Home Blog Page 26

Extinção da PROLAR evidencia falta de políticas habitacionais em Ponta Grossa

0

A Câmara de Vereadores de Ponta Grossa aprovou, no dia 25 de abril, o projeto de Lei nº 341/21, de autoria da Prefeita Elizabeth Schmidt (PSD), que prevê a extinção da Companhia de Habitação de Ponta Grossa (Prolar). A extinção faz parte do projeto de reforma administrativa do Poder Público da cidade, que também extinguiu a TV Educativa e a Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes (AMTT). No período, até 31 de dezembro, a Prolar passa de um órgão independente para ser um departamento da Secretaria Municipal da Família e Desenvolvimento Social.

Além da extinção, no fim do ano passado, houveram denúncias sobre casos de corrupção envolvendo a companhia. No caso, os vereadores Ricardo Zampieri (Republicanos) e Walter José de Souza, o Valtão (PRTB) foram presos por estarem envolvidos no desvio de dinheiro da empresa que cuidava dos sistemas de tecnologia e informação da Prolar e da AMTT, a Cidatec. Agora com a extinção da Prolar o município sofre com a falta de políticas públicas voltadas à questão habitacional na cidade.

Sandra Scheffer, assistente social que trabalhou na Prolar durante 21 anos é estudante de políticas públicas com foco em habitação, urbanização, pobreza e espaço local. Segundo ela: “A extinção da Prolar só vai prejudicar o município. Se a gente já tinha dificuldades, agora só vai piorar. Temos todos esses dificultadores, esses problemas, mas temos que entender enquanto sociedade de economia mista é muito mais tranquilo de fazer com que os problemas habitacionais fluam.”

A assistente social explica que por se tratar de uma economia mista, a Prolar encontrava muitos problemas relacionados aos recursos utilizados para sua manutenção, de forma que a mudança de gestão fez com que houvesse uma falta de recursos, o que acabou comprometendo a aplicação do projeto. No entanto, para Sandra, apesar de possuir muitas falhas, um órgão não deve ser extinto de tal maneira, é necessário podar os problemas a fim de superá-los. Assim, ela vê a necessidade de elaboração de políticas públicas que auxiliem na questão habitacional de Ponta Grossa.

 

Observatório: Conflitos internacionais: da reprodução de conteúdos à falta de abordagens locais

O mundo parou com a declaração de invasão da Ucrânia, pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, no dia 24 de fevereiro deste ano. Os noticiários televisivos e veículos de comunicação ocuparam seu espaço com o conflito internacional. Em um primeiro momento, tudo o que se sabia acerca dos primeiros bombardeios era baseado em imagens e vídeos publicados pelos próprios cidadãos ucranianos na internet.

No entanto, após quase três meses do conflito, informações acerca dos acontecimentos no país são veiculadas diariamente. O inegável impacto econômico causado e as decisões dos governantes estão entre as principais pautas refletidas pelos jornais.

Como forma de compreender o tratamento dado às notícias internacionais pelos jornais da cidade, foram analisadas 27 matérias publicadas pelos dois principais portais de notícia de Ponta Grossa: 18 notícias de aRede e 9 notícias do DC +, durante todo o mês de abril.

De uma forma geral, não houve tentativa de relativização de conteúdo em ambos os portais, ou seja, atentar-se a detalhes que impactam no cotidiano pontagrossense, como a economia, a cultura e a vinda de imigrantes para cidades vizinhas como Prudentópolis. Apenas um único conteúdo em vídeo do portal DC+ com título “DCMAIS DINHEIRO #62: Rússia x Ucrânia: o impacto da guerra sobre a economia brasileira” falou sobre as consequências no país.

Outro ponto importante que vale salientar é a total reprodução de conteúdos da Agência Brasil e outros sites em ambos os portais. No caso de aRede, de 18 matérias, 14 delas eram conteúdos replicados por outros órgãos. É preciso levar em consideração que, quando se trata de notícias internacionais, todas as informações recebidas são repassadas pelas agências; entretanto, não há um esforço de direcionar as matérias de forma local, ouvindo especialistas da área que residem na cidade.

Por tratar-se de um conflito de difícil entendimento, grande parte das informações necessitavam de um conteúdo multimídia (o que não ocorreu) como mapas, infográficos, tabelas ou até mesmo vídeos para esclarecer melhor os acontecimentos ao público. Além disso, títulos e legendas apelativas, como a publicada na aRede “Nova dama da morte é idolatrada pelos ucranianos” e “conheça a atiradora idolatrada pelos ucranianos” trazem um grande sintoma do webjornalismo atual, os “clickbaits”, notícias feitas para ganhar engajamento, deixando de lado critérios importantes como a relevância de conteúdo e a ética na profissão.

