ignorar é o espaço perdido do jornalismo pelas assessorias, a publicação de releases também contribuí para a construção de discursos estereotipados. A aceitação dessas matérias sem uma reflexividade, sem um entendimento social prejudica o trabalho do jornalismo e vende um espaço que poderia servir como um espaço de discursos relevantes.

Por Rafael Santos

Alunos do Colégio Meneleu debatem sobre violência contra a mulher

Estudantes e professores do Colégio Estadual Meneleu, de Ponta Grossa, debateram, no último dia 06, sobre violência contra a mulher e feminicídio, após assistirem o documentário “Quem matou Eloá?”. A atividade foi programada em parceria com o Projeto de Extensão Direitos Humanos, Jornalismo e Formação Cidadã (UEPG), com o propósito de levar temas relacionados a direitos humanos para a comunidade escolar. Este diálogo atende uma das diretrizes do projeto que é a articulação entre a academia e a comunidade por meio de ações extensionistas.

Em 2009, Lindemberg Alves, 22, estava armado e invadiu o apartamento da ex-namorada, Eloá Pimentel, 15, mantendo-a refém por cinco dias, na cidade de Santo André (SP). O crime foi transmitido amplamente pelos canais de TVs, sites e jornais. O evento foi direcionado aos alunos do 2º ano do ensino médio do colégio. “Adolescentes de 15 a 17 anos assistiram. Foi extremamente interessante passar o documentário, pois poucos conheciam o caso e a vítima tinha a mesma idade dos alunos que estavam assistindo”, relata Luana Karla, aluna do colégio e integrante do projeto Elos.

Após o documentário, foi realizada uma exposição ministrada pela aluna Luana Karla, apresentando dados sobre feminicídio no Paraná, Brasil e no mundo, “também foi mostrado casos que aconteceram no Paraná e em Ponta Grossa para mostrar o que esses casos estão perto de nós”, aponta Luana. Em seguida, ocorreu o debate com a participação das professores do projeto de extensão Karina Janz e Paula Melani Rocha e estudantes da escola.

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Elos apresenta sua produção extensionista no ENPJ

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Como parte da programação de encerramento do 18º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ), que este ano aconteceu em Ponta Grossa, no último dia 27, no período da tarde, integrantes do projeto de extensão ELOS – Jornalismo, Direitos Humanos e Formação Cidadã participaram da apresentação de trabalhos no grupo destinado a expor atividades sobre a extensão universitária. O evento foi realizado no Campus III da UniSecal. No mesmo dia, outros grupos de extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e demais universidade brasileiras, também realizaram apresentações.

O estudante e bolsista do Elos, Matheus Rolim, e a professora coordenadora do Elos, Paula Melani Rocha, ambos do curso de Jornalismo da UEPG, ressaltaram a importância da intersecção entre extensão, pesquisa e ensino, que tem sido primordial para o desenvolvimento do projeto.  Também se discutiu a importância do ELOS para a defesa dos direitos humanos. “Minha experiência no Elos começou no meu primeiro ano da universidade. Sempre fui ligado aos movimentos sociais e na luta pelos Direitos Humanos, o projeto me ajudou a teorizar e colocar em prática o que eu já acreditava. Participar do evento nacional debatendo questões extensionistas na perspectiva dos direitos humanos é de grande importância pessoal e para a comunidade jornalística”, destaca Matheus.

Ações realizadas pelo Elos, em parceria com escolas estaduais do munícipio, desenvolvendo oficinas e palestras, além da produção de jornais escolares, foram apresentadas no evento. Um panorama do site ELOS foi também exposto, destacando as editorias do site, assim como os principais temas abordados nas publicações, que são feitas pelos estudantes de Jornalismo e também por colunistas.

Foto: Daniela Valenga

De acordo com o levantamento realizado, os assuntos mais presentes nas postagens, desde a criação do site, foram: Gênero, Educação e Direitos Humanos. No final da apresentação, foram discutidos os principais desafios que o projeto enfrenta ao debater os direitos humanos.

Em um segundo momento, a aluna Daniela Valenga e a professora Graziela Bianchi, que também integram a equipe do Elos, comentaram sobre os tipos de produções realizadas pelo projeto. Geralmente são materiais em texto, áudio, audiovisual e fotografia, além das publicações de colunistas. As integrantes também ressaltaram a importância que o projeto oferta para os participantes, ao colaborar com a formação humanística do profissional/jornalista, além da importância para a comunidade, ao pautar assuntos relacionados à comunicação e ao jornalismo, a cidadania e direitos humanos. “Para mim foi muito gratificante poder compartilhar a experiência de participar do Elos para alunos e professores de Jornalismo de todo o país. É muito bom perceber o projeto crescendo e sendo conhecido”, relata a aluna.

A programação do 18º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo se encerrou no mesmo dia, com a realização de uma Assembleia-Geral Ordinária, que entre diversos assuntos discutiu a escolha da sede da próxima edição do ENPJ, que será a cidade de São Paulo.

texto: Matheus Gastaldon

Transcrições banalizam temas, onde está o jornalismo?