A superficialidade das notícias e a distância que as coloca da realidade da guerra fazem com que detalhes importantes sejam esquecidos a cada dia, como a vulnerabilidade das mulheres, das crianças, dos idosos e dos animais, o racismo escancarado no momento da imigração, a fome e a pobreza iminente. Para um jornalismo de qualidade, espera-se uma cobertura mais atenta aos impactos da guerra no contexto local e um aprofundamento do tema de forma plural, estabelecendo contrapontos que permitem lançar outros olhares sobre o conflito.

 

Elos retoma atividades práticas presenciais em escolas públicas de PG

0

O Projeto Extensionista Jornalismo, Direitos Humanos e Formação Cidadã (Elos) retoma as atividades do Jornal Escola, orientado por professoras, acadêmicas e acadêmicos do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Após dois anos sem atuação presencial devido a pandemia de Covid-19, o Colégio Estadual Senador Correia é o primeiro a desenvolver a prática com estudantes do ensino médio.

Diferente dos anos anteriores, em que o Jornal Escola era desenvolvido como atividade extracurricular, agora ele é uma disciplina eletiva disponibilizada para alunos e alunas matriculados. Neste ano, 23 estudantes participam do projeto sobre a supervisão da professora Karen Carrera Schroeder Schreder. A disciplina tem como objetivo criar o jornal impresso da escola, que será feito em duas edições com foco em pautas sobre a comunidade escolar do Colégio Senador Correia.

Nomeado como ‘Senador Alerta’, o jornal é elaborado por estudantes do 1º, 2º e 3º anos do ensino médio e tem como abordagem as seguintes editorias: Esporte, Saúde, Política e Cidadania, Reportagem Especial, Fala Professor e Fala Aluno, Espaço Literário, Entretenimento e Agenda, sobre os eventos do colégio. A classe foi dividida nas funções de editores, repórteres, fotógrafos e diagramadores e haverá rodízios para que todos vivenciem as etapas de produção de um jornal. Além das oficinas de diagramação e produção de jornal escolar ministradas por integrantes do Elos, o projeto de extensão Lente Quente, também vinculado ao curso de Jornalismo da UEPG, irá ministrar as oficinas de fotografia. A programação que irá ocorrer durante todo o ano letivo de 2022 inclui ainda oficinas de áudio e rodas de conversa sobre ‘como elaborar um jornal’, ‘leitura crítica da imprensa’, fake news e direitos humanos. As oficinas ocorrem no colégio e na universidade, para que os estudantes do ensino médio conheçam os espaços do Departamento de Jornalismo da UEPG.

O estudante Bernardo Detzel Coimbra, de 17 anos, avalia a importância de um projeto deste porte dentro da escola pública. “Eu realmente gosto de ver que a escola pública teve uma iniciativa e fez esse projeto, trazendo pessoas que têm experiências, tanto teórica quanto prática no Jornalismo”, ressalta o aluno 3º ano do ensino médio. 

Histórico do Projeto

O Jornal Escola foi implantado em 2018, no ensino público de Ponta Grossa. O projeto já esteve presente nas escolas: Colégio Estadual Professor Meneleu Almeida Torres, Colégio Estadual Professora Elzira Correia de Sá e Colégio Estadual Regente Feijó. Os Jornais Escola anteriores estão disponíveis no site Elos.

 

Estudantes do Senador Correia elaboram o Jornal Escola em oficina com integrantes do Elos

Autor de feminicídio é condenado a 18 anos de prisão em PG

0

No dia 9 de julho de 2021 a família Santos, em Ponta Grossa, ficou marcada para sempre após um feminicídio brutal envolvendo Liliane Ferreira dos Santos , de 42 anos, que foi esfaqueada e morta. O corpo foi encontrado nu e com marcas no pescoço pela irmã de Liliane, na Rua Neci Nunes Ferreira, no bairro Neves.

Quase 11 meses se passaram desde que o caso foi registrado e o assassino, de 50 anos, que está em prisão desde agosto, teve sua sentença protocolada na manhã de hoje, durante julgamento no Fórum de Ponta Grossa. Ele foi condenado a 18 anos de prisão. “Quem vai pagar essa sentença para sempre somos nós, que nunca mais vamos ver a Liliane”, relatou Ligiane dos Santos, irmã de Liliane.

Ligiane, que se define como feminista, conta que casos como estes mostram a fragilidade das mulhures diante do patriarcado. “É um derramamento de sangue diário e a violência é sempre direcionada às mulheres. Quando casos assim ocorrem toda a sociedade morre”, relatou. Ela ainda fez um desabafo e explicou que queria que esse fosse o último feminicídio que ocorresse; “Eu quero um mundo melhor, que não seja tão cruel”.

O caso

A polícia civil de Ponta Grossa descobriu durante a investigação que o assassino se passava por um oficial militar para enganar as vítimas. Por meio de um perfil falso ele criava um vínculo de amizade com as vítimas, ainda com um perfil feminino. Tempo depois ele voltava a se apresentar, já com seu perfil, como sendo um tenente coronel do exército. Usando o perfil feminino, ele encorajava as mulheres a saírem com ele.

Ele respondeu por feminicídio e furto qualificado, porque também roubou pertences da residência de Liliane.

Casos de feminicídio em Ponta Grossa

Segundo levantamento feito pelo Portal Periódico da UEPG, a cidade registrou 7 casos de feminicídios em apenas quatro anos, do período de 2015 a 2018. Já no Brasil, apenas em 2020 foram registrados 1338 casos, segundo dados das Secretarias de Segurança Pública dos Estados. No Paraná, os números chegaram a 217 tentativas de feminicídio no mesmo ano (2020), segundo o Ministério Público do Estado.

 

Imagem: Reprodução RPC

 

Entidades auxiliam pessoas com deficiência

Em Ponta Grossa, há diversas entidades que oferecem apoio às pessoas com deficiência e atuam em defesa dos seus direitos. No Brasil, esses direitos estão assegurados pela Lei Federal nº 13.146/2015, também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante condições de acesso à saúde, educação, acessibilidade, inserção no mercado de trabalho, entre outros.

Conheça o trabalho das associações e colabore!

APAE

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Ponta Grossa (APAE) é uma entidade civil, filantrópica, que atende pessoas com deficiência e suas famílias. A instituição desenvolve projetos e ações continuadas em parceria com o poder público Federal, Estadual e Municipal e também atua junto à sociedade civil através de doações, do trabalho voluntário e de mobilização e participação em eventos de arrecadação de recursos.

Instagram: @apaedepontagrossa

Facebook: APAE de Ponta Grossa

ASSARTE

Fundada em 31 de março de 1985, a ASSARTE surgiu com o objetivo de prestar atendimento a portadores de necessidades educativas especiais. Hoje, ela coordena duas entidades na cidade de Ponta Grossa: uma escola de educação especial e um abrigo para pessoas com deficiência intelectual que não possuem família.

Site: www.assarte.org.br

Facebook: Assarte PG

APROAUT

A Associação de Proteção dos Autistas (APROAUT) é uma entidade filantrópica voltada para o atendimento especializado a crianças, adolescentes e adultos diagnosticados com TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Fundada em 28 de agosto de 1996 e localizada no Parque Santa Lúcia, a instituição oferta atendimentos educacionais e clínicos ao público autista com serviços de equoterapia, fonoterapia, terapia ocupacional, serviço social, musicoterapia, psicologia, psicopedagogia, atendimento médico, brinquedoteca, educação física e brinquedoteca.

Facebook: Aproaut- Associação de Proteção dos Autista

APACD

A Associação Pontagrossense de Assistência à Criança Deficiente (APACD) tem o objetivo de oferecer atendimento multidisciplinar para crianças e jovens com deficiência por meio de acompanhamento psicológico, terapia ocupacional, fonoaudiólogo, musicoterapia, estimulação visual, ortopedia e neuropediatria, visando a melhoria no desempenho físico, intelectual e emocional.

Site: apacd.org.br

Facebook: Apacd Ponta Grossa

Instagram: @apacdpontagrossa

APADEVI

A Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (APADEVI), fundada em 22 de junho de 1985, é uma Organização Não Governamental (ONG), sem fins lucrativos, que atende pessoas com deficiência visual total e/ou com baixa visão, sem limite de idade, no município de Ponta Grossa – PR.