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Por João Pedro Teixeira

A espetacularização de acontecimentos ainda é um caso recorrente das mídias como um todo. Casos de violência são comumente noticiados pelo simples teor do espetáculo e do “entretenimento” coletivo. O jornalismo como meio comunicacional tem o principal papel de criar o debate, fornecendo a problematização e os caminhos argumentativos para que esses assuntos entrem em voga da forma correta. Matérias que repercutem pequenas notas de casos policiais, ferem esse direito ao debate de assuntos que são mais profundos e complexos.

No portal aRede, três notas chamam atenção para essa situação. A primeira delas, veiculada no dia 01 de maio, sob o título “Adolescentes são detidos por violência doméstica” traz dois casos de adolescente que bateram na mãe e outro no padrasto. A nota nada mais traz do que, parece, a transcrição de um boletim de ocorrência nos moldes jornalísticos de pirâmide invertida. Nada acrescenta e nada debate. Desse modo, é possível perceber o destrato com o termo “violência doméstica” e naturalização da violência.

Outra matéria, veiculada no dia 2 de maio, sob o título “Mulher é morta a tiros durante o jantar na região”, traz simplesmente outro boletim de ocorrência e nada mais. Embora apresente no texto um “possível caso de feminícidio”, a única coisa que o texto faz é descrever o crime. Só temos uma fonte na matéria, sendo a Polícia Militar. Nada mais é ouvido e a violência retoma como algo que acontece todos os dias.

A última matéria foi publicada no dia 5 de maio, sob o título “Mulher é morta a facadas pelo ex-marido no litoral”. Mais uma transcrição de boletins, a nota não traz nenhuma informação que escape dos contos policiais encontrados em jornais. Quando o compromisso do jornalismo de pluralidade é de buscar informações completas que procurem elucidar um fato ao debate público, simples transcrições falham com esse dever, principalmente quando tratamos da violência conta a mulher e violência doméstica. É nitidamente falho essa atenção aos detalhes da apuração, quando ela se baseia em transcrições e não em uma reportagem.

Painel debate gênero e relações de trabalho

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Na quarta-feira (24), no período da manhã, foi realizado no Grande Auditório do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa, o Painel – Relações de Gênero e lutas pela igualdade: trabalho, ciência e diversidade. As painelistas convidadas foram a professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Nádia Kovaleski, a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Maria José Braga e a advogada, membro da OAB-PR e do Coletivo Cássia, Ananda Puchta.

A atividade fez parte da programação do 6° Colóquio Mulher e Sociedade. Em sua apresentação, Maria José Braga destacou a desigualdade entre gêneros presente em redações jornalísticas. A presidente da FENAJ considera a Universidade como espaço onde se debatem as questões teóricas, técnicas e éticas da profissão, no entanto, também considera importante que se discutam os problemas. “O profissional não pode fechar os olhos para os problemas da sua profissão, que devem ser debatidos, ele deve ter criticidade para fazer o enfrentamento”, ressalta Maria José.
O Painel também destacou a importância da luta pela conquista dos direitos LGBT.

A pedagoga aposentada, Solange Maria Rodrigues, esteve presente no público que acompanhou o evento e destaca que debates como esse contribuem para que crimes como a homofobia sejam enfrentados: “Através de iniciativas como essa a sociedade cada vez mais respeita as diferenças. Sendo gay, lésbica ou transexual, deve se levar em consideração que todos são seres humanos”, diz Solange. A programação do 6° Colóquio Mulher e Sociedade foi finalizada na tarde de quarta-feira, com a apresentação de trabalhos acadêmicos, no evento científico vinculado ao Colóquio.

Por Matheus Gastaldon

Participantes ressaltam a importância do Colóquio

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Na manhã de terça-feira (23), no Grande Auditório do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), aconteceu a conferência de abertura da 6ª edição do Colóquio Mulher e Sociedade. A palestrante foi a diretora e editora do portal Diario Digital Femenino e também integrante da Red Internacional de Periodistas con Visión de Género da Argentina, a jornalista Lenny Cácere, que falou sobre a percepção de gênero na mídia. O Elos conversou com algumas participantes que estiveram no evento, para trazer algumas das percepções sobre a atividade.