Instagram: @apadevipg

Facebook: Apadevi Ponta Grossa

Cesta básica tem aumento de preço e compromete renda familiar

0

No início deste mês, o Núcleo de Economia Regional e Políticas Públicas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Nereep-UEPG) divulgou um novo levantamento sobre o preço dos produtos da cesta básica na cidade, que agora chegam a somar R$ 809,59. Um dos itens que mais chama a atenção é a carne, produto comum na mesa dos brasileiros, que registrou aumento de mais de 5%. Com preços cada vez mais altos a população busca alternativas para conseguir fazer ao menos uma refeição por dia.

Dias antes da Semana Santa, que começou no dia 10 de abril e acabou no dia 16, alguns dos peixes que embelezavam a fonte na Praça Barão do Rio Branco foram furtados. A informação foi confirmada pela Prefeitura de Ponta Grossa, mas não se sabe ao certo quem furtou os peixes ou qual o objetivo. Na cultura do catolicismo, a Sexta-Feira Santa é um momento em que se pratica a abstinência, isto é, não comer carne vermelha ou frango, o que pode ter motivado o roubo dos peixes.

Willian Ferreira,que trabalha como vendedor ambulante para suprir a renda familiar, conta que o aumento de preço pesou no bolso das famílias. “O café e o feijão tiveram um aumento de preço muito grande”, observa Willian, que também lembra que o Brasil é um dos maiores exportadores de café e carne bovina em todo o mundo. No ano passado foi registrada alta de 55% na exportação de carne bovina, algo em torno de 159,1 mil toneladas, conforme informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Para as famílias que vivem com apenas um salário mínimo, metade desse valor tem que ser gasto para comprar produtos básicos no supermercado, como conta o auxiliar administrativo Cide Oliveira Neto. “Hoje o salário mínimo é de R$ 1.212,00, então ter que pagar luz, internet e água, o que acaba fazendo as famílias fecharem no vermelho”, alerta Cide.

Para quem espera que os preços baixem com o fim da pandemia, a notícia não é tão boa, como conta o professor de Economia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Alysson Stege. “O preço só deve diminuir quando voltar a renda e as vagas de emprego. Uma maior oferta também deve reduzir o preço dos alimentos, uma vez que o processo de produção deve aumentar”, explica o professor.

A pesquisa do Nereep-UEPG, levou em conta um levantamento feito no site dos supermercados da cidade, na modalidade delivery, no mês de março de 2022.

 

Cresce o número de jovens que emitiram o título de eleitor

0

Cada vez mais os jovens brasileiros têm se interessado pela política e um reflexo disto é um aumento no número de emissão de títulos de eleitores entre adolescentes de 15 a 17 anos. Segundo o TSE, do início de 2022 até 21 de março, 854.685 jovens haviam solicitado a emissão do documento. Este número somado com as solicitações de 2021, que não foi um ano eleitoral, representa pouco mais de 2,3 milhões de novos títulos, quase o dobro das emissões em 2020 para as eleições municipais entre este público.. 

As estudantes de Ponta Grossa, Maria Eduarda Oshiro Paixão, 16 anos, e Gabrielle Wozniak, 17 anos, comentam que perceberam a importância de emitir o título após estudarem um pouco mais sobre política. Outro fator que levou as jovens a solicitarem o documento foi ter o direito de exercício ao voto garantido e também por se sentirem mais integradas à sociedade.

Maria Eduarda diz também que há espaço para todos dentro da política, pois as pessoas têm diferentes pontos de vista e o que deve prevalecer é o debate sempre. Para a estudante, “o estudo da política é importante para  que as pessoas entendam que elas não precisam, necessariamente, exercer algum tipo de cargo na política, mas podem ser ouvidas através do voto promovendo seus ideais por meio de um representante eleito”.

Para Gabrielle o voto é um instrumento de transformação. “Com o meu voto, posso tentar fazer com que o futuro do país seja melhor do que foi o passado no cenário político”, complementou a estudante.. A jovem pontagrossense observou ainda que seus colegas e pessoas da sua idade não fazem o título por puro desinteresse e falta de debate sobre política.

Ensaio: Invisibilidade Social

1

Invisibilidade social é um conceito aplicado nas Ciências Sociais referente a pessoas que encontram-se invisíveis socialmente, seja por indiferença ou por preconceito estrutural. A ausência de políticas públicas contribuem para a permanência da invisibilidade social. O conceito remete as pessoas que estão à margem da sociedade seguindo fatores históricos, culturais, sociais, religiosos e econômicos. São exemplos os moradores de ruas e os idosos que, quando ignorados, compõe apenas como mais uma peça da paisagem urbana das cidades.  

Luiz Carlos Gomes leva um pouco de alegria pelas ruas de Ponta Grossa. Luiz Gomes tira seu sustento através de contribuições das pessoas que param para ouvir sua música nas avenidas mais movimentadas da cidade. 

Morador de rua, conhecido como Sidão, pede dinheiro no semáforo da rua Benjamin Constant em Ponta Grossa para comprar uma refeição.

Genildo Rosa de Almeida comenta que perdeu seu emprego pelo motivo de ter crises de convulsões e está esperando a perícia médica do INSS para se encostar por invalidez. Atualmente Genildo é morador de rua e pede dinheiro nas ruas de Ponta Grossa para se alimentar. 

Morador de rua procurando por comida e vestimentas na caçamba de lixo próximo do Terminal Central de Transporte Coletivo Urbano em Ponta Grossa. 

Pegar o transporte público é uma dificuldade para o munícipe de Ponta Grossa, Ademir da Silva. O senhor comenta que apresenta paralisia em uma das pernas e necessita de assistência para embarcar no ônibus, o que deixa Ademir frustrado por precisar do motorista. 

 

Como trabalhar a opinião pública quando grande parte do jornalismo local é refém da superficialidade?

Quando se trata de temáticas relacionadas a Direitos Humanos, o jornalismo hegemônico em geral nutre a prática sintomática de falar sobre estes temas sem aprofundamento ou reflexão, não apenas oferecendo à população uma visão superficial dos acontecimentos, como também as impedindo de formar a própria opinião e desenvolver o pensamento crítico. 

Seja em grandes metrópoles ou em pequenas cidades, a cobertura jornalística das ocupações e lutas ligadas ao Movimento Sem Terra (MST) apresenta problemas que se repetem. Em Ponta Grossa não é diferente, desde que 200 policiais conduziram de maneira ilegal uma operação de despejo de 60 famílias em uma ocupação no bairro Cará-Cará, no dia 5 de fevereiro de 2021, o assunto começou a ser abordado por diversos veículos de comunicação do município. 

Foram analisadas matérias relacionadas às ocupações de Ponta Grossa nos dois principais jornais online, Diário dos Campos (DC+) e o portal A Rede. Optou-se por fazer um recorte temporal nos meses de fevereiro e março de 2021.

No que diz respeito ao portal A Rede, é notória a falta de problematizações na cobertura. Das 16 matérias analisadas, nenhuma trazia uma reflexão real acerca da falta de ações mais efetivas na garantia de moradia no município ou questões econômicas que permeiam as razões pelas quais estas famílias fazem parte de ocupações. Os problemas estruturais e de tratamento de fontes estão presentes em todas as reportagens, o uso da palavra “invasão” atua como forma de vandalizar as ações promovidas pela Frente Nacional de Luta (FNL), tanto no corpo da reportagem quanto nas manchetes. Um exemplo disso é o título de uma matéria veiculada no dia 11 de fevereiro: “Decisão da Justiça proíbe novas invasões em PG”.

 Além disso, grande parte das notícias não trazem um viés questionador com relação à posição do poder público. Comemorações e atos também foram veiculados, contudo, de forma bastante superficial. Outro ponto que vale salientar é o número considerável de matérias que falam sobre a ida de representantes nas ocupações, principalmente as relacionadas ao governo do estado e do município, atuando como forma de “reiterar” o comprometimento dos representantes com o movimento.

Em relação ao jornal Diário dos Campos, a cobertura foi similar à dada pelo jornal anterior. Ao todo foram coletadas 11 notícias que envolviam o termo “ocupação”. Percebe-se uma tentativa de argumentar acerca dos problemas sociais que a luta envolve, entretanto, a abordagem é perpassada por outras justificativas, tratando de armas de fogo e apreensão de entorpecentes. O uso de palavras como “desfazer”, “retirar” e “desmobilizar”, que amenizassem o ato de despejo por parte dos policiais, também marcou a cobertura. Em duas das notícias encontradas, o termo “invasão” foi utilizado na manchete.

De maneira geral, a cobertura dos dois portais foi bastante limitada, dando maior foco ao poder público. É importante refletir acerca do papel do jornalismo local na formação de opinião da população, uma vez que as 37 reportagens atuaram como pontes para reforçar estereótipos já existentes. Além dos problemas estruturais apresentados, a linha editorial dos jornais, seus patrocinadores e também o próprio posicionamento dos veículos ficam bastante claros.