A agente de ação social da saúde, coordenadora voluntária e fundadora do Grupo Renascer, que apoia a população LGBT em Ponta Grossa e região, Débora Lee Comassetto Machado, mulher travesti, considerou o Colóquio como de extrema importância para o município, porque, em sua visão, ele pode auxiliar a pautar as políticas públicas de acordo com as necessidades não só das mulheres cis, mas também das mulheres travestis e transsexuais. “Muitas vezes, a gente só tem espaço através de nossas agressões e assassinatos. O Brasil é um dos países mais preconceituosos com relação em sua população LGBT, além de ser o que mais mata travestis e transsexuais”, ressaltou.
A professora e pesquisadora do curso de Farmácia da UEPG, escritora e presidente da Academia Pontagrossense de Letras e Artes, Neuza Helena Postiglione Mansani, considerou a iniciativa como muito relevante, em diferentes aspectos, especialmente na formação dos estudantes. “É importante a participação do acadêmico em eventos como o Colóquio para o seu embasamento tanto como aluno quanto como jornalista”, afirmou. Ressaltou ainda a necessidade de trazer um assunto de extrema relevância, como a discussão da perspectiva de gênero na mídia e no jornalismo, para que a comunidade entenda a discussão do papel e da representatividade da mulher na sociedade.
Na quarta-feira, (24), pela manhã, ocorreu o painel “Relações de gênero e lutas pela igualdade: trabalho, ciência e diversidade”. No período da tarde, a programação conta com o Evento Científico Estudos de Gênero, nas salas do Bloco D, Campus Central da UEPG, a partir das 14h. A programação dos trabalhos que serão apresentados pode ser acessada aqui.

Por Vitória Rosa da Silva

“O jornalismo tradicional não trata corretamente as questões de gênero”, afirma jornalista argentina

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“Quando o jornalista percebe o trauma que um abuso provoca na vítima, passa a ter cuidado em como noticia”, reflete a jornalista argentina Lenny Cácere, fundadora do site Diario Digital Femenino e membro da Red Internacional de Periodistas con Visión de Género. Para ela, a mídia tradicional ainda não sabe trabalhar a questão de gênero e reproduz injustiças, preconceitos e senso comum no discurso jornalístico.
Cácere cita duas formas para os meios jornalísticos trabalharem com a questão de gênero. A primeira é chamar os acontecimentos pelo o que eles são, como por exemplo, ao relatar um assassinato, não escrever “uma mulher foi encontrada morta”, mas sim “uma mulher foi assassinada”. Em segundo, não culpar ou julgar as vítimas. “Não importa o que estava vestindo, onde estava e qual a profissão que exercia, a culpa não é da vítima”, reforça.
Outra questão que a jornalista destaca é quanto ao uso de imagens, que podem causar gatilhos em vítimas e normalizar situações. Para ela, não é necessário reproduzir imagens de violência para contar uma história. “Devemos pensar que estamos falando sobre e para pessoas que são afetadas pelo nosso discurso”, lembra a jornalista. Para ela, a questão de gênero deveria ser obrigatória na formação de jornalistas.
O Diario Digital Femenino é o primeiro e único site dedicado exclusivamente para o agrupamento e produção de informações sobre questões de gênero. As pautas abrangem questões ligadas aos direitos e reivindicações das mulheres e da comunidade LGBT+ que não apareceriam na mídia tradicional. “Podemos seguir revoltadas, ou mudarmos a realidade a nossa volta”, declara Cácere.
A jornalista relata que, em 2018, o movimento das mulheres argentinas pela legalização do aborto se destacou também nas redes sociais digitais e por isso não pôde ser ignorado pelas mídias tradicionais. “Se não podemos contar uma história nas empresas em que trabalhamos, vamos contar nas nossas redes sociais e elas também serão repercutidas”, relata.
Lenny Cácere realizou a conferência de abertura do 6º Cóloquio Mulher e Sociedade, na manhã desta terça, dia 23. A programação completa do evento está disponível no site: http://sites.uepg.br/jornalismo/ocs/index.php/6mulheresociedade/6mulheresociedade

Por Daniela Valenga

Projeto Elos realiza oficina de editoração na UEPG

No último dia 17, foi realizada no laboratório de produção de texto do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mais uma oficina promovida pelo Projeto de Extensão Elos, em parceria com o Colégio Estadual Elzira Correia de Sá. Essa é mais uma, das diversas etapas de colaboração do projeto Elos com a escola, que está desenvolvendo produções jornalísticas próprias, e conta com o apoio do projeto para a capacitação e supervisão dos trabalhos.

As oficinais de capacitação, que têm ocorrido periodicamente, desde 2018, nessa oportunidade, trabalhou noções gerais sobre o programa de editoração Scribus. A atividade foi conduzida pelos estudantes de Jornalismo e integrantes do Elos, Patrícia Guedes e Matheus Rolim e acompanhados pela professora Graziela Bianchi. “Essa experiência foi muito marcante para mim, não apenas por participar do projeto mas também por conta do interesse dos alunos em fazer um jornal escola. É esse tipo de pensamento que devemos cultivar nos alunos, de ter a capacidade de olhar e refletir sobre a própria realidade e, usando as práticas jornalísticas, propor novas mudanças”, relatou Patrícia, ministrante da oficina. Estiveram presentes estudantes do Colégio Elzira, acompanhados pela professora Maria Antônia Marçal e a servidora Rosângela Dias Canto.

Foto: Fernando Oliveira

A partir das informações obtidas nessa oficina, os estudantes da escola estadual poderão desenvolver os processos de diagramação do seu próprio jornal, o Elzirão News. Em atividade a ser agendada em breve, os estudantes que integram o Elos irão novamente até a escola Elzira para dar continuidade às atividades de produção do jornal.