Assédio em bares, restaurantes e casas noturnas é relato comum entre as jovens de PG

0

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, em 2021 a cada sete horas foi registrado um boletim denunciando crimes como importunação sexual e divulgação de imagens e vídeos com conteúdo sexual sem consentimento. Dado que é subestimado, uma vez que, são raros os casos de denúncia devido ao medo da descrença e repreensão.

Os casos de assédio costumam ser mais frequentes em casas noturnas, situação que não é diferente em Ponta Grossa. A partir disso, a lei Nº 13.748/2020 da cidade obriga os bares, as casas de shows, os restaurantes e os estabelecimentos similares a adotar medidas de segurança visando a proteção das mulheres em suas dependências. Isso consiste na oferta, pelo estabelecimento, de acompanhamento da mulher até o veículo, inclusive aqueles de aplicativos de transporte urbano, ou na comunicação da situação de risco à polícia.

Uma estudante de Ponta Grossa, a qual optamos por proteger a identidade e integridade pessoal, relata o assédio que sofreu em uma casa noturna da cidade em dezembro de 2021. “Foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu comigo, eu estava de boa e um cara me beijou a força, começou a tentar tirar minha saia na frente de todo mundo. Daí eu consegui empurrar ele, depois que aconteceu eu fiquei travada por alguns minutos em choque pensando que a culpa era minha por ter dançado no palco. Acabou com a minha noite, com a minha semana”, conta a jovem. 

Para entender a lei Nº 13.748, suas deficiências e como melhorá-la, conversamos com Guedes Henrique, proprietário da casa noturna Cavan, localizada no centro de Ponta Grossa. A casa tem diversas medidas que focam

na proteção das mulheres presentes no estabelecimento.  Confira a entrevista na íntegra abaixo:

Como e onde mulheres que sofreram assédio podem procurar ajuda dentro do estabelecimento?

Todos os funcionários da casa estão orientados a ouvir a vítima e chamar um responsável. Colocamos placas no banheiro feminino indicando o que fazer quando estiver se sentindo ameaçada ou constrangida, explicando também como funciona o drink FRIDA, que nada mais é que um “drink de emergência” para socorro em casos de assédio. Na placa, as mulheres são orientadas a chegarem no bar e pedirem por esse drink, para que, automaticamente, o pessoal entenda o recado e chame um responsável para tomar providências. 

Quais são as medidas tomadas após o pedido de ajuda?

O pessoal é orientado primeiramente a afastar o agressor de perto da vítima, e conversar com a mesma para entender a situação. Após isso, nós buscamos a melhor maneira de resolver o caso, o que pode ocorrer com a saída do assediador. Também, nos disponibilizamos a chamar a polícia e prestar esse suporte caso a mulher deseje prestar queixa. 

As medidas de apoio/proteção são divulgadas de que modo no ambiente do estabelecimento?

Nós fazemos campanhas pelas nossas redes sociais e espalhamos placas por toda a casa (inclusive no banheiro masculino). Colocamos a placa referente ao drink Frida no banheiro feminino, e também, referente ao drink, placas nos ambientes exclusivos para funcionários, para que sempre estejam cientes desse código. 

Mesmo que seja praticamente impossível controlar e garantir que situações que coloquem mulheres em risco não aconteçam, existem medidas da equipe do local para evitar casos de assédio e fazer com que mulheres se sintam protegidas?

Na minha opinião, o melhor caminho é a conscientização. Quanto mais repreendermos e colocarmos esses atos como desprezíveis dentro da casa, mais afastadas teremos as pessoas que tomam esse tipo de atitude. Tivemos uma época na Cavan em que estávamos tendo bastante relatos de assédios, que foi quando intensificamos campanhas e até lançamos a polêmica coleção de copos dizendo NÃO AO ASSÉDIO. Ao meu ver, como não temos como saber quem faz isso, precisamos colocar isso em pauta e o copo era algo que chegaria às mãos de todos… A ideia foi bombardeada por críticas, mas mesmo assim fizemos e todas essas campanhas deram resultado. 

Mas, é claro, não paramos por aí. Pensando em um maior zelo para com nossos frequentadores, coloquei mais seguranças na casa e câmeras. Intensificamos também as orientações com nossos colaboradores, para ficarem ainda mais atentos com essa questão. 

Quanto você considera que essas medidas têm sido efetivas?

Então, como disse, tivemos uma onda de relatos e depois que tomamos todas essas atitudes as reclamações cessaram. Creio que não resolvemos 100% o problema, porque realmente não temos como prever o comportamento de cada um que entra. Mas, ainda assim, as medidas tiveram bastante resultado